Novidades

14 MAI

Primeiro veículo elétrico da VW feito no Brasil é um caminhão de cerveja

O E-Delivery foi derivado do Delivery que a VW lançou em 2018. (Fernando Pires/Quatro Rodas)

De longe, o VW E-Delivery é um caminhão como os outros.

Mas os moradores dos bairros de São Paulo, por onde o protótipo circula, sabem quando é ele que está em serviço. O veículo de carga entrega cerveja e refrigerante, mas não é isso que o diferencia.

De perto, o E-Delivery se destaca porque é silencioso. Seu motor é elétrico e quase não faz barulho (há um zumbido de reator de lâmpada fluorescente, mas nada que se compare ao ronco de um motor a diesel).

A cabine é a mesma da versão diesel, mas poderia ser rebaixada, uma vez que por debaixo dela não existe motor (Fernando Pires/Quatro Rodas)

O E-Delivery é o primeiro caminhão 100% elétrico desenvolvido no Brasil. O exemplar mostrado aqui ainda é uma versão experimental derivada da linha Delivery, que a VW lançou em 2018. Mas o E-Delivery está prestes a entrar em produção.

A expectativa é de que ele chegue ao mercado no final de 2020. A VW ainda não fala quanto ele custará, mas será mais caro que a versão diesel, com preço sugerido de R$ 150.700.

O E-Delivery é um caminhão leve que pode levar até 7,5 toneladas (Fernando Pires/Quatro Rodas)

A unidade que dirigimos na pista da VW Caminhões, em Resende (RJ), é a mesma que dá expediente entregando bebidas em São Paulo. “Nosso objetivo é avaliar o caminhão nas condições reais de uso”, diz o vice-presidente de engenharia da VW Caminhões, Rodrigo Chaves.

A fabricante de bebidas Ambev foi o primeiro cliente da Volkswagen a se interessar pela tecnologia, daí surgiu a parceria. Ano passado, a Ambev anunciou a intenção de comprar 1.600 caminhões elétricos.

O banco do motorista tem amortecimento para conforto do motorista (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Os testes de campo devem durar 18 meses, segundo o supervisor de marketing de produto da VW, Ricardo Yada.

O protótipo roda entre 50 e 100 km por dia. Ele sai da central de distribuição da Ambev, que fica no bairro da Mooca, na zona leste, carregado de bebida e eletricidade e volta com baú e baterias vazios.

A recarga das baterias é feita à noite, quando o consumo de eletricidade diminui e as tarifas são menores. E o carregamento das bebidas ocorre de madrugada.

Motor elétrico gera 244,7 cv de potência e 219,2 mkgf de torque (Fernando Pires/Quatro Rodas)

O E-Delivery é equipado com motor síncrono de ímãs permanentes de 244,7 cv e 219,2 mkgf (muito mais que seu equivalente a diesel, de 175 cv e 61,2 mkgf, que equipa o Delivery na versão 13.180), acoplado a uma transmissão com uma marcha à frente e a ré.

Segundo a VW, a capacidade de carga é de 7,5 toneladas e o peso bruto total (carga+veículo+implemento) é de 14,3 toneladas.

As baterias são de íons de lítio níquel-manganês-cobalto e têm capacidade de 240 kWh, o que garante uma autonomia estimada de 200 km.

No painel, visor informa o nível de energia nas baterias e a que foi recuperada nas frenagens (Fernando Pires/Quatro Rodas)

O E-Delivery é um elétrico do tipo plug-in, ou seja: suas baterias são recarregadas diretamente na tomada. O tempo de recarga é de três horas, desde que feita em uma rede de corrente contínua de alta-tensão.

Para que a eletricidade consumida seja limpa e de fonte renovável, a Ambev instalou painéis de captação solar na central da Mooca.

Segundo a VW, os motoristas da Ambev brigam entre si para dirigir o E-Delivery. De três em três meses, porém, o protótipo é recolhido para avaliação e manutenção na VW. E foi em uma dessas paradas que nos apresentamos para dirigi-lo.

No console, há um seletor com a posições D N R do câmbio e a alavanca do freio (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Quando entrei no E-Delivery, o funcionário da VW me avisou que o motor já estava ligado. Então não tive aquele estranhamento (ao qual ainda não me acostumei a bordo de um elétrico) de girar a chave e não ouvir o motor roncar.

