Novidades

02 MAR
Comparativo: VW Virtus GTS tem preço de Jetta, mas é tão bom quanto?

Comparativo: VW Virtus GTS tem preço de Jetta, mas é tão bom quanto?

Esportividade do Virtus GTS ou conforto do Jetta Comfortline? (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Esportividade do Virtus GTS ou conforto do Jetta Comfortline? (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Sedãs costumam não ser tão atraentes quanto carros esportivos como cupês, hatches ou mesmo peruas. Tanto que a existência do VW Virtus GTS foi muito contestada internamente, na fábrica.

Basicamente, o três-volumes esportivo só saiu do papel graças a José Carlos Pavone, chefe de design da marca no país e “pai” do projeto.

Controverso ou não, o fato é que ele nasceu: com a mesma frente, as mesmas rodas e a mesma estilização de cabine do irmão Polo GTS, mais uma traseira discretamente incrementada com lanternas escurecidas, defletor do para-choque e régua na tampa do porta-malas em preto-brilhante.

E com o status de primeiro sedã da Volkswagen a receber a sigla esportiva intermediária entre o GT e o GTi.

Régua na tampa do porta-malas é detalhe exclusivo do Virtus GTS (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Só que a brincadeira terá um preço: R$ 104.940 mais R$ 1.570 por pintura metálica (como o Cinza Platinum da unidade que ilustra esta reportagem) e R$ 2.160 pelo pacote opcional que inclui sistema de som Beats (quatro alto-falantes, dois tweeters, amplificador e subwoofer). Total: R$ 108.670.

A etiqueta assustou potenciais compradores e logo levantou a lebre: por esse valor, não é mais negócio levar para casa um Jetta?

Jetta: a traseira parece a do Virtus, mas mais larga e com leds nas lanternas (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Afinal, o sedã médio da marca parte de R$ 99.990 e vem equipado com o mesmo conjunto motriz: motor 1.4 turbo flex de 150 cv e 25,5 mkgf aliado a câmbio automático de seis marchas. É por isso que criamos este comparativo.

Entretanto, a versão escolhida do Jetta foi a intermediária Comfortline 250 TSI, mais parelha ao Virtus GTS no pacote de equipamentos.

Quando reunimos os dois modelos, tal configuração custava apenas R$ 5.000 a mais do que seu primo menor. Alguns dias depois, porém, a Volkswagen reajustou seu valor para R$ 114.990, chegando a R$ 121.690 com teto solar (opcional) e cor metálica.

Apesar da nova diferença de até R$ 13.000, será que ainda vale a pena cogitar um Jetta? É o que veremos.

Virtus é menor, mas, mesmo na versão GTS, tem distância
do solo mais alta. Jetta tem porte de sedã médio, o que melhora o espaço dentro da cabine (Fernando Pires/Quatro Rodas)

As propostas, obviamente, são diferentes.

Apesar de surpreendentemente macio para um esportivo, o GTS possui calibração mais esportiva de suspensão em relação aos demais Virtus – carga de molas e amortecedores revista, barra estabilizadora de maior diâmetro e eixo traseiro mais rígido.

Tirando detalhes em vermelho, cabine do Virtus GTS tem aspecto mais simples (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Desenhos se parecem, mas painel do Jetta é mais refinado (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Suas respostas de acelerador e direção também são diferentes e, em modo Sport, a assistência elétrica da direção interfere de maneira muito sutil, tornando-a deveras dura para os padrões regulares.

Na estrada, esse acerto torna o sedã compacto muito divertido e instigante. Quando o uso é urbano, porém, a calibração esportiva cobra seu preço, deixando o Virtus menos confortável.

É aqui que o Jetta demonstra seu valor: com direção mais leve, suspensões mais macias e pneus com perfil ligeiramente mais alto, o modelo médio proporciona uma experiência muito mais confortável e suave de rodagem na cidade.

Versão GTS Virtus traz bancos dianteiros esportivos com couro (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Jetta conta com bancos dianteiros mais simples, porém com couro mais nobre (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Ao mesmo tempo, os dados de desempenho são praticamente iguais: na pista de testes, ele levou alguns poucos décimos de segundo a mais para cumprir as provas de aceleração e retomada.

Na aferição de 0 a 100 km/h, por exemplo, a diferença foi só de 0,2 s. Aliado a isso, o consumo é surpreendentemente melhor em ciclo urbano.

Mais um sinal de que, para quem sai pouco da cidade, o Jetta talvez seja uma opção mais adequada. Até manobrar com ele parece tão fácil quanto com o Virtus, apesar das dimensões maiores e do 0,3 cm extra de diâmetro de giro.

