Novidades

23 AGO
Jeremy Clarkson: Volvo XC40 é o SUV seguro que morreu de chato

Jeremy Clarkson: Volvo XC40 é o SUV seguro que morreu de chato

É quase impossível sofrer um acidente em um Volvo XC40 (Acervo/Quatro Rodas)

Há algumas semanas não pude deixar de notar numa noite que havia no estacionamento um Volvo XC40 novo com o motor ligado.

Ninguém estava nele e também não havia ninguém por perto, por isso, quando cheguei lá, perguntei de quem era.

“Meu”, disse uma amiga. “Eu o peguei ontem.” Eu então expliquei que o motor estava ligado. “Eu sei”, falou ela. “Não consegui descobrir como desligá-lo.”

Soube que ela tinha tirado o carro da concessionária, dirigido até sua casa, mas não sabia que é preciso colocar a alavanca de câmbio em Park para que o motor desligue.

Então ela o deixou ligado, entrou em casa, jantou, foi dormir e, na manhã seguinte, usou o carro para ir até um torneio de tênis. Na cabeça dela, o carro tinha sido projetado para o motor ficar sempre ligado.

O que levanta uma pergunta: para que avaliar carros para pessoas que acham que o motor deve ficar ligado por toda a vida útil do veículo?

Mais do que isso: em um mundo em que meninas suecas podem ditar a política do governo para energia nuclear, indústria e agricultura, para que fazer qualquer análise de carro?

Eu vejo toda semana a venerável revista Autocar publicando testes de 3.000 palavras sobre um Renault Dingleberry qualquer e fico pensando: por quê?

Ele fala sobre a banda de rodagem dos pneus, como o carro sai de traseira e como a direção reage às manobras, mesmo que o consumidor moderno não saiba sequer como desligar um motor.

No passado, quando automóveis eram trazidos à existência pela mente aventureira de um louco e as tais “estradas abertas” realmente existiam, fazia sentido realizar testes de carros, porque um Jaguar e um Rover eram bem diferentes.

As empresas faziam experiências com novos tipos de eixos, novas embreagens e novos freios. Era tudo cheio de vida e empolgante, e não havia vans com radares de velocidade móveis.

Isso não existe mais. Sob a carroceria, é quase certo que seu carro seja praticamente idêntico ao do vizinho. Eles foram todos apertados, esmagados e martelados até a uniformidade por normas de segurança e regulamentações de emissões.

E os jovens não querem dirigir carro nenhum, pois carros são caros para comprar, andar, estacionar e fazer manutenção, e é mais fácil usar um transporte público que tenha Wi-Fi. Mas a Autocar continua a fazer testes nas curvas das estradas do País de Gales achando que todos gostariam de ter um Datsun 240Z.

Como o Volvo XC40 se comporta em um campo de provas é pouco relevante porque ele está sendo comprado por pessoas que – vou repetir – não sabem desligar o motor.

Escolha sempre o 4×2. Se precisar de um 4×4, compre o Evoque (Acervo/Quatro Rodas)

Se eu fosse comprar um SUV como esse Volvo, seria um Range Rover Evoque, pois experimentei a nova versão – tentando ser compreensível a uma audiência mais interessada em couve e fones de ouvido – e tenho de dizer que gostei, especialmente dos bancos, revestidos de tecido.

Não sei por que bancos de couro são vistos como item de luxo. A rainha Elizabeth não se senta em móveis de couro, porque são quentes demais num dia quente e frios demais quando faz frio. Sim, couro é mais fácil de limpar, mas qual foi a última vez que você teve um “acidente”’ nas calças enquanto dirigia?

A outra razão pela qual gostei do Evoque é porque eu gosto dos Range Rover. Eles são elegantes e, por trás das telas de vidro e dos elogios nos bairros chiques, eles realmente funcionam quando estão enfiados no barro até a altura da maçaneta.

Mas estou ciente de que muitas pessoas não gostam dos Range Rover. Elas contam piadas sobre porcos-espinhos e dizem que são carros de traficantes de drogas. Se a marca for comprada pelos franceses, uma possibilidade enquanto escrevo esta coluna, será outra fonte de gozação aqui no Reino Unido.

Porém, se você quisesse um SUV médio até pouco tempo atrás, não teria outra opção. Ou melhor dizendo: havia centenas de opções, mas todas elas eram porcarias. Pouco ousados, deselegantes, grandes demais, caros demais, inúteis fora da estrada e sem graça nela.

Mas, nos últimos anos, essas alternativas começaram a ficar bem legais. É nessa categoria que o Volvo XC40 se destaca. É um carro muito bonito, confortável e bem equipado, com uma tela legal, Apple CarPlay e som Harman Kardon como opcionais.

E tem também aquele bom senso típico de um Volvo, mesmo que o carro seja construído na Bélgica, por uma montadora chinesa.

Há não muito tempo, a Volvo disse que todos os seus modelos teriam motores diesel, mas daí veio aquela eco-meia-volta que fez com que esses veículos deixassem de ser atraentes. Então agora a Volvo está querendo se garantir, e  o XC40 tem hoje várias opções de motores, com versões elétricas e híbridas em breve.

