Novidades

11 OUT
Jeremy Clarkson: 488 Pista faz engolir promessa de nunca mais ter Ferrari

Jeremy Clarkson: 488 Pista faz engolir promessa de nunca mais ter Ferrari

É duro admitir, mas esta Ferrari 488 não é ótima, é soberba! (Acervo/Quatro Rodas)

Eu já tive uma Ferrari. Estava fazendo um programa de TV sobre a Itália e achei que, para trazer algum espetáculo e barulho ao desfile interminável de comidas e ternos, seria uma boa coisa andar em algo chamado de F355.

Já tinha dirigido uma Ferrari antes, é claro. Na verdade, duas: Mondial e 348 GTB. E eu as elogiei, escrevendo com uma mistura de admiração e adulação.

Mas a verdade é que não gostei muito delas. Porque a Mondial foi a pior e mais feia Ferrari já feita e a 348 tinha pneus que pareciam de madeira.

Quando dirigia os carros devagar, eles eram abafados e difíceis de guiar, e, quando andava em alta velocidade, eles eram abafados, difíceis de guiar e assustadores.

Por ter na época pouca experiência em automóveis rápidos e exóticos, pensei que estava deixando passar alguma coisa.

Era como alguém com licença de piloto particular ter a chance de pilotar um caça SR-71 Blackbird. Mesmo que ache a experiência horrível, ele nunca vai dizer isso quando sair da cabine.

Bem, em função disso eu não estava esperando muito da F355. Ela se parecia bastante com a 348 e na época eu não entendia de verdade por que ter cinco válvulas em cada um dos oito cilindros faria diferença.

Para ser honesto, eu nem sabia o que eram válvulas. Ou cilindros.

Mas, meu Deus! Essa Ferrari abriu meus olhos para um mundo que eu nem sequer sabia que existia.

Um mundo borrado. Um mundo de força g e sensações curiosas nas partes íntimas do meu corpo. “Uau!”, gritei para a câmera.

“Este carro tem cinco válvulas por cilindro!” E daí pausei, baixei o tom um pouquinho e gritei: “E você pode perceber”.

Depois voltei ao Reino Unido meio triste. Porque eu precisava ter uma F355. Era como eu imaginava que os carros seriam quando eu era jovem. Cheios de fogo e enxofre. Conectados diretamente aos órgãos sexuais do motorista.

O problema é que ela custava 90.000 libras (R$ 430.000), o que estava fora do meu orçamento. Por isso decidi que, para começar, compraria uma 328 usada. Eu fiz toda a pesquisa e me dirigi à loja da Ferrari. E eu não coube no carro.

O vendedor disse que podia tirar os trilhos e parafusar o banco no assoalho, mas minha esposa, 90 cm mais baixa do que eu, achou que era uma má ideia. Então olhamos um para o outro e então para a F355 e estava resolvido.

Desde aquele tempo, muitas coisas aconteceram. Eu superei a fase de supercarros com motor central e a Ferrari se tornou tão cheia de si que prefere que os clientes cheguem ao showroom perto da rotatória em um superiate, por um canal escavado por um exército de eunucos.

E é por isso que comprei um Lamborghini Gallardo e depois um Ford GT. E é também por isso que, se eu quisesse ter hoje um supercarro com motor central, compraria um McLaren.

E é igualmente por isso que, quando escrevo um artigo sobre Ferrari, agora eu quero dizer que ela é horrível, só para encher o saco da empresa.

E tudo isso me leva à edição limitada 488 Pista, que é um nome estúpido. Pela implicação do termo “pista”. Parece que esse carro é para alguém que possui sua própria pista de corrida, possivelmente no Catar.

Como é projetada para as pistas, ela é equipada com cintos de segurança de quatro pontos que impedem que você se incline para a frente para ver o que está vindo em cruzamentos, e não tem GPS, seu ar-condicionado é meio fraco e vem com pouquíssimo isolamento acústico. Tudo isso para reduzir o peso.

A Pista é um dos carros mais lindos e prazerosos já feitos (Acervo/Quatro Rodas)

E a Ferrari continua a fazer com que os controles sejam quase impossíveis de usar, ao pôr a maioria no volante. O que significa que eles nunca estão onde você os deixou.

E então tem o preço, mais de 250.000 libras (R$ 1,2 milhão). E some a isso outras 250.000 libras para colocar alguns opcionais, como bancos, janelas e carpetes. E mais 250.000 para transportá-la todo verão do Oriente Médio para Londres.

Então, ela é absurdamente cara, mal equipada, feita por uma empresa que te detesta e vem com cintos de segurança que fazem com que em qualquer cruzamento você reze um rosário e torça para o melhor.

Até agora tudo bem, pois a Ferrari ficará muito P da vida, e isso me deixa contente. No entanto, apesar de todos os problemas, a Pista é um dos carros mais empolgantes, emocionantes, lindos e prazerosos já feitos.

Ela faz com que todos os outros carros pareçam ter sido feitos de musgo e casca de árvore. Ela é soberba.

Houve um tempo em que qualquer carro, mesmo uma Ferrari, tinha dificuldade de lidar com 720 cv. A traseira dançava para todos os lados e você nunca podia pisar fundo no acelerador, em qualquer marcha, por mais de 1 ou 2 segundos.

