Novidades

25 JUN

Ford Ranger 2020: primeiras impressões

Até não muito tempo atrás, as picapes eram conhecidas por robustez e "valentia" inversamente proporcionais ao refinamento. Câmbio automático era luxo, e passageiros do assento traseiro tinham o mesmo nível de conforto de um banco de praça.

Para o bem de todos, a situação mudou bastante. Picapes estão cada vez mais parecidas com carros de passeio. Nesse sentido, Ford Ranger e Volkswagen Amarok sempre disputaram o título informal de modelo que melhor trata motorista e ocupantes – com leve vantagem para a picape de origem alemã.

A Ford pretende inverter essa situação com mudanças na linha 2020 da sua picape média. Além do visual retocado na dianteira, foram feitas alterações em aspectos como câmbio e suspensão, além de uma melhora no nível de equipamentos.

O que não mudou foi a tabela de preços. A Ranger 2020 custará o mesmo que o modelo 2019. Veja abaixo os valores:

  • XLS 2.2 4x2 automática – R$ 128.250
  • XLS 2.2 4x4 manual – R$ 147.520
  • XLS 2.2 4x4 automática – R$ 154.610
  • XLT 3.2 4x4 automática – R$ 176.420
  • Limited 3.2 4x4 automática - R$ 188.990

Parada obrigatória

A Ranger já era conhecida por oferecer mais equipamentos de segurança do que suas rivais. Era a única, por exemplo, a contar com controle de velocidade adaptativo, que mantém distância para o veículo que viaja à frente. Outra exclusividade era o assistente de manutenção de faixa com correção de trajetória (a Chevrolet S10 apenas alerta o motorista).

Agora, a Ford reforçou o pacote, incluindo, na versão topo de linha, Limited, a frenagem automática de emergência. Em velocidades entre 5 km/h e 60 km/h, a picape é capaz de detectar outros veículos, pedestres e ciclistas. Se o motorista não esboça reação, a Ranger pode parar sozinha. Quando a velocidade é maior, a colisão não é evitada, mas o impacto é minimizado.

600 peças novas

A Ford diz que a Ranger 2020 teve 600 peças redesenhadas. A menor parte, é verdade, sequer poderá ser vista. Mesmo os funcionários da fábrica da empresa em General Pacheco, na Argentina, podem ter dificuldade em encontrar as diferenças.

E praticamente todas estão concentradas na dianteira. Apesar de a grade manter o formato, os elementos internos foram redesenhados. O para-choque também é novo, e teve as tomadas de ar reposicionadas. Na versão topo de linha, os faróis são de xênonio.

Rodas e estribo são as únicas novidades na lateral. Já a traseira ganhou apenas um novo grafismo com o nome do modelo.

Algo que certamente poderá ser notado é a adição de uma mola na tampa da caçamba. Ela reduz drasticamente o esforço que o usuário precisa fazer para abrir ou fechar a porta.

Divisão por peso

Ainda há um outro conjunto de peças que, se não poderão ser vistas, certamente serão percebidas pelos ocupantes. A Ford promoveu um intenso trabalho de melhorar a suspensão – com base em reclamações dos clientes de que a picape não era tão confortável para quem viajava no banco traseiro.

A solução, segundo Gilmar de Paula, chefe do projeto da picape na América do Sul, foi dividir o acerto de suspensão por faixas de peso. Até então, todas as versões tinham um mesmo ajuste.

Agora, aquelas com motor 2.2 (mais leves) terão um acerto, enquanto as 3.2 (mais pesadas), passam a ter outro. A empresa diz que redesenhou a barra estabilizadora, trocou molas e amortecedores, reforçou as longarinas e aprimorou os coxins.

Na prática, a Ranger ficou mais parecida com um carro de passeio – e se aproximou da Volkswagen Amarok, a referência no segmento quando o assunto é a dirigibilidade na cidade e conforto na cabine. Contribui para isso uma direção elétrica muito leve.

O G1 dirigiu a Ranger Limited em um percurso de aproximadamente 80 km, passando por rodovias de asfalto liso e estradas de terra com bom calçamento. Além disso, também deu algumas voltas em um autódromo no interior de São Paulo.

Leveza desnecessária

Um aspecto que chama a atenção é a leveza da direção elétrica. Apenas a Ranger e a S10 possuem esse tipo de assistência – que é hidráulica em todas as demais.

Porém, por se tratar de um veículo maior e mais pesado do que um carro de passeio, a assistência poderia ser menor. Além de muito leve, a direção fica um pouco “solta”, principalmente em velocidades acima de 100 km/h.

Isso também atrapalha na percepção de obstáculos na via, sobretudo em pisos mais acidentados. Por outro lado, as manobras ficam muito mais fáceis.

No quesito desempenho, porém, a picape da Ford leva a pior sobre a Amarok. Mesmo que seu motor 3.2 de 5 cilindros entregue bons 200 cavalos e 47,9 kgfm, ele fica aquém do V6 de 225 cv e 56,1 kgfm da rival.

A parte boa é que ela anda mais do que todas as demais concorrentes. E isso é perceptível ao pressionar o pedal do acelerador – este, por sinal, oferece respostas muito bruscas e carece de um ajuste fino.

O G1 também acelerou a versão XLS, equipada com motor 2.2 de 160 cv e 39,3 kgfm. Curiosamente, nesta configuração, a Ranger se mostrou mais amigável de conduzir – provavelmente por conta do peso mais baixo.

Nos dois casos, o câmbio automático de 6 marchas apresenta trocas suaves e silenciosas.

Aposta no diesel

Notou que os preços não mudaram, mas a tabela de preços ficou mais enxuta? A Ford tirou de linha versões da Ranger com motor flex. A justificativa, segundo a empresa, é que modelos com esta motorização representam menos de 10% das vendas do segmento, considerando todas as marcas.