Mas, da mesma forma, fiquei meio sem jeito por não saber por onde começar.

Tive alguma dificuldade para me entender com o banco, que, por ter um amortecedor na base, se movimenta todo o tempo enquanto a gente tenta se acomodar.

O assento do motorista tem os ajustes tradicionais de distância e inclinação do encosto e o volante pode ser regulado em altura e profundidade.

Suspensão traseira tem sensores de carga que ajudam a economizar energia (Fernando Pires/Quatro Rodas)

A cabine do E-Delivery é igual à do Delivery Express a diesel. Tem três assentos individuais e um cockpit que lembra o de uma picape (poderia ser o da VW Amarok, porém bem mais simples).

A principal diferença está no lado esquerdo do painel de instrumentos. No Express, o mostrador reúne conta-giros, indicador de temperatura do motor e espaço vazio para luzes-espia.

No E-Delivery, o conta-giros cede metade da escala para um indicador de funcionamento do motor elétrico: liga/desliga e carregamento das baterias.

Com o pé no freio, girei o botão do câmbio com as letras D, N e R no console (de formato igual ao localizado no painel do lado esquerdo, que serve para ligar os faróis), selecionei a opção D (Drive), destravei o freio de mão, por meio de uma alavanca vertical, também no console, e acelerei.

Com todo o torque disponível desde o primeiro momento, o caminhão arrancou para a frente e para o alto.

Explico: com a transferência de peso para o eixo traseiro, a dianteira do caminhão levantou na partida. E, acompanhando o movimento da cabine, meu corpo também pendulou contra o encosto do banco.

As baterias ficam instaladas no local onde fica o tanque de combustível da versão diesel (Fernando Pires/Quatro Rodas)

A VW não fala quanto o veículo faz de 0 a 100 km/h. Mas informa que a velocidade máxima é de 80 km/h. Dinamicamente, o E-Delivery é igual ao irmão movido a diesel, sem a vibração do motor.

O volante é firme e indireto. Nas curvas mais fechadas é necessário dar várias voltas e, enquanto se vai esterçando, o esforço do motorista aumenta.

A suspensão, para um caminhão, é confortável. Isso porque a VW instalou uma estrutura com amortecimento a ar no eixo traseiro. Porém, a principal razão desse recurso não está no conforto.

Sua função mais importante é medir a carga transportada para a central eletrônica e gerenciar o consumo.

À medida que as entregas são feitas, o caminhão fica mais leve e passa a necessitar de menor energia para se deslocar. O eixo traseiro é o que recebe a tração do motor, que também está localizado na parte de trás do chassi.

E-Delivery pode ser “abastecido” na tomada. O tempo de recarga é de três horas (corrente contínua/alta tensão). (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Depois de algumas voltas na pista, parei o caminhão em uma rampa com 20% de inclinação para conferir o funcionamento do sistema auxiliar de partidas em rampas.

Esse dispositivo permite que o motorista solte o freio e demore até 4 segundos para acelerar, sem que o caminhão se movimente.

Graças à disponibilidade imediata de torque do motor elétrico, fiz a manobra com tranquilidade e comparativamente bem mais relaxado do que ficaria ao volante de um caminhão com motor diesel e transmissão mecânica convencional.

Na traseira, além do motor ficam outros componentes do sistema elétrico como o conversor de corrente DC/DC. (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Frear também é uma operação livre de estresse a bordo do E-Delivery, que tem freios pneumáticos convencionais e sistema de freios regenerativos. Assim que alivia o pé do acelerador, o sistema regenerativo começa a trabalhar.

É possível ver a energia sendo recuperada pelo mostrador esquerdo do painel. Quando o sistema pneumático entra em ação, o caminhão para com efetividade.

O computador de bordo mostra as informações relativas a rodagem do caminhão. (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Pensando em um aproveitamento maior da energia, o próprio curso do pedal de freio tem um estágio inicial que retarda a entrada do freio pneumático.

No painel do E-Delivery há ainda uma tecla em que o motorista pode escolher o nível de interferência do freio elétrico nas paradas. Há três graduações: alta, média e baixa.

