Novidades

18 FEV

Airbus A380: cinco ligações do maior avião do mundo com os automóveis

O maior avião de passageiros do planeta dará adeus à linha de montagem após 20 anos (Airbus/Divulgação)

O maior avião de passageiros do planeta teve seu fim decretado. O Airbus A380, que estreou em 2005, sairá de linha em 2021 pelo mesmo motivo com que carros parem de ser fabricados: baixas vendas.

No caso do gigante, ao fim da linha terão sido produzidas 547 unidades, sendo que duas já estão sendo desmontadas após 10 anos de uso — um período muito curto para uma aeronave como essa.

Atualmente 234 unidades foram entregues, e 232 ainda operam (Airbus/Divulgação)

Além de impressionar quando visto de perto, o A380 exigiu um plano de logística e desenvolvimento nunca antes visto na história da Airbus. Isso incluiu envolver uma cadeia de dezenas de fornecedores, muitos deles com ligações na indústria automotiva.

Os 79,7 metros de envergadura e 276 toneladas também transformaram o gigante em uma referência para recordes, incluindo os com veículos.

Por conta de toda essa história, QUATRO RODAS elencou a seguir as cinco principais ligações do A380 com os carros.

1 – Pneus

Os pneus do A380 são feitos pela Michelin e Bridgstone (Airbus/Divulgação)

Os compostos usados em aviões passam por situações extremas durante o voo. Primeiro, precisam sustentar, no caso do A380, mais de 20 toneladas cada um.

Após a decolagem, eles enfrentam uma altitude superior a 13.000 metros, com baixa pressão atmosférica e temperaturas inferiores a -55ºC.

Depois, eles precisam acelerar de 0 a 240 km/h de forma quase instantânea, no momento em que o trem de pouso toca o solo. Por conta disso, tanto a Michelin quanto a Bridgestone desenvolveram compostos específicos para o A380.

O A380 usa 22 pneus no total (Airbus/Divulgação)

O gigante usa 22 pneus, sendo 20 localizados no meio da fuselagem e dois no trem de pouso dianteiro. As medidas destoam dos números habituais entre os carros: 1400×530 R23 para os compostos principais e 1270×455 R22 para os frontais.

Os pneus mais traseiros do A380 também esterçam, para reduzir seu diâmetro de giro (Airbus/Divulgação)

A pressão nominal ultrapassa as 217 libras/pol², e os pneus usam nitrogênio, para mitigar a variação de volume ocasionada pelo ar pressurizado comum e evitar a condensação da umidade.

E, para reduzir o diâmetro de giro, os trens de pouso mais posteriores viram no sentido oposto ao das rodas dianteiras — como no novo Porsche 911 e diversos outros modelos.

As grande aeronaves usam rotores de carbono dentro das rodas (Jean-Patrick Donzey/Wikipedia)

Durante o desenvolvimento um avião passa por testes extremos, incluindo o RTO (sigla para decolagem abortada, em inglês).

Nele, o piloto acelera até a velocidade de decisão (limite antes que o avião obrigatoriamente tenha que decolar ou parar) e aciona os freios ao máximo.

O peso máximo de decolagem do A380 é de 575 toneladas, e parar toda essa massa exige 5 rotores de freio (equivalentes a pastilhas) de carbono em oito rodas.

Os freios são feitos pela Honeywell, grupo que também produz turbocompressores para carros por meio de sua divisão Garrett.

Os rotores de freio podem chegar a 1.800ºC após uma decolagem abortada (Chaoma/Divulgação)

O composto de carbono dos rotores, também usado em carros de corrida, fica mais eficiente com o aumento da temperatura. E isso é essencial para o A380, cujos freios podem passar dos 1.800ºC após uma frenagem de emergência.

O A380 pode usar motores GP7200 ou Rolls-Royce Trent 900 (foto) (Airbus/Divulgação)

Os quatro motores (erroneamente chamados de turbinas) do A380 são um de seus destaques e seu principal calcanhar de Aquiles.

O consumo elevado dos Trent 900 foi um dos motivos pelo qual diversas companhias aéreas abriram mão do gigante em nome de aeronaves menores, mas mais eficientes.

Motores de avião possuem uma sequência de compressores e turbinas dentro deles (Airbus/Divulgação)

Os enormes motores de 2,95 metros de diâmetro são compostos por 15 compressores e sete turbinas, e cada um pode gerar até 83,8 mil libra/pé de empuxo – que equivalem a aproximadamente 76 mil cavalos -, dependendo da variação.

Eles são fabricados pela Rolls-Royce, uma das maiores fornecedoras de motores aeronáuticos do mundo. Até 1973 a empresa fazia parte do mesmo grupo responsável pela produção dos sedãs britânicos mais famosos do mundo.

Ao contrário dos Rolls-Royce de rua, os motores do A380 usam querosene de aviação (Airbus/Divulgação)

O conglomerado, no entanto, se separou, e apesar de ambas compartilharem o mesmo logotipo, a Rolls-Royce Motors (de propriedade da BMW) não tem mais vínculo com a Rolls-Royce Holdings.

A fuselagem do A380 mistura diferentes materiais (Airbus/Divulgação)

Assim como os carros, um avião deve ser o mais leve possível. Isso possibilita ter mais autonomia, capacidade e menor consumo de combustível.

A estrutura interna do trem de pouso é feita de titânio (Oliver Holzbauer/Wikipedia)

Para tanto, é necessário usar materiais nobres como aços de alta resistência, titânio e alumínio. Entre os fornecedores está a Alcoa, gigante norte-americana que também produz componentes de alumínio para automóveis.

O uso de diferentes tipos de metal permite à empresa optar por leveza e/ou resistência estrutural de acordo com a parte do avião onde a peça será aplicada.

