Novidades

11 FEV
O misterioso Daihatsu que quase virou o primeiro carro 100% nacional

O misterioso Daihatsu que quase virou o primeiro carro 100% nacional

Mini-Puma chegou a ser apresentado a membros do governo (Carlos Namba/Quatro Rodas)

Talvez você lembre da Puma como fabricante de alguns dos principais esportivos já feitos nos Brasil durante o período de importações limitadas. Mas sabia que ela quase fez – duas vezes! – um hatch compacto que poderia ter mudado a história da empresa, falida em 1985?

Na primeira tentativa, que começou em 1970, o Projeto W chegou a ficar dois anos parado no papel. Só que a Puma fez uma verdadeira força-tarefa para criar o primeiro protótipo do Mini-Puma a tempo para o Salão do Automóvel de 1974: 35 pessoas trabalhavam dez horas por dia.

Projeto do subcompacto começou a ser desenvolvido em 1970 (Acervo/Quatro Rodas)

Em quatro meses, a empresa deixou de produzir cinco unidades do GTB, esportivo com motor de Opala que era o principal destaque da marca, empregou 500 fornecedores e gastou pelo menos Cr$ 578.000, valor equivalente a R$ 2.136.645, na correção pelo índice IGP-DI.

Apesar da carroceria monovolume com espaço para apenas dois ocupantes – segundo a Puma, no uso urbano, boa parte dos carros levava apenas o motorista –, o subcompacto também era revolucionário pelo motor 2-cilindros DAF, de origem holandesa, capaz de fazer 20 km/l.

Primeiro conceito do hatch foi construído em apenas quatro meses (Acervo/Quatro Rodas)

A novidade deveria custar apenas Cr$ 15.000, contra Cr$ 22.577 pedidos pelo VW Fusca 1.300 e Cr$ 29.090 do Chevrolet Chevette em 1974. Já havia até mesmo um empréstimo estrangeiro, que só dependia do Banco do Brasil para ser concretizado, para dar início à produção.

Não é nenhum spoiler dizer que esse carro não deu certo e, com isso, o primeiro modelo 100% nacional só chegou às ruas em 1988: era o Gurgel BR-800. Só que, antes do hatch desenvolvido pelo engenheiro João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, a Puma fez outra tentativa.

Modelo japonês serviria de base para versão nacional feita de fibra de vidro (Acervo/Quatro Rodas)

Em 1982, anos após a primeira frustração, a empresa com sede no bairro do Ipiranga, em São Paulo, buscou um parceiro fora do país para tentar tornar realidade o plano de um compacto. E quem entrou nessa jogada foram os japoneses da Daihatsu, com o pequeno Cuore.

Com apenas 3,19 m de comprimento, o modelo asiático era menor que Fiat 147 e VW Gol, que mediam 3,74 m e 3,79 m, respectivamente.  O motor bicilíndrico com 547 cm³ rendia só 35 cv de potência e 4 mkgf de torque, mas garantia médias de até 22 km/l ao carro de 535 kg.

Motor de apenas 35 cv seria capaz de médias de até 22 km/l (Acervo/Quatro Rodas)

Segundo reportagem da época, o Cuore poderia chegar até os 120 km/h, só que a velocidade ideal para melhorar o consumo era até 90 km/h – atual limite das marginais em São Paulo, por exemplo. Visual moderno, amplo espaço interno e bancos reclináveis chamavam as atenções.

As previsões eram ambiciosas: inaugurar uma nova fábrica em Capivari (SP), já que a unidade original sofria com constantes alagamentos, e até mesmo exportar o veículo feito no Brasil – já que os EUA tinham medidas protecionistas para evitar a importação de veículos do Japão.

O Cuore era ainda menor que o Fiat 147 (Daihatsu/Divulgação)

O hatch chegou a ser flagrado pela QUATRO RODAS em frente ao Palácio do Planalto, quando executivos da Puma foram visitar membros do governo em busca de incentivos. A carroceria de metal do Cuore daria lugar à fibra de vidro, com início da produção previsto para 1984.

