Novidades

16 MAI

Ford Taurus SHO: um sedã americano com motor V6 Yamaha e injeção de F1

Grande rival dos carros japonese nos EUA tinha motor preparado pela Yamaha, que nunca produziu carros em massa (Silvio Porto/Quatro Rodas)

Texto original de Eduardo Pincigher

Se era difícil lidar com a invasão dos carros japoneses nos Estados Unidos com os tradicionais sedãs americanos, a Ford resolveu o problema fazendo um carro parecido com eles.

Foi o Taurus, lançado em 1988. O plano deu tão certo que em 1991 foi o quarto modelo mais vendido dos EUA, atrás da Ford F-150, GMC Sierra e Honda Accord – seu grande rival, ao lado do Toyota Camry.

Na época, destacava-se os pneus 205, mais largos que o normal para a época (Silvio Porto/Quatro Rodas)

Se a frente baixa, com faróis estreitos e largos, parecia seguir a mesma escola dos rivais, o sedã dá Ford só viu sua “niponização” ser finalizada graças à Yamaha.

A empresa japonesa sequer fabrica automóveis, mas recebeu a incumbência de criar um novo motor V6 3 litros. Ele seria a alma do Taurus SHO (Super High Output, ou Potência Super Elevada).

Foi justamente esse carro que QUATRO RODAS testou no Brasil já em sua segunda geração, para a edição de novembro de 1992.

Teclado para abrir as portas por teclado numérico existe até hoje no Fusion (Silvio Porto/Quatro Rodas)

O sedã esportivo chegava importado pela Souza Ramos (hoje responsável por Mitsubishi e Suzuki no Brasil) por 52.000 dólares. Para ter uma noção melhor de quanto isso valia, ele era 5.000 mais caro que o Chevrolet Omega 3.0 CD – então o carro nacional mais caro.

Nada de aerofólio, saias esportivas ou para-choques com aspecto agressivo. O que separava o SHO dos demais eram detalhes. Por exemplo, as rodas aro 16? (calçadas com pneus 215/60) tinham o nome da versão estampado em relevo, assim como o para-choque traseiro. Por sinal, os para-choques não tem vincos horizontais. como nas outras versões.

Na falta de grade, passagens de ar ao redor do logo da Ford ficavam encarregadas de refrigerar o motor V6 (Silvio Porto/Quatro Rodas)

“O motor ‘Ford by Yamaha’ sugere um comportamento atípico dos veículos americanos, movimentando o Taurus com maior facilidade nas rotações altas, em detrimento dos baixos giros – lembrando um pouco o Monza e o Tempre. Ele reage com destreza quando o ponteiro do conta-giros chega em 3.500 rpm. Daí em diante, transformava-se num multiplicador incansável de velocidades maiores. A prova aparece no regime de torque máximo, de 27,6 kgfm a 4.800 rpm.

Volante era revestido de couro, assim como parte do painel e das portas (Silvio Porto/Quatro Rodas)

O Taurus demora para ganhar fôlego, mas quando consegue, costuma atropelar quem estiver à sua frente. Para isso, seu motor V6 tem 24 válvulas (4 por cilindro), duplo comando em cada fileira de cilindros e injeção eletrônica multipoint sequencial tipo EEC-IV (usado nos Benetton da Fórmula 1), que também integra a ignição. Esse coquetel da mais recente tecnologia de motores rende 220 cv a 6.200 rpm.

Porta-copos retrátil ficava escondido sob o rádio (Silvio Porto/Quatro Rodas)

Nossa prova de aceleração demonstrou que a falta de torque em baixa não prejudica suas arrancadas, pois a potência ordena rapidez nas rodas dianteiras motrizes: de zero a 100 km/h, o Taurus gastou 9,2 s. Na retomada de 40 a 100 km/h, foram necessários 25,04 s – mais lento, portanto, que um Monza, com exatamente a metade da potência. Na velocidade máxima, o resultado foi muito bom: 209,7 km/h.

Além de ajuste elétrico nos bancos, havia como inibir a abertura do porta-malas com chave (Silvio Porto/Quatro Rodas)

A frenagem do Taurus, assim como a estabilidade, estaciona no campo do regular. De 80 a 0 km/h, precisou de 31,8 m, mesmo com discos nas quatro rodas e ABS. Em aceleração lateral, atingiu o pico de 0,87 g. A economia de gasolina e o nível de ruido seguem a linha do satisfatório. A média registrada de consumo chegou a 9,68 km/l, enquanto o nível de ruído foi de 63,4 decibéis.”

Comandos de vidros e espelhos já ficavam nas portas (Silvio Porto/Quatro Rodas)

O Taurus SHO também se destacava pelo pacote de equipamentos. Começa pelo quadro de instrumentos completo, com direito a check-control, que informava sobre injeção, freios (espessura das pastilhas e ABS), nível do óleo do motor, água do radiador e portas abertas.