Mas a Pista não é assim. Para o motor passar a sensação de aspirado, em vez de turbo, o torque é limitado nas seis primeiras marchas. Por isso, você não tem aquela loucura de rodas patinando.

O que significa que você não tem o terror. Este é um carro que você pode pilotar rápido. Que você vai querer pilotar rápido.

E então há a dirigibilidade, que é impecável. Você se descobre fazendo curvas em velocidades ridiculamente altas e não escuta nem um pio de protesto dos pneus. Ou do seu passageiro, porque tudo passa a sensação de total controle.

Você poderia imaginar que, para se chegar a isso, a suspensão é mais dura do que o coração de um comunista. Mas não! Coloque no ajuste de “estrada esburacada” e ela navega sobre as irregularidades.

É a mesma história com o som do motor. Ele não é particularmente empolgante, mas, mesmo com pouco material fonoabsorvente sob o carpete, não é ruim. E o carro até tem um porta-malas surpreendentemente grande.

Depois de alguns dias, eu comecei a questionar a promessa que tinha feito de nunca mais comprar outro carro de motor central. E certamente de não comprar uma Ferrari. Porque a Pista não é apenas ótima. Ou sensacional. É muito além disso.

E tudo isso é uma notícia muito ruim para o meu colega James May. Ele comprou a antecessora da Pista, a 458 Speciale, como um investimento.

E, agora, de uma pancada só, o novo modelo a tornou sem valor. Acho que o coitado vai ter de mandá-la para o ferro-velho.

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

25 MAI

Com paralisação dos caminhoneiros, Hyundai e Caterpillar suspendem produção nas unidades de Piracicaba

As unidades da Hyundai e da Caterpillar localizadas em Piracicaba (SP) comunicaram nesta sexta-feira (25) que a greve dos caminhoneiros teve reflexos em suas produções. A Hyundai informou que interrompeu as operações ao final da tarde e que as atividades retornam na segunda-feira (28). Segundo a assessoria de imprensa da montadora sul-coreana, o segundo e o terceiro turnos foram suspensos nesta sexta. O segundo turno começa às 15h43 e encerra 1h04, enquanto o terceiro segue de 0h59... Leia mais
25 MAI

Os dez carros mais baratos do Brasil

– (Arte/Quatro Rodas)Comprar um carro zero km com menos de R$ 45 mil é um desafio, mas ainda é possível. Reunimos aqui as versões de entrada dos dez carros mais baratos do Brasil.Vale um spoiler: nem todos são carros 1.0 peladões.Chery QQ Smile é o carro mais barato do Brasil (Divulgação/Chery)Apesar de aumento recente, a versão de entrada do Chery QQ ainda detém o posto de carro mais barato do Brasil.Para isso, tem apenas o trivial: há vidros elétricos dianteiros, Isofix,... Leia mais
25 MAI

Fiat Chrysler convoca recall de mais de 5 milhões de carros nos EUA e Canadá

A Fiat Chrysler anunciou nesta sexta-feira (25) um recall de 4,8 milhões de carros nos Estados Unidos e mais 490 mil no Canadá para consertar um defeito no controle de velocidade cruzeiro ("cruise control", em inglês), que mantém a velocidade constante e pode frear automaticamente. A empresa afirmou que ainda está verificando a presença de veículos envolvidos no Brasil. O chamado inclui os modelos Jeep Grand Cherokee (2014-18), Jeep Cherokee (2014-18), Jeep Wrangler (2018), as... Leia mais
25 MAI

MAIO AMARELO: a equipe de QUATRO RODAS foi para a rua

QUATRO RODAS faz ação na rua pela campanha do Maio Amarelo (Fernando Pires/Quatro Rodas)A equipe de QUATRO RODAS foi às ruas para apoiar o movimento Maio Amarelo e conscientizar motoristas e pedestres sobre a importância da segurança no trânsito.Em ação na avenida Paulista, em São Paulo, os jornalistas que fazem a QUATRO RODAS distribuíram panfletos e exibiram uma faixa para chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito em todo o mundo.Da... Leia mais
25 MAI

Veículos elétricos podem criar crise de cobalto em meados de 2020

A crescente popularidade dos veículos elétricos pode criar uma crise de fornecimento de cobalto no início dos anos 2020, dizem especialistas, acrescentando que pequenos operadores tentando iniciar minas fora da África podem ter um papel maior para atender a demanda pelo metal usado em baterias recarregáveis. A República Democrática do Congo produz quase dois terços do cobalto mundial como subproduto de suas minas de cobre e está adotando uma postura cada vez mais conflituosa em... Leia mais
25 MAI

Tudo o que já sabemos sobre o Citroën C4 Cactus nacional

Design externo da versão nacional é idêntico ao modelo europeu (Divulgação/Citroën)O Groupe PSA aposta forte no segmento de SUVs para elevar suas vendas – e participação de mercado – no Brasil.Depois da chegada de uma nova versão do Peugeot 3008 e do 5008, a fabricante francesa concentra seus esforços no inédito C4 Cactus nacional.O SUV está previsto para chegar somente em setembro, mas QUATRO RODAS teve acesso antecipado ao modelo e conta tudo o que já se sabe sobre ele.A... Leia mais