O teste de estresse da asa inclui flexioná-la até o ponto de ruptura (Airbus/Divulgação)

Só que os testes de desenvolvimento de um avião envolvem procedimentos inexistentes na indústria automobilística. As asas, por exemplo, devem aguentar uma flexão 150% maior do ocasionado pelo mais extremo dos voos.

Todo avião deve possibilitar a saída de seus passageiros em até 90 segundos (Airbus/Divulgação)

Os metais da fuselagem também precisam atender a requisitos extremos de propagação de fogo.

Isso porque, para poder ser aprovado, o avião deve permitir que todos seus passageiros sejam evacuados em até 90 segundos com só metade das portas operando.

A Porsche um Cayenne a gasolina e outro a diesel para, separadamente, tirarem o A380 de seu hangar (Divulgação/Porsche)

Puxar objetos colossais é bom para o marketing, ainda mais se for para bater recorde. Por isso a Porsche, em 2017, usou um A380 para demonstrar a força do então novo Cayenne, nas versões a gasolina e diesel.

O A380 do recorde pesava, no recorde, 285 toneladas (Divulgação/Porsche)

O modelo usou seus 86,7 mkgf de torque (da versão turbodiesel) para rebocar a aeronave, que tinha 285 toneladas. O procedimento é impressionante e gera belas fotos, mas envolve mais estratégia do que força bruta.

No futuro as empresas não terão um avião tão grande para garantir mais recordes (Divulgação/Porsche)

Movimentar aviões exige muita força, mas ainda mais aderência.

Por conta disso, as máquinas que fazem o procedimento de tirar a aeronave do portão (pushback) contam com dezenas de toneladas de lastro para garantir o máximo de conta do pneu com o solo.

Com a saída do A380 de cena, porém, as fábricas terão que buscar um gigante menor, como o Boeing 747, para demonstrar a força de seus carros.

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

23 JUL
Mini estende recall por causa do estepe ao One e ao 5 Portas

Mini estende recall por causa do estepe ao One e ao 5 Portas

A Mini ampliou nesta quinta-feira (23) um recall que já havia convocado para o Cooper e agora se estende a 50 unidades do One e do Cooper 5 Portas, fabricadas em 2014. Há o risco de o estepe se desprender do carro e causar acidentes. Segundo a marca, uma falha na porca na chapa de fixação pode fazer o pneu se soltar: o estepe, no Cooper, fica abaixo do porta-malas, na parte inferior externa do hatch. Os 50 chassis não sequenciais envolvidos são: Mini One: de 3A07575 a 3A07576 e de... Leia mais
23 JUL
Volkswagen promoverá novo Up! turbo pelo Snapchat

Volkswagen promoverá novo Up! turbo pelo Snapchat

A Volkswagen anunciou nesta quinta-feira (23) que promoverá o lançamento do Up! TSI, com motor turbo de 105 cavalos de potência, também pelo Snapchat, rede social exclusiva de smartphones. As informações sobre o lançamento serão publicadas a partir das 12h da sexta-feira (24) pelo usuário "vwbrasil". Para receber as novidades, é preciso instalar o aplicativo Snapchat e adicionar o usuário à sua rede. No aplicativo, as postagens têm uma vida curta, de até 24 horas, e depois... Leia mais
23 JUL

Guia Prático #128: Você sabe a diferença entre torque e potência?

Você sabe a diferença de torque e potência? O que muda dependendo da quantidade de válvulas ou cilindros do motor? No Guia Prático desta quinta-feira, o engenheiro mecânico Denis Marum, colunista do Oficina do G1, tira dúvidas sobre o motor dos carros. Especialista explica também o que muda de um propulsor aspirado para um turbo. O Guia Prático é uma série de vídeos do G1 que reúne dicas de especialistas sobre mecânica, condução, segurança e tecnologia para carros e motos.... Leia mais
22 JUL
GM Classic esperou até a linha 2016 para ter direção hidráulica de série

GM Classic esperou até a linha 2016 para ter direção hidráulica de série

A grande novidade da linha 2016 do Chevrolet Classic é a direção hidráulica de série. A falta de um item considerado "comum" em modelos lançados mais recentemente nas faixas de entrada não era uma derrapada só do sedã da General Motors (GM). Atualmente, outros 7 modelos obrigam quem adquire a versão mais básica, e não quer pagar nada a mais, a fazer "musculação" na hora de manobrar: elas só contam com direção mecânica. São eles: Fiat Palio Fire (carroceria antiga),... Leia mais
22 JUL
Yamaha MT-07 ganha versão com visual retrô: a XSR700

Yamaha MT-07 ganha versão com visual retrô: a XSR700

A Yamaha revelou nesta quarta-feira (22) uma nova moto baseada na MT-07, por enquanto, para ser vendida na Europa, com forte apelo retrô. Chamada de XSR700, o modelo mantém a maior parte da base da MT, inclusive o motor de 2 cilindros e 74,8 cavalos de potência. As principais alterações estão no visual, com a adoção de um farol redondo em estilo mais clássico, além de tanque, assento e traseira diferentes. Com vendas previstas para começar em novembro no mercado europeu, a... Leia mais
22 JUL
De longe, hackers 'invadem' e controlam carro com jornalista dentro

De longe, hackers 'invadem' e controlam carro com jornalista dentro

Com o acesso à internet, a segurança digital de carros conectados é um novo motivo de preocupação para as montadoras. E dois hackers não vão descansar enquanto as montadoras não melhorarem os sistemas: Charlie Miller e Chris Valasek. Em reportagem com vídeo publicada no site da revista norte-americana "Wired", na última terça-feira (21), os dois invadiram e controlaram um Jeep Cherokee 2014, que era dirigido pelo jornalista Andy Greenberg, em uma rodovia a quilômetros de... Leia mais