Novidades

26 JUN

Em oficina de supercarros, até uma simples troca de óleo passa de R$ 2.000

Poderia ser um salão do automóvel, mas é a Kalú Import, oficina especializada em supercarros (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A troca de óleo é uma das manutenções mais simples a ser feita em um carro. Basta levantar o veículo em um elevador, soltar o parafuso de dreno do cárter, deixar o fluido escorrer, fechar novamente o parafuso e colocar óleo novo por cima do cabeçote antes de dar a partida.

Mas faça isso em um Audi R8 e você terá um prejuízo proporcional ao preço do superesportivo.

“É relativamente comum recebermos carros que foram danificados durante manutenções inadequadas”, conta Carlos Mathias, sócio-proprietário da oficina e funilaria Kalú Import.

De fachada discreta, a enorme empresa localizada na zona norte de São Paulo se especializou na manutenção e reparo de carros cujo conserto por si só já pode custar o preço de um carro popular.

Oficinas atendem desde superesportivos até carrões voltados ao luxo (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A troca de óleo de um R8, por sinal, exige duas horas, demanda a retirada de 12 drenos de óleo e a colocação gradual do fluido com o motor ligado.

“Nem vareta medidora esses veículos têm. É tudo aferido de forma eletrônica”, continua Mathias. Pelo serviço, que inclui 10 litros de óleo, o cliente pagará cerca de R$ 2.000.

Esse segmento vem crescendo nas grandes capitais por conta do aumento da frota de importados de luxo em ritmo desigual ao das concessionárias.

“Muitas vezes atendemos também clientes que não são o primeiro dono do veículo, que já está fora da garantia de fábrica”, diz Ricardo Landi, da Flacht Motorsport.

O foco da Flacht é nos Porsche, mas qualquer veículo é aceito na oficina (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Participar deste nicho exige investimento constante em conhecimento técnico e em equipamentos.

Um software de diagnóstico de uma só marca pode custar mais de R$ 8.000 por ano, sem incluir as ferramentas especiais que muitos veículos demandam.

Modelos como o SL65 Black Series demandam softwares de diagnose específicos (Christian Castanho/Quatro Rodas)

“Nos Estados Unidos as fabricantes são obrigadas a disponibilizar os sistemas necessários para fazer a manutenção de seus veículos, mas no Brasil o acesso a esses softwares nem sempre é facilitado”, revela Marcos Frison, proprietário da oficina que leva seu sobrenome.

Mesmo o mais trivial dos procedimentos é complicado em um automóvel de luxo. Erguer um veículo com suspensão a ar no elevador, por exemplo, exige que o mecânico acione o modo de serviço do sistema de bolsas pneumáticas.

Se não fizer isso, o veículo pode perder a calibração do equipamento e deixar de “saber” em qual altura a carroceria está.

Ícones da indústria, como este DeLorean DMC, são comuns nesse tipo de oficina (Christian Castanho/Quatro Rodas)

“Ensinar” o automóvel sobre o que está acontecendo é algo comum neste segmento.

Ao trocar as pastilhas do freio de estacionamento, é preciso entrar na ECU do veículo para que os êmbolos da pinça sejam recolhidos antes do procedimento, e calibrados após.

Nem mesmo o tradicional serviço de alinhamento escapou do século 21. “Modelos com direção elétrica e/ou caixa de relação variável precisam ser ajustados digitalmente após o reparo das rodas”, destaca Mathias.

Naturalmente a profusão de equipamentos de condução semiautônoma foi acompanhada pelas oficinas, que precisaram adaptar até mesmo seu espaço físico.

O radar frontal, essencial para o controlador de velocidade adaptativo, exige um ajuste feito por um equipamento de R$ 80.000, que deve ser instalado em um piso perfeitamente plano.

Elevadores especiais permitem erguer veículos baixos como um Aventador (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Esse serviço está entre os que devem crescer nos próximos anos, pois o radar fica exposto no para-choque frontal e pode ficar desalinhado após uma simples encostada. “Quando isso acontece, ele só volta a funcionar ao ser recalibrado”, conclui Mathias.

Mas não é só carro usado que entra nessas oficinas de luxo. Muitas vezes modelos como McLaren 720S e Lamborghini Aventador saem da concessionária direto para um tratamento especial.

Um dos itens da moda é o envelopamento transparente (ao preço de R$ 9.000), que cobre a carroceria com uma película plástica quase invisível, mas eficaz para proteger o esportivo de colisões com pedras ou pequenos objetos, algo comum para carros que passam muito tempo em autódromos ou percorrendo longas estradas.

Na Stradale, a oficina tem jeito de showroom de concessionária (Christian Castanho/Quatro Rodas)

O uso desses veículos também proporciona algo que a maioria dos consumidores torce o nariz: o maior tempo de reparo. Isso porque o uso de um esportivo geralmente é por lazer, sobretudo aos finais de semana.

Isso dá às oficinas mais tempo para fazer serviços complexos como a troca de embreagem. Sim, porque, ao contrário de um Chevrolet Celta, o Aventador precisa ter toda a sua traseira (e o trem de força) removida para trocar o componente.

Também é comum que esses carros passem por modificações durante uma manutenção, sobretudo personalizações envolvendo mudanças na pintura e apliques de fibra de carbono nos retrovisores, spoilers e parte do painel.