Central do Virtus GTS incorpora sistema exclusivo de telemetria para track days (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Já a central do Jetta, apesar ter mesma tela e interface, tem configurações mais convencionais (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Mas é preciso reiterar: especialmente em rodovias, ele não oferecerá uma experiência tão empolgante de dirigir nem uma conexão tão próxima entre homem e veículo quanto a do Virtus.

Na cabine, o Jetta é superior não somente por oferecer mais espaço (afinal, são quase 4 cm de ganho em entre-eixos e 5 cm em largura), mas também porque possui acabamento com materiais mais nobres no painel e nas guarnições das portas dianteiras, além de freio de estacionamento elétrico e teto solar como opcional.

Manopla de câmbio de Virtus e Jetta são idênticas, mas na versão GTS o nicho é estilizado com frisos vermelhos (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Console do Jetta é mais largo e mais bem elaborado, além de contar com revestimentos de melhor qualidade e freio de estacionamento elétrico (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Mas o Virtus GTS tem suas vantagens. Seu quadro de instrumentos é 100% digital de série, enquanto o primo traz mostradores analógicos com um pequeno computador de bordo monocromático ao centro, solução vista até em um Up!.

E só o Virtus possui bancos dianteiros esportivos, assim como saídas de ar e encostos de cabeça ajustáveis na fileira traseira – o Jetta, surpreendentemente, traz encostos fixos e costurados.

O opcional com som Beats é outro elemento exclusivo do sedã compacto.

Banco traseiro do Virtus é menor, mas mais bem resolvido (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Jetta oferece mais espaço na fileira traseira, mas encostos de cabeça são imperdoavelmente costurados (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Mas esse sistema de áudio tem seu ônus. O subwoofer rouba um bom pedaço do volume do porta-malas.

A Volkswagen afirma que o bagageiro do Virtus GTS tem a mesma capacidade das demais versões, 521 litros, tratando o reposicionamento da divisória para o estepe como um “ajuste variável de espaço”.

Na prática, não há como configurar a altura dessa divisória sem tirar o subwoofer, o que significa que os 510 l do Jetta acabam se mostrando mais realistas e generosos.

Só o Virtus GTS pode trazer sistema de som Beats (opcional) (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Só o Jetta, por sua vez, pode vir com teto solar (também opcionalmente) (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Por ser um projeto de custo menor e produzido localmente, o Virtus GTS tem uma cesta de peças mais comedida. Tirando os faróis full-led, herdados do Polo GTi europeu, os demais itens são todos mais em conta que os do Jetta, modelo importado do México.

Amortecedores, pastilhas de freio, para-brisa e lanternas traseiras do sedã médio custam quase ou mais que o dobro do preço do compacto.

Já o retrovisor é mais de cinco vezes mais caro. Se serve de consolo, a cotação de seguro do Jetta é bem mais barata, (provavelmente porque, na versão GTS, o Virtus é visto como um carro com maior probabilidade de se envolver em acidentes). Além disso, curiosamente a VW subsidia as três primeiras revisões do Jetta, mas não as do Virtus GTS.

Na teoria, Virtus GTS tem porta-malas maior, mas a presença de um subwoofer elimina boa parte do espaço. Pelo menos a redinha vem de brinde (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Na prática, o bagageiro do Jetta é mais generoso (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Enfim, o Virtus GTS diverte mais ao volante, mas, para quem procura puramente por esportividade, já existe o Polo GTS, com carroceria hatch.

Os principais predicados de um sedã – espaço, conforto e porta-malas – são supridos com mais eficácia pelo Jetta, abdicando muito pouco do desempenho e com custos de aquisição e manutenção um pouco maiores, mas não inacessíveis para quem está disposto a gastar mais de R$ 100.000 em um automóvel.

Este é o motor 1.4 turbo flex aplicado ao Virtus GTS (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Este é o motor 1.4 turbo flex aplicado ao Jetta Comfortline. Consegue distinguir as diferenças? (Fernando Pires/Quatro Rodas)

O Virtus diverte mais, mas o Jetta é mais equilibrado e coerente com sua proposta. Mesmo com o recente aumento de R$ 5.000, a diferença de preço ainda é pouca para o salto de qualidade proporcionado pelo Jetta Comfortline.

Aceleração
0 a 100 km/h: 9,1 s
0 a 1.000 m: 30 s – 177,4 km/h
Velocidade máxima: 210 km/h*

Retomada (em D)
40 a 80 km/h: 4,09 s
60 a 100 km/h: 4,85 s
80 a 120 km/h: 5,96 s

Frenagens
60/80/120 km/h – 0 m: 14/25,7/57,2 m

Consumo
Urbano: 11,7 km/l
Rodoviário: 17,4 km/l

Seu bolso
Cotação de seguro: R$ 3.824,97
Cesta de peças: R$ 7.930,92**

Aceleração
0 a 100 km/h: 9,3 s
0 a 1.000 m: 30,2 s – 176,6 km/h
Velocidade máxima: 210 km/h*

Retomada (em D)
D 40 a 80 km/h: 3,98 s
D 60 a 100 km/h: 5,03 s
D 80 a 120 km/h: 6,47 s

Frenagens
60/80/120 km/h – 0 m: 14,6/26/59,6 m

Consumo
Urbano: 12,7 km/l
Rodoviário: 17 km/l

Seu bolso
Cotação de seguro: R$ 2.124,50
Cesta de peças: R$ 9.688,73**

*Dado de fábrica
**Cotação sem para-choque dianteiro

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

07 JUN

Brasil deve deixar de exportar 240 mil carros para a Argentina em 2019

Diante da crise na Argentina, o Brasil deve deixar de exportar 240 mil veículos para o país em 2019, estima a associação das fabricantes, a Anfavea. Os “hermanos” são os maiores clientes da indústria nacional, e o número representa 7,6% da previsão de produção para o ano, de 3,14 milhões de veículos, feita pela própria Anfavea, no início de 2019. O mercado automotivo da Argentina tem apresentado queda considerável no número de emplacamentos. Em maio, de acordo... Leia mais
06 JUN

Fiat Toro ganha para-choque com aplique que simula um facelift

A dianteira concentra a única mudança visual da Toro 2020 (Divulgação/Fiat)Três anos após ter sido lançada, a Fiat Toro acaba de ganhar sua primeira modificação estética. Mas não é a esperada reestilização visual que incluirá a nova família de motores 1.3 Firefly turbo.Na verdade, a atualização da linha 2020 da picape é tão discreta que pode, em teoria, ser aplicada a qualquer unidade da Toro – ainda que a Fiat negue essa possibilidade.À esquerda, a Toro antiga, e, à... Leia mais
06 JUN

Chevrolet Prisma 'brasileiro' tem interior revelado em carro de testes

A Chevrolet já confirmou que a nova geração do Prisma (ou Onix Sedan) estreia ainda em 2019 no Brasil. Com o lançamento cada vez mais próximo, os testes finais do sedã se intensificam e, com eles, partes do modelo começam a ser reveladas. Viu carro não lançado? Mande foto ou vídeo para o VC no G1 ou pelo Whatsapp/Viber, no telefone (11) 94200-4444, usando a hashtag #g1carros Desta vez foi a cabine do modelo. As fotos feitas pelo leitor Lucas Franca de Oliveira deixam a... Leia mais
06 JUN

Fiat Toro 2020 chega com mais equipamentos e visual levemente retocado

A Fiat anunciou nesta quinta-feira (6) a linha 2020 da Toro, a segunda picape mais vendida do país. As novidades são discretas, e incluem uma nova versão de entrada, mais equipamentos e um leve retoque no visual da dianteira. Os preços não foram divulgados. A única alteração do desenho é a inclusão de um quebra-mato integrado ao para-choque dianteiro. Na gama de versões, há uma nova configuração de entrada, Endurance, que pode ser equipada com motor 1.8 flex de... Leia mais
06 JUN

Prefeita de Paris proíbe estacionar patinetes elétricos em calçadas

A prefeita socialista de Paris, Anne Hidalgo, anunciou nesta quinta-feira (6) a proibição de estacionar patinetes elétricos nas calçadas e pediu aos operadores do veículo que limitassem a velocidade dessas máquinas, que estão se multiplicando no espaço público da capital francesa. As patinetes elétricas agora "terão que ser deixadas obrigatoriamente em estacionamentos específicos de vias utilizadas por veículos motorizados de duas rodas e carros", precisou Hidalgo durante... Leia mais
06 JUN

Produção de veículos cresce 29,9% em maio, diz Anfavea

A produção de veículos no Brasil cresceu 29,9% em relação ao mesmo mês de 2018, segundo os resultados divulgados nesta quinta-feira (6) pela associação das fabricantes, a Anfavea. Quando comparado ao mês anterior, abril, o crescimento foi de 3,1%. Durante o último mês, foram produzidos 275,7 mil carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, contra 267,6 mil de abril. Em maio de 2018 foram 212,3 mil. "Parte desse crescimento [da produção] foi porque a base de maio... Leia mais