“Em nossa linha, o motor flex representava 5% das vendas. Pensamos em ocupar esta lacuna com a versão XLS diesel com tração 4x2”, disse Fabrizzia Borsari, gerente da Ranger na Ford.

Mercado

Lutando apenas com versões a diesel, a Ford tentará tomar a terceira colocação nas vendas de picapes médias no Brasil. Quem ocupa a posição atualmente? Sim, o modelo mais parecido com a Ranger: Amarok.

Entre janeiro e maio, o Volkswagen emplacou 7.922 unidades, apenas 52 a mais do que a Ranger. As duas, porém, seguem distantes das líderes.

No mesmo período, a S10 teve 11.243 exemplares vendidos, enquanto a Toyota Hilux observa o restante das rivais pelo retrovisor, com suas 16.767 unidades emplacadas.

De acordo com a Ford, a versão topo de linha, Limited, avaliada pelo G1, deve representar 28% das vendas – a favorita, junto com a XLS, que tem mais variantes, como câmbio manual e tração 4x2.

Considerando apenas as configurações mais completas entre todas as picapes médias, a Ranger é a que tem menor preço de compra, junto com a Mitsubishi L200 HPE-S. Elas custam R$ 188.990.

A diferença é de R$ 5.800 para a Frontier LE, R$ 6.500 para a S10 High Country, R$ 14.250 para a Hilux SRX e R$ 17 mil para a Amarok Highline V6.

Conclusão

Mesmo com as melhorias em equipamentos, acerto dinâmico e um visual renovado, além do preço mais baixo, dificilmente a Ranger conseguirá incomodar Hilux e S10 nas vendas.

Além de brigarem pela terceira posição, curiosamente, Ranger e Amarok podem se encontrar em um futuro não muito distante. Volkswagen e Ford firmaram uma parceria para desenvolver veículos comerciais. Inclusive já anunciaram que trabalharão juntas em uma próxima picape média.

Enquanto isso não acontece, a Ranger alcança sua melhor forma em termos de tecnologia. E tudo isso custando menos do que as concorrentes.

Fonte: G1

Mais Novidades

09 AGO

As dez vezes em que o Longa Duração acabou antes da hora

O Longa Duração é uma das seções mais antigas e conhecidas de QUATRO RODAS.O teste, que não é feito por nenhuma outra revista do mundo, envolve a compra (de forma anônima) de um automóvel, a rodagem prolongada dele e seu posterior desmonte para avaliação.Só que nem sempre conseguimos chegar à quilometragem final – atualmente vamos até os 60 mil km. Relembramos dez oportunidades em que alguns carros da nossa frota se transformaram em “curta duração”.O Voyage terminou o... Leia mais
09 AGO

Suzuki, Yamaha e Mazda admitem irregularidades em testes de emissões no Japão

As montadoras Mazda, Suzuki e Yamaha fizeram testes irregulares de veículos para consumo de combustível e emissões poluentes, disse o governo japonês nesta quinta-feira (9), revelando novos casos de falhas de conformidade por parte dos fabricantes. Os resultados vieram à tona depois que o governo ordenou às montadoras que checassem suas operações após revelações de testes inadequados na Subaru e na Nissan no ano passado. A conduta das montadoras em todo o mundo vem sendo... Leia mais
09 AGO

Símbolo cult, Mustang chega aos 10 milhões de exemplares vendidos

O Mustang, carro cult e símbolo da cultura americana, chegou aos 10 milhões de exemplares vendidos nesta quarta-feira (8), o que motivou uma grande festa na sede da Ford, em Michigan. As comemorações ocorrem em um momento-chave para a Ford, quando as vendas do Mustang caem nos Estados Unidos, mas crescem no exterior, em mercados como China e Alemanha. Para comemorar este marco na história do carro que tem o nome dos cavalos selvagens do oeste dos EUA, a Ford recorreu à... Leia mais
08 AGO

Como funciona o câmbio CVT

Muita gente se sente desconfortável quando o assunto é transmissão. São vários modelos de câmbios com princípios de funcionamento diferentes. Temos: transmissões mecânicasautomatizadas de primeira geração (uma embreagem)automatizadas de segunda geração (duas embreagens)transmissões automáticastransmissões CVT, de primeira e segunda geração. A competição acirrada está entre o câmbio automático, o automatizado de dupla embreagem e o câmbio CVT. Considerado... Leia mais
08 AGO

Renault Captur e Ford Ka: os brasileiros preferem o motorzinho

No Renault Captur, o motor 2.0 16V de 148 cv, disponível em três versões, responde por apenas 4% das vendas – os outros 96% correspondem ao motor 1.6 (Divulgação/Renault)É comum que um mesmo modelo seja vendido com diferentes tipos de motor. Mas nem sempre o consumidor dá atenção a todas as opções. Levantamento feito pela consultoria Jato Brasil a pedido da QUATRO RODAS revela os motores preferidos em alguns carros no primeiro semestre de 2018.No Renault Captur, o motor 2.0 16V... Leia mais
08 AGO

Jaguar I-Pace, o SUV elétrico com autonomia de carro convencional

A grade frontal fechada ajudou a manter o Cx em bons 0,29 (David Shepherd/Jaguar)Quase todos os fantasmas que o carro elétrico precisa enfrentar envolvem suas baterias. Sua produção é poluente e cara, e elas ainda restringem a autonomia do veículo.Enquanto isso não se resolve, a Jaguar solucionou parte desses limitantes no I-Pace, modelo que chega ao Brasil no fim do ano, com a força bruta: lotando o assoalho com 432 células de íon-lítio, suficientes para dar um alcance ao modelo de... Leia mais