E-Delivery conta com assistente de partida em rampa (tecla no console). (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Ao final do dia, já bem familiarizado, pisei fundo no acelerador no início da reta da pista e constatei que, depois de arrancar com vigor, o E-Delivery segue com aceleração constante e progressiva, mas sem exageros.

Ou seja: por mais agressivo que seja o comportamento do motorista, o E-Delivery continua discreto como um caminhão comum.

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

25 OUT

Volkswagen mostra seu 1° SUV compacto, o T-Cross, no Brasil

Após mostrar o carro camuflado e divulgar vários teasers, a Volkswagen finalmente apresentou a versão de produção do T-Cross. O 1ª SUV compacto da montadora foi exibido em eventos no Brasil, na Holanda e na Ásia nesta quinta-feira (25). No entanto, os modelos são diferentes para cada mercado, e a versão nacional será produzida na fábrica de São José dos Pinhais (PR). Sua primeira aparição para o público vai ser no Salão do Automóvel de São Paulo, que acontece entre os... Leia mais
25 OUT

Audi muda nome de versões por causa da Volkswagen

Polo e A3 Sedan: motor maior, número menor (Montagem/Divulgação/Christian Castanho/Quatro Rodas)Há mais de um ano a Audi passou a adotar globalmente uma nova nomenclatura para identificar os diferentes motores dentro de sua gama. Só que, por culpa da Volkswagen, ela precisou criar uma solução própria no Brasil.Primeiro é preciso entender como funciona essa nova nomenclatura. Ela usa divisões de 30 a 70, conforme a potência do motor aumenta.A primeira faixa é a 30, para propulsores... Leia mais
25 OUT

Teste: Ousada, Nissan Frontier Attack marca a linha 2019 da picape

Aclamada no passado, versão Attack retorna com boas credenciais para brigar com Chevrolet S10 Midnight e Toyota Hilux Challenge. (Christian Castanho/Quatro Rodas)Quando desembarcou no Brasil em março do ano passado, a atual Frontier tomava tequila e assistia a Chaves. Nesse intervalo, a Nissan aprontava a fábrica de Córdoba (Ar-gentina) para receber a picape. E a hora da estreia chegou.Em novembro, a Frontier que vem ao Brasil dança tango, come doce de leite e continua falando espanhol.... Leia mais
25 OUT

Mesmo com suspensão judicial, placa do Mercosul continua sendo instalada em posto do Detran-RJ

Depois da decisão da liminar que suspendeu a substituição pelas novas placas do Mercosul nos veículos, o Detran-RJ consultou o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) para saber como proceder. No posto do Detran no Catete, na Zona Sul do Rio, a orientação é para que o emplacamento prossiga normalmente, nesta quinta-feira (25), com as novas placas. Mas funcionários aconselham motoristas a ligar antes de se dirigir para o emplacamento, já que podem ocorrer novas suspensões... Leia mais
25 OUT

Nissan Frontier Attack: primeiras impressões

A Nissan Frontier vive tempos sombrios no Brasil, mesmo depois da chegada da nova geração, no ano passado. É a última colocada no segmento de picapes médias, com 4.614 unidades emplacadas no ano, contra 27.343 da líder Toyota Hilux, segundo a federação dos concessionários, a Fenabrave. Agora, que passa a ser feita na Argentina, ela quer mudar esse cenário. Para isso, ganha novas versões (veja abaixo), aumentando sua faixa de preços. Uma delas é a intermediária Attack,... Leia mais
24 OUT

Tesla obtém lucro no 3º trimestre, apesar de 'turbulência' com Musk

A Tesla divulgou lucro no 3º trimestre, após perdas seguidas desde 2016. O resultado aconteceu em meio ao escândalo dos tuítes do presidente Elon Musk, que foi acusado de fraude pelo mercado e acabou tendo de pagar multa e deixar o comando do conselho da montadora de carros elétricos. Além do lucro de US$ 312 milhões, o maior já registrado, a empresa obteve receita de US$ 6,8 bilhões, acima das previsões dos analistas, mais que o dobro na comparação com o 3º trimestre do ano... Leia mais