Um raro dinamômetro 4×4 é usado nas preparações da Stradale (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Mas ainda há um detalhe em que carros de R$ 1 milhão são gente como a gente: problemas crônicos.

O R8 citado no começo da reportagem tem problemas constantes no compressor do ar-condicionado, enquanto a suspensão a ar do Bentley Continental abre o bico rapidamente por conta do péssimo asfalto brasileiro.

Mas nada supera um veículo quase onipresente entre essas oficinas: os Land Rover Discovery 3 e 4. O motivo é simples, mas quase surreal.

Manutenções no câmbio exigem a remoção do trem de força do Audi R8 (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Para fazer reparos em turbina, sistema de combustível e suspensão do SUV inglês, é preciso separar a carroceria do chassi, um processo de sete horas e R$ 4.000. A foto impressiona, mas a cena é comum nestas oficinas.

Nem mesmo a entrega e a retirada desses carros são iguais à de uma oficina comum. Aqui o habitual é ver um guincho trazendo o veículo sob uma capa e com as placas cobertas.

 

O motorista do caminhão é igualmente especializado e treinado para, por exemplo, destravar o câmbio automático e o freio de estacionamento de um veículo sem bateria ou com danos elétricos.

Neste mundo, porém, nem mesmo todo conhecimento impede o uso de soluções tradicionais. Se nada funcionar para soltar o carro, é usado o convencional patinete sob as rodas para levá-lo a uma manutenção tão especial quanto o veículo.

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

24 AGO
Mercedes-Benz cortará 1.500 empregos em fábrica de SP

Mercedes-Benz cortará 1.500 empregos em fábrica de SP

A Mercedes-Benz anunciou nesta segunda-feira (24) cortes de cerca de 1.500 empregos na fábrica de veículos comerciais em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, em resposta a uma queda na demanda no Brasil. Os funcionários afetados começaram a ser notificados na últimas sexta-feira. Cerca de 7 mil operários declararam greve por tempo indeterminado contra as demissões nesta segunda-feira. O mercado brasileiro de caminhões vem em queda desde o começo de... Leia mais
24 AGO
Grupo da Mercedes-Benz avalia eventual parceria com Apple e Google

Grupo da Mercedes-Benz avalia eventual parceria com Apple e Google

A montadora alemã de veículos Daimler considera que "diferentes tipos" de cooperação com Apple e Google são possíveis em um momento em que os fabricantes de automóveis estão percebendo que a próxima geração de carros não poderá ser produzida sem participação maior de especialistas de telecomunicações e software. "Muitas coisas são concebíveis", disse Dieter Zetsche, presidente-executivo da Daimler, em uma entrevista para a revista trimestral Deutsche Unternehmerboerse,... Leia mais
24 AGO
Greve contra demissões paralisa produção da Mercedes-Benz em SP

Greve contra demissões paralisa produção da Mercedes-Benz em SP

Cerca de 7 mil funcionários da Mercedes-Benz declararam greve nesta segunda-feira (24) em protesto contra novas demissões na fábrica de São Bernardo do Campo (SP). Os funcionários voltariam nesta segunda-feira de uma licença remunerada que começou em 7 de agosto. A produção de caminhões e ônibus no local está paralisada desde então. Depois de um impasse nas negociações com o sindicato, a Mercedes-Benz confirmou que fará mais cortes na força de trabalho a partir de 1º de... Leia mais
24 AGO
Operários encerram greve na GM em São José após acordo que adia cortes

Operários encerram greve na GM em São José após acordo que adia cortes

Os trabalhadores da General Motors (GM) em São José dos Campos aprovaram nesta segunda-feira (24) o acordo que adia as 798 demissões na unidade e encerraram uma greve que já durava duas semanas. O acordo, feito após audiência na Justiça do Trabalho na última sexta (21), foi aprovado pela categoria em assembleia nesta manhã. Com a aprovação do acordo, a fábrica volta a operar nesta segunda-feira, mas 798 funcionários que seriam demitidos terão os contratos suspensos por cinco... Leia mais
23 AGO
Engenheiro da Tesla se junta ao time de especialistas da Apple

Engenheiro da Tesla se junta ao time de especialistas da Apple

A Apple contratou um engenheiro sênior da fabricante de carros elétricos Tesla Motors, de acordo com uma mensagem do LinkedIn, como parte dos esforços para montar um time de especialistas em direção automatizada. O perfil do LinkedIn de Jamie Carlson mostra que ele deixou a Tesla e foi para Apple. Pelo menos 6 outras pessoas com experiência em desenvolvimento de tecnologia de autocondução e sistemas se juntaram à Apple, de acordo com seus perfis no LinkedIn. Tentativas de... Leia mais
23 AGO
15 coisas positivas que você precisa saber sobre a gasolina aditivada

15 coisas positivas que você precisa saber sobre a gasolina aditivada

Se você está entre os motoristas que pensam que gasolina é tudo igual, pare agora 15 minutos para ler essa reportagem. Sim, o combustível pode fazer a diferença no desempenho do carro e na durabilidade das peças. Você sabia que a gasolina aditivada deixa o motor mais limpo e com menos atrito interno, o que pode resultar em menos gastos com manutenção e até economia em consumo de combustível? Veja agora 15 coisas que você precisa saber sobre a aditivada. 1 – Motor sempre limpo... Leia mais