Novidades

21 FEV

Fechamento da Ford provoca queda de 40% no comércio em São Bernardo do Campo

Comerciantes vizinhos à montadora Ford, no Bairro Taboão, em São Bernardo do Campo, dizem já sentir os reflexos negativos do anúncio feito pela empresa nesta terça-feira (19) em fechar as portas da unidade no ABC Paulista.

No começo dos anos 1960, São Bernardo do Campo ficou conhecida como a "Capital do Automóvel", recebendo plantas das montadoras Mercedes Benz, Willys, Karmann Ghia, Volkswagen e Fiat. Em 1967, a Ford adquiriu a fábrica da Willys-Overland e se estabeleceu na cidade. Foram mais de 50 anos de atividades em São Bernardo do Campo.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a saída da Ford pode atingir 30 mil vagas de empregos indiretos, como fábricas de autopeças e no comércio da região.

Menos de 24 horas depois do anúncio da montadora, uma imobiliária já recebeu uma ligação de cliente, que é funcionário da Ford, que vai entregar o apartamento que alugava perto da fábrica. A dona da padaria, que fica 50 metros da portaria da Ford, viu o movimento cair em mais de 50% nos últimos dias.

Zenir Camargo da Silva e o marido compraram uma padaria perto da entrada da Ford imaginando que estariam investindo com segurança os mais de 20 anos de economias. "Faz seis meses que compramos a padaria. Jamais imaginava isso, inclusive, um dos motivos para comprarmos o ponto é porque é do lado da Ford, são muitos funcionários, e quando vem uma notícia dessa é preocupante", diz a comerciante.

Segundo ela, cerca de 50% dos clientes da padaria são funcionários da Ford. "Para ter uma ideia, no dia do anúncio do fechamento nós servimos 80 refeições. Um dia depois, servimos apenas 30. Já estamos sentindo o efeito desse fechamento."

Zenir disse que trabalha com encomendas e que "todas foram canceladas". "Eles vinham tomar café, almoçar, faziam encomendas de pizza e pão. Se sair a Ford daqui, não sei como vai ser, porque se a queda de 50% do movimento permanecer, eu não sei se consigo manter todos os funcionários. É uma cadeia, todos vão pagar um preço."

Para Ricardo da Silva Santana, gerente de um posto de combustível, disse que a queda do movimento vai ficar em torno de 40%. "Para a gente é muito ruim, porque eles são nossos clientes. Funcionários abastecem aqui, a montadora também abastecia a frota, os carros novos que eles faziam vinham para cá. Pegou todo mundo de surpresa, ninguém imaginava. O posto existe desde 1975, somos pioneiros na região, viemos juntos com a Ford."

Ariane Corso Yasuda, gerente de um mercado vizinho à montadora, disse que ficou tensa com o anúncio de fechamento da Ford. "Vai impactar em todos os sentidos, vai cair clientela. Temos muitos clientes que são funcionários, vendemos muito marmitex para eles. Já estamos de cabeça quente. Estamos aqui há 33 anos e só com os rumores já sentimos uma redução do movimento."

Maíra Godoy Piva, da imobiliária Mix, que fica a um quarteirão da Ford, disse que a montadora "representa cerca de 40% da carteira de locação de imóveis, vamos sentir bastante o impacto."

Ela afirmou que tem uma carteira de 500 imóveis para alugar no entorno da montadora. "Já acreditamos que a dificuldade de alugar esses imóveis se dá por conta da crise da montadora. O nosso público que liga para imobiliária é originário da Ford. Hoje mesmo já recebemos uma ligação de um funcionário da Ford, que foi demitido ontem e que já vai entregar o imóvel. Acreditamos que nas próximas semanas vamos receber muitas notícias assim."

A corretora informou que a maioria dos moradores de um condomínio de apartamentos, com 20 torres, é de funcionários da Ford. "Espero que o telefone toque, mas para dizer que a Ford vai continuar aqui."

Ela disse que a negociação de um cliente que vai encerrar contrato fica mais difícil quando é caso de demissão. "Normalmente fazemos a retenção do contrato. Quando um cliente quer entregar uma chave, a gente tenta saber o motivo, se ele busca um imóvel maior ou menor, mas quando é caso de demissão não temos como segurar o contrato. Falando especificamente da Ford, com certeza essas pessoas vão voltar para sua cidade natal e com certeza eu vou perder faturamento", disse Maíra.

O comerciante Francisco de Assis Alves estaciona sua Kombi perto da entrada da Ford há 21 anos. Com clientela fiel de funcionários da montadora, ele teme perder movimento. "Vendo acessórios para carros, sem uma fábrica de carros eu vou perder bastante."

Apesar disso, ele não pretende sair do local. "Espero que a gente tenha boa notícia e que a Ford continue aqui. Porque se ela sair vai gerar muito desemprego e eu vou perder com isso também."

Para Manoel Barbosa dos Santos, a decisão de fechamento da Ford deve impactar o movimento do food truck em que trabalha. "Vai ser impactante, porque temos bastante cliente da Ford, desde executivo a chão de fábrica. Fomos pegos de surpresa. Na verdade, está tudo muito silencioso, o trânsito está pequeno, tem pouco movimento na rua, nenhum protesto."

Ele segue otimista, apesar de já sentir queda no movimento. "Espero que o governo interfira nesse caso para manter a empresa aqui. Muita gente precisa do salário que recebe trabalhando na Ford, que é uma empresa tradicional na região."