Sedã acelera de 0 a 100 km/h em 9,2 s e chegou à máxima de 209,7 km/h (Silvio Porto/Quatro Rodas)

Os bancos dianteiros têm ajuste elétrico de altura do assento, de todo o banco, regulagem lombar e das laterais do encosto e reclinador. A porta do motorista pode ser aberta por uma senha digitada na porta e há ar-condicionado digital, piloto automático, volante multifuncional com couro e rádio digital… com toca-fitas, mas que podia ser comandado por botões ao lado dos instrumentos.

Importado dos EUA, o Taurus era pouco mais caro que um Omega completo (Silvio Porto/Quatro Rodas)

Há faltas, como espelho antiofuscante automático, encosto de cabeça no banco traseiro e as janelas traseiras são inteiriças, mas abrem apenas um palmo por falta de espaço no interior da porta.

Na prática, o Taurus era uma alternativa mais luxuosa ao Versailles, que, por ser baseado no VW Santana, também não era tão Ford assim. O Taurus só seria importado oficialmente a partir de 1994, também com o motor V6 3.0 Vulcan de 142 cv e câmbio automático de quatro marchas em vez do manual de cinco.

 (Arquivo/Quatro Rodas)

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

04 OUT
Guia do test-drive: um checklist para você não se esquecer de nada

Guia do test-drive: um checklist para você não se esquecer de nada

Todos os detalhes são importantes na hora do test-drive (Mauricio Planel/Quatro Rodas)Para lembrar de tudo o que você precisa fazer no test-drive, a QUATRO RODAS elaborou uma lista com os principais itens a serem checados na hora do teste.Enquanto dirige, confira como motor, suspensão, direção e freios se comportam em diferentes situações (FCA Press/Divulgação)Note como o câmbio se comporta no momento da troca (FCA Press/Divulgação)Cheque as funções essenciais da central... Leia mais
04 OUT

Toyota e SoftBank formam parceria para serviços de direção autônoma

A Toyota Motor e o SoftBank Group estão se juntando para desenvolver serviços de carros autônomos, sinalizando o aprofundamento de alianças entre grandes montadoras e empresas de tecnologia conforme a corrida global para desenvolver carros sem condutores se intensifica. A maior montadora do Japão e a mais influente empresa de tecnologia do país vão desenvolver em conjunto uma plataforma para operar veículos autônomos que podem ser usados como lojas móveis, hospitais e outros... Leia mais
04 OUT

Chevrolet Onix e Prisma terão motor turbo flex em nova geração

Nova geração do Onix será baseada em uma nova plataforma global (Du Oliveira/Quatro Rodas)A próxima geração dos Chevrolet Onix e Prisma já está rodando em testes no Brasil.A previsão inicial era de que esses modelos chegassem ao mercado somente no fim de 2019, como linha 2020. Mas os carros já estão na fase final de desenvolvimento, podendo ser lançados já no início do ano que vem.Dias antes do fechamento desta edição recebemos flagra revelador. Ele mostra o hatchback e foi... Leia mais
04 OUT

Triumph deixa Street Twin e Scrambler mais potentes e tecnológicas

A Triumph aproveitou o Salão de Colônia, na Alemanha, para apresentar de uma só vez novidades para dois modelos: as Street Twin e Scrambler. Os preços, porém, só deverão ser revelados em novembro. SALÃO DE COLÔNIA: Kawasaki mostra novas Ninja 125 e Z125 Ambas as motocicletas tiverem seus reforços concentrados na mecânica. O motor bicilíndrico de 900cc ganhou 10 cv de potência e agora entrega 65 cv e 8,2 kgfm de torque, além da rotação máxima 500 rpm mais alta, com... Leia mais
04 OUT

Produção de veículos cai 6,3% em setembro, diz Anfavea

A produção de veículos caiu 6,3% em setembro de 2018, informou a associação das montadoras, a Anfavea, nesta quinta-feira (6). Foram 223.115 automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões produzidos no mês. O desempenho negativo foi na comparação com o mesmo mês de 2017, quando as montadoras produziram 238.019 veículos. Em relação a setembro, que teve volume de 291.470 unidades feitas, a queda foi ainda maior, de 23,5%. Enquanto a produção caiu em setembro, as... Leia mais
04 OUT

Kawasaki Ninja 125 e Z125 são reveladas no Salão de Colônia

A Kawasaki apresentou no Salão de Colônia (Intermot) novos modelos de baixa cilindrada para o mercado europeu. Os modelos Ninja 125 e Z125 foram criados para a montadora japonesa conquistar novos consumidores. As duas motos utilizam como base motor de 1 cilindro e refrigeração líquida, que é capaz de gerar 14,75 cavalos de potência, e está fixado em um chassi do tipo treliça. Apesar de utilizaram praticamente o mesmo conjunto, as motocicletas são de categorias diferentes.... Leia mais