Você também pode ter câmbio manual ou automático e tração 4×2 e 4×4. Fique com o 4×2, porque se deseja que todas as rodas tracionem, está precisando mesmo é de um Evoque.

A não ser que não esteja interessado em se manter vivo. Não estou dizendo que o Range Rover não seja seguro. Tenho certeza de que é, mas o Volvo parece estar em outro nível. Veja assim: em 15 anos, o número de pessoas mortas em um XC90, modelo muito vendido, foi de… zero.

E seu irmão menor está tão recheado de recursos de segurança que acho que você correria mais riscos em um jogo de bocha. Ele analisa a estrada à frente em busca de obstáculos e, se você não agir depois de alertado, ele aciona os freios por você.

A direção ignora seus movimentos e assume o controle se achar que você sairá da estrada. E se isso vier a acontecer, os cintos de segurança se apertam e a estrutura do banco se recolhe, para tornar o impacto mais suave se você bater em uma árvore.

E essa é só a ponta da declaração de missão da Volvo, que é a de que até o ano que vem ninguém no mundo seja morto ou ferido seriamente enquanto estiver em um Volvo. É um objetivo auspicioso.

Dirigibilidade? Velocidade? Consumo de combustível? Sim, ele é relativamente bom em todas essas coisas, mas no mundo dos testes de SUVs isso não importa. O que importa é o nível absoluto de segurança para pessoas que não sabem desligar o motor.

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

21 ABR

Pena maior ao motorista embriagado, colecionador de caminhões e mais destaques da semana de carros e motos

Confira os destaques de 14 a 20 de abril em carros e motos: Pena maior para motorista bêbado Bafômetro acusa concentração de 0,81 mg de álcool por litro de ar expelido, após teste de motorista preso após manobra brusca perto de policiais rodoviários federais, em Abadiânia, no centro de Goiás, nesta sexta-feira (30) (Foto: Polícia Rodoviária Federal/Divulgação) Desde a última quinta-feira (19) a pena para motorista embriagado que causar... Leia mais
05 MAR

Clássicos: o popular VW Gol 1000

O Gol popular tinha piscas sempre na cor âmbar  (Christian Castanho/Quatro Rodas) O VW Gol era o carro mais querido do Brasil no final dos anos 80. A liderança absoluta do mercado a partir de 1987 coincidiu com a apresentação da versão esportiva GTS, seguida do desejado GTi, em 1988. Mesmo as versões comuns CL e GL eram muito apreciadas pela dirigibilidade agradável e pela fama de inquebrável. Mas uma nova ameaça surgiu em agosto de 1990: o Fiat... Leia mais
05 MAR

Longa Duração: nosso Renault Kwid demorou, mas chegou

Kwid Intense: estaremos juntos por 60.000 km (Christian Castanho/Quatro Rodas) Desde a chegada do Hyundai HB20, em 2012, o mercado não manifestava tanto interesse por um automóvel. Tanta euforia foi repetida no ano passado, agora pelo Renault Kwid. Falou-se por meses sobre o subcompacto de baixo custo que chegaria ao Brasil. E olha que alguns meses antes veio a notícia do fraco desempenho em testes de segurança com uma unidade produzida na Índia. Em... Leia mais
05 MAR

Teste: Honda City ganha mudanças, mas continua sem o ESP

Grade, faróis e para-choque redesenhados  (Léo Sposito/Quatro Rodas) Sabendo da renovação do segmento de sedãs médio-compactos, com a chegada de Fiat Cronos e VW Virtus, a Honda tratou de atualizar o City. A mexida no visual foi discreta. E seu ponto fraco continua inalterado: não foi desta vez que o City ganhou o controle de estabilidade (ESP) – e nem como opcional. Esse recurso está disponível nos novos rivais e até em modelos de segmentos... Leia mais
05 MAR

Gol e Voyage perdem versões após chegadas de Polo e Virtus

O Gol foi mais um modelo da Volkswagen que perdeu versões após os últimos lançamentos (Divulgação/Volkswagen) A Volkswagen segue reposicionando os seus modelos mais antigos após as chegadas dos lançamentos. Desta vez, a marca deixou de oferecer as versões mais caras do Gol e do Voyage. O motivo são os novos Polo e Virtus, que passaram a ter preços próximos aos veteranos. O hatch, após receber o primeiro aumento desde o lançamento, é oferecido... Leia mais
05 MAR

Preços do Renault Kwid sobem e passam dos R$ 30 mil

Versão de entrada do Kwid fez voto de pobreza, mas garante quatro airbags (Divulgação/Renault) Menos de quatro meses após o primeiro aumento, a Renault reajustou novamente os preços do Kwid. A diferença, agora, é que o preço da versão inicial Life também aumentou, ultrapassando pela primeira vez a barreira dos R$ 30 mil. O aumento médio dos preços foi de R$ 500, mas o maior reajuste foi justamente para a versão Life, que não teve adição de... Leia mais