Prefeito tenta reverter

O prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB), vai se reunir com o presidente da Ford, Lyle Watters, e o governador João Doria nesta quinta-feira (21) para discutir um possível plano de permanência da montadora na cidade.

Morando entrou na tarde desta quarta-feira (20) com uma representação endereçada ao Ministério Público do Trabalho pedindo "a adoção de providências voltadas a proteção dos interesses difusos e coletivos, decorrentes do risco de rompimento da relação do emprego e direitos dos empregados da referida empresa".

A montadora prevê uma despesa extra de US$ 460 milhões (cerca de R$ 1,7 bilhão a câmbio atual) por conta do encerramento das operações.

Desses, cerca de R$ 360 milhões serão gastos na compensação de funcionários demitidos, concessionárias e fornecedores e vão impactar o caixa da empresa. Outros R$ 100 milhões estão relacionados à depreciação acelerada e amortização de ativos fixos – perda de valor de máquinas e estruturas que deixarão de ser utilizadas, por exemplo.

A Ford diz que a maior parte dessas despesas serão contabilizadas em 2019 e que os valores já estão inclusos nos US$ 11 bilhões que ela prevê gastar para reestruturar seus negócios no mundo todo. Desses, R$ 7 bilhões devem afetar o caixa.

Fonte: G1

Mais Novidades

05 AGO
Correio Técnico: Qual a diferença entre a gasolina comum e a de aviação?

Correio Técnico: Qual a diferença entre a gasolina comum e a de aviação?

O combustível que entra no avião é bem diferente do usado nos carros (Shell/Divulgação)Qual a diferença entre a gasolina comum, a de aviação e o querosene de aviação? – Wagner Morine, São Paulo (SP)Basicamente tudo: número de octanas, percentual de chumbo e até volatilidade. A principal diferença está no quanto o combustível aguenta ser comprimido antes de detonar, índice popularmente conhecido como octanagem.“A gasolina de aviação, que é usada em aeronaves com motores... Leia mais
05 AGO
A artesanal montagem do Iveco Guarani, o superblindado brasileiro

A artesanal montagem do Iveco Guarani, o superblindado brasileiro

Blindado é produzido na fábrica da Iveco, em Minas Gerais (Adriano Fagundes/)Não é todo dia que se tem permissão para visitar linhas de montagem. Ainda mais em uma fábrica de veículos militares, cercada de barreiras, controles e sigilos acima do normal.A Iveco Defense abriu uma exceção, no entanto, e nos deixou visitar sua linha de montagem que fica na cidade de Sete Lagoas, Minas Gerais.A capacidade de produção da Iveco é de 120 unidades por ano (Paulo Campo Grande/Quatro... Leia mais
02 AGO
Citroën muda mais uma vez os equipamentos do C4 Cactus para clientes PCD

Citroën muda mais uma vez os equipamentos do C4 Cactus para clientes PCD

Cactus para PcD muda lista de equipamentos duas vezes apenas em 2019 (Divulgação/Citroën)Pela quarta vez a Citroën muda os equipamentos do C4 Cactus para PCD. A nova versão do Feel Business 2020 agora tem mais quatro novos recursos: controlador de velocidade, roda de liga leve 17”, comando de som no volante e farol de neblina.Lembrando que na época do lançamento, em 2018, a QUATRO RODAS destacou a lista de equipamentos caprichada do SUV que continha o farol de neblina e a roda de liga... Leia mais
02 AGO
Às vésperas de mudar, Chevrolet Prisma tem vendas recordes em julho

Às vésperas de mudar, Chevrolet Prisma tem vendas recordes em julho

Às vésperas da estreia da nova geração, o Toyota mantém suas vendas em alta (Divulgação/Chevrolet)O Chevrolet Onix segue inabalável.Em julho, o compacto teve 20.071 unidades emplacadas, de acordo com a Fenabrave. Logo na sequência, o Hyundai HB20 (9.205) retornou ao segundo lugar, deixando a terceira posição para o Ford Ka (9.076 unidades).A surpresa está na quarta posição, ocupada pelo Chevrolet Prisma. O sedã compacto, que seguirá à venda apenas na versão de entrada Joy... Leia mais
02 AGO
Citroën C4 Cactus para PCD ganha equipamentos e sai por R$ 55.228, com isenções

Citroën C4 Cactus para PCD ganha equipamentos e sai por R$ 55.228, com isenções

O Citroën C4 Cactus passou por sua terceira mudança em menos de um ano para a configuração Feel Business, disponível para o público PcD (Pessoas com Deficiência). Na linha 2020, o modelo ganha mais equipamentos, mas mantém o preço final de R$ 55.228, já com as isenções de IPI e ICMS. Entre os equipamentos de série, o C4 Cactus para PCD adiciona rodas de liga leve aro 17, faróis de neblina, piloto automático e volante com comandos multimídia. Anteriormente, a lista... Leia mais
02 AGO
Polícia constata plágio de Ferrari em réplica apreendida em Cachoeira Paulista, SP

Polícia constata plágio de Ferrari em réplica apreendida em Cachoeira Paulista, SP

A Polícia Civil conclui o inquérito que apurava o plágio de uma réplica de Ferrari produzida por um dentista no quintal de sua casa em Cachoeira Paulista (SP). O protótipo foi apreendido em janeiro a pedido da montadora italiana. Para a polícia, apesar do carro “não reproduzir a qualidade real do original”, ficou constatado o plágio. A Ferrari pediu que o veículo seja destruído, mas isso ainda depende da Justiça. A Ferrari modelo F-40 foi ‘construída’ por Vitor... Leia mais