Novidades

15 FEV

Impressões: RAM 1500, a picape grande que qualquer um poderá dirigir

Rebel é a 1500 mais invocada, pois traz para-choque proeminente e grade em preto fosco com um “bigode” (Divulgação/Ram)

Vem ni mim, Dodge RAM”, canta um desses sem-número de cantores sertanejos universitários de sucesso efêmero.

O singelo verso revela duas coisas: primeiro, o quanto o brasileiro fetichiza as picapes da fabricante pertencente ao grupo FCA; segundo, que a relação da RAM com o Brasil é tão distante que, mesmo nove anos depois de a marca ter sido emancipada, por aqui ainda se acredita que ela é nada mais do que um modelo vinculado à Dodge.

Pois a FCA quer estreitar essa relação e expandir a presença da RAM no país nos próximos anos.

No fim do túnel está uma picape do porte da Toyota Hilux, ainda a ser desenvolvida. Só que antes de chegar lá a empresa precisa de um meio-termo entre esse futuro modelo e a pouco acessível 2500, que demanda CNH da categoria C. É aí que entra na jogada a nova geração da RAM 1500.

Pneus 275/70 R18 são voltados ao uso off-road (Divulgação/Ram)

Do porte de uma Ford F-150 – maior do que Hilux, Chevrolet S10 e Cia., portanto –, ela poderá ser conduzida como um comercial leve comum, com habilitação tipo B e nenhuma restrição para uso em ambientes urbanos.

A cúpula da FCA já definiu que ela chega ao Brasil importada dos EUA entre o fim de 2019 e o primeiro trimestre do ano que vem.

“Se quisermos ter sucesso no Brasil, precisamos expandir nosso portfólio”, admitiu Bob Hegbloom, presidente global da marca RAM, em conversa com a QUATRO RODAS no Salão de Detroit 2019.

Mas por que decidir levar a 1500 só agora, após a chegada da geração mais recente? “A 1500 antiga demandaria muitas alterações de projeto. A nova foi pensada globalmente e pode ser homologada de modo mais fácil.”

Painéis trazem o caráter mais animalesco da RAM 1500 Rebel (Divulgação/Ram)

Entretanto, precisaremos aguardar a chegada de uma versão com motor V6 3.0 turbo diesel, já usado pelo Jeep Grand Cherokee, mas que está sendo profundamente atualizado para surgir com novos dados de potência e torque na linha 2020 da picape.

É por isso que o cronograma de lançamento pode sofrer algum atraso. E é por isso, também, que versões e preços ainda não foram definidos, embora possamos apostar numa faixa entre R$ 200.000 e R$ 250.000.

Enquanto a 1500 a diesel não surge, duas configurações a gasolina já são vendidas nos EUA: V6 3.0 Pentastar de 305 cv e V8 5.7 Hemi de 395 cv. Neste segundo caso, estamos falando do mesmo bloco que empurra o icônico Challenger Hellcat.

É claro que, para que ele fosse instalado na picape, a calibração de diâmetro e curso teve de ser repensada, focando torque. Por isso, na 1500, o V8 rende 395 cv e 56,7 mkgf.

O MONSTRO VISTO DE PERTO

Foi exatamente a 1500 V8 Hemi que QUATRO RODAS conheceu nos EUA. A experiência valeu para conferir de perto alguns detalhes do monstro. A versão escolhida foi a Rebel, que na minha opