Novidades

04 JUL

Anfavea reconhece ameaça de carros da UE à indústria brasileira e convoca 'corrida contra o tempo' por competitividade

A associação das montadoras (Anfavea) reconheceu nesta quinta-feira (4) que o fim do imposto de importação para carros feitos na União Europeia é uma ameaça à indústria automotiva brasileira e convocou uma "corrida contra o tempo" por competitividade.

A eliminação da tarifa está prevista no recém-anunciado acordo entre o bloco e os países do Mercosul, que ainda não tem data para começar a valer -- para a Anfavea, isso deve demorar 2 anos.

Quando ele entrar em vigor, os veículos europeus terão tarifa reduzida gradualmente, até ela ser eliminada, dentro de 15 anos (veja mais ao fim da reportagem).

O novo presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, disse que agora a indústria nacional tem um prazo para buscar mais competitividade, referindo-se ao tempo até que o imposto para a UE seja zerado.

"O (eventual) aumento da importação é uma ameaça, mas a gente tem que atacar isso", afirmou Moraes. "Atacar a competitividade torna-se (algo) para ontem."

Por competitividade, entende-se custo de produção de um carro no país.

A Anfavea não diz não ter calculado o quão mais caro é fazer um automóvel no Brasil, mas divulgou, no começo do ano, um estudo comparando a indústria local com a mexicana, uma das que mais exportam.

De acordo com o levantamento, produzir um carro no México custa 18% menos do que no Brasil, sendo as principais diferenças em (gastos com) materiais e logística. "O 'gap' (diferença) em relação à União Europeia certamente é muito maior", afirmou Moraes.

Segundo o executivo, o Brasil precisa ser mais competitivo não só por conta do acordo com a UE, mas porque outros pactos serão acertados.

"Vem (acordo) com Japão, Canadá e Coreia do Sul", adiantou.

Ainda nesta quarta, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, disse que discute com o Brasil um acordo de livre comércio com os Estados Unidos.

Considerando a chance de exportar mais, o presidente da Anfavea entende que não é o caso de a indústria local se equiparar aos europeus em todos os produtos, mas "focar no que a gente pode ser melhor".

Como exemplo, Moraes citou a possibilidade de produzir e vender ao exterior carros híbridos que aceitem gasolina e etanol, uma novidade já anunciada pela Toyota para o mercado nacional.

Mesmo tendo reconhecido desafios para as montadoras, o executivo comemorou o acordo como um todo: "Agora estamos na Champions League (Liga dos Campeões, o maior torneio do futebol europeu)".

E destacou que a indústria automotiva também poderá ser beneficiada por medidas ligadas a outros setores, como o agronegócio.

O Brasil exporta para a UE?

O presidente da Anfavea informou que o novo acordo também prevê redução de tarifas pelo bloco europeu para carros fabricados no Mercosul, contrapartida que não fica clara nos textos preliminares divulgados até agora pelo governo e a União Europeia.

Esses princípios ainda serão revisados e o texto final do pacto terá de ser aprovado pelo Parlamento Europeu e os congressos de todos os países do bloco sul-americano.

"As UE vai reduzir tarifas de importação (para carros do Mercosul) em até 90% em 10 anos", afirmou Moraes.

Mas a exportação para a Europa ainda é baixa. Segundo a associação, o Brasil vendeu cerca de 2 mil veículos para o bloco no ano passado, a maioria carros. O montante é pouco perto dos 630 mil exportados ao longo de 2018, a grande maioria para a Argentina.

De acordo com dados do antigo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), em termos de valores, ao todo, foram vendidos US$ 5,1 bilhões em carros para o exterior no ano passado.

Desse montante, pouco mais de US$ 13 milhões foram em exportações para a União Europeia, o que representa menos de 0,3% do total.

Entre os países do bloco europeu, a Alemanha foi quem mais comprou carros brasileiros, ainda pelo ranking em valores. Foram US$ 4,8 milhões, em 2018. Em seguida ficaram Bélgica (US$ 4,5 milhões), França (US$ 1,1 milhão) e Itália (US$ 686 mil).

15% dos carros vêm da UE

A balança comercial entre União Europeia e Brasil, considerando a venda de carros, ainda é bem desequilibrada.

Tendo vendido cerca de US$ 13 milhões ao bloco europeu, o Brasil comprou US$ 661 milhões em automóveis da UE no ano passado, ainda segundo dados do governo federal.

O valor equivale a 15,6% do total de importações de carros, que foi de US$ 4,19 bilhões.

A maior parte dos modelos trazidos de fora do Brasil vem da Argentina, onde a maioria das grandes marcas têm fábrica, aproveitando a isenção da tarifa de importação e do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), vantagens que existem para comércio entre países do bloco sul-americano.

Entre os europeus, a Alemanha também foi quem mais exportou veículos para o Brasil no ano passado, ainda em termos de valores: US$ 253 milhões, ou pouco mais de 5% do total comercializado.

Em seguida, aparecem Reino Unido (US$ 131 milhões), França (US$ 86,4 milhões) e Suécia (US$ 48,9 milhões).

Redução gradual do imposto

A redução de imposto de importação do Mercosul para carros da União Europeia acontecerá de duas formas, segundo a Anfavea:

- primeiro, uma cota anual de 50 mil veículos (32 mil só para o Brasil) vai pagar metade da alíquota, que hoje é de 35%. Isso vale para os primeiros 7 anos do acordo;

- a partir do 8º ano, o imposto começa a cair para todos os carros da UE, gradualmente. As alíquotas devem ficar assim:

  • ano 8: 28,4%
  • ano 9: 21,7%
  • ano 10: 15%
  • ano 11: 12,5%
  • ano 12: 10%
  • ano 13: 7,5%
  • ano 14: 5%
  • ano 15%: 2,5%
  • ano 16: zero

Também haverá redução "linear" do imposto para autopeças, diz a associação, entre 10 e 15 anos.

Fonte: G1

Mais Novidades

22 SET
Volkswagen Golf 1.0 turbo: primeiras impressões

Volkswagen Golf 1.0 turbo: primeiras impressões

Qual o motor mais apropriado para um Volkswagen Golf? Aposto que nenhum dos palpites foi um "milzinho". Mas pode se acostumar com esta ideia, pois a marca alemã acaba de lançar no Brasil uma versão com motorização 1.0. Mas não se trata de um 1.0 convencional, como na maior parte dos modelos de entrada no Brasil. Neste caso, o propulsor de 1 litro é sobrealimentado com um turbocompressor. Ele estará disponível no início de outubro, na configuraçãoComfortline, apenas com câmbio... Leia mais
21 SET
Investidores pedem R$ 30 bilhões a Volkswagen por escândalo 'dieselgate'

Investidores pedem R$ 30 bilhões a Volkswagen por escândalo 'dieselgate'

Um grupo de investidores pediu € 8,2 bilhões (cerca de R$ 30 bilhões) de indenização ao grupo Volkswagen, informou nesta quarta-feira (21) o tribunal de Brunswick, na Alemanha. Os processos são consequência do escândalo dos motores a diesel com software adulterado, que completou 1 ano no último dia 18.  ESCÂNDALO NA VW Volkswagen é acusada de fraudar testesdescoberta e consequências'chefão' renuncianovo ceo assumerecall no brasil10 perguntas e respostas No total, 1.400... Leia mais
20 SET
Ford lança Fusion 2017 com novo visual e preços a partir de R$ 121.500

Ford lança Fusion 2017 com novo visual e preços a partir de R$ 121.500

A Ford lançou nesta terça-feira (20) a linha 2017 do Fusion, com mudanças estéticas. São quatro versões, sendo que a de entrada é a única que oferece o motor 2.5 flex de 175 cavalos. Ela sai por R$ 121,5 mil. Nas demais, o motor é o 2.0 Ecoboost, que ganhou 8 cv e agora entrega 248 cv. Os preços vão de R$ 125 mil a R$ 154 mil. A primeira reestilização desta geração do Fusion foi apresentada no Salão de Detroit, em janeiro. Ela traz faróis mais esguios, com uma grade mais... Leia mais
16 SET
Volkswagen retoma produção no Brasil após 1 mês de paralisação

Volkswagen retoma produção no Brasil após 1 mês de paralisação

A Volkswagen retomou na quinta-feira (16) a produção no Brasil, depois que a maioria dos seus 18 mil empregados no país ficaram afastados por cerca de 30 dias por causa de uma problema com fornecedores de peças.  + DE AUTOESPORTESiga o programa nas redes sociaisfacebook.com/autoesportetvtwitter.com/g1carrosconsulte a tabela fipecarros de a-zmotos Parte dos funcionários que estavam em férias coletivas voltaram ontem ao trabalho em Taubaté (SP), concentrando-se na montagem do... Leia mais
16 SET
VW diz que novo carro elétrico pode ser tão revolucionário quanto Fusca

VW diz que novo carro elétrico pode ser tão revolucionário quanto Fusca

A Volkswagen apresentará no Salão de Paris, no final de setembro, um carro conceito elétrico que promete marcar o início de uma "nova era" para a montadora, que ainda tenta minimizar os efeitos do escândalo de fraude nos motores a diesel.  + DE AUTOESPORTESiga o programa nas redes sociaisfacebook.com/autoesportetvtwitter.com/g1carrosconsulte a tabela fipecarros de a-zmotos A marca alemã divulgou nesta sexta-feira (16) algumas imagens de detalhes de seu primeiro modelo feito sobre... Leia mais
15 SET

Funcionários da Volkswagen de Taubaté retornam das férias coletivas

Após 30 dias, 1,6 mil funcionários dos 4 mil trabalhadores da Volkswagen em Taubaté (SP) que estavam em férias coletivas voltaram ao trabalho nesta quinta-feira (15). Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, a expectativa é todos os empregados retornem à produção a partir de segunda-feira (19). Com o retorno, neste primeiro dia, os funcionários trabalharam na fabricação do popular Up!. Nesta sexta-feira (16) a previsão é queoutros 800 trabalhadores do primeiro turno da montagem... Leia mais