Naquele momento, a situação financeira da empresa já estava comprometida – o que também foi decisivo para as negativas do Estado ao projeto. Apenas três anos após a ida a Brasília (DF), foi decretado o fim da Puma e, junto com ele, o plano de um compacto popular nacional.

Modernidade do projeto impressionava à época (Daihatsu/Divulgação)

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

09 AGO

As dez vezes em que o Longa Duração acabou antes da hora

O Longa Duração é uma das seções mais antigas e conhecidas de QUATRO RODAS.O teste, que não é feito por nenhuma outra revista do mundo, envolve a compra (de forma anônima) de um automóvel, a rodagem prolongada dele e seu posterior desmonte para avaliação.Só que nem sempre conseguimos chegar à quilometragem final – atualmente vamos até os 60 mil km. Relembramos dez oportunidades em que alguns carros da nossa frota se transformaram em “curta duração”.O Voyage terminou o... Leia mais
09 AGO

Suzuki, Yamaha e Mazda admitem irregularidades em testes de emissões no Japão

As montadoras Mazda, Suzuki e Yamaha fizeram testes irregulares de veículos para consumo de combustível e emissões poluentes, disse o governo japonês nesta quinta-feira (9), revelando novos casos de falhas de conformidade por parte dos fabricantes. Os resultados vieram à tona depois que o governo ordenou às montadoras que checassem suas operações após revelações de testes inadequados na Subaru e na Nissan no ano passado. A conduta das montadoras em todo o mundo vem sendo... Leia mais
09 AGO

Símbolo cult, Mustang chega aos 10 milhões de exemplares vendidos

O Mustang, carro cult e símbolo da cultura americana, chegou aos 10 milhões de exemplares vendidos nesta quarta-feira (8), o que motivou uma grande festa na sede da Ford, em Michigan. As comemorações ocorrem em um momento-chave para a Ford, quando as vendas do Mustang caem nos Estados Unidos, mas crescem no exterior, em mercados como China e Alemanha. Para comemorar este marco na história do carro que tem o nome dos cavalos selvagens do oeste dos EUA, a Ford recorreu à... Leia mais
08 AGO

Como funciona o câmbio CVT

Muita gente se sente desconfortável quando o assunto é transmissão. São vários modelos de câmbios com princípios de funcionamento diferentes. Temos: transmissões mecânicasautomatizadas de primeira geração (uma embreagem)automatizadas de segunda geração (duas embreagens)transmissões automáticastransmissões CVT, de primeira e segunda geração. A competição acirrada está entre o câmbio automático, o automatizado de dupla embreagem e o câmbio CVT. Considerado... Leia mais
08 AGO

Renault Captur e Ford Ka: os brasileiros preferem o motorzinho

No Renault Captur, o motor 2.0 16V de 148 cv, disponível em três versões, responde por apenas 4% das vendas – os outros 96% correspondem ao motor 1.6 (Divulgação/Renault)É comum que um mesmo modelo seja vendido com diferentes tipos de motor. Mas nem sempre o consumidor dá atenção a todas as opções. Levantamento feito pela consultoria Jato Brasil a pedido da QUATRO RODAS revela os motores preferidos em alguns carros no primeiro semestre de 2018.No Renault Captur, o motor 2.0 16V... Leia mais
08 AGO

Jaguar I-Pace, o SUV elétrico com autonomia de carro convencional

A grade frontal fechada ajudou a manter o Cx em bons 0,29 (David Shepherd/Jaguar)Quase todos os fantasmas que o carro elétrico precisa enfrentar envolvem suas baterias. Sua produção é poluente e cara, e elas ainda restringem a autonomia do veículo.Enquanto isso não se resolve, a Jaguar solucionou parte desses limitantes no I-Pace, modelo que chega ao Brasil no fim do ano, com a força bruta: lotando o assoalho com 432 células de íon-lítio, suficientes para dar um alcance ao modelo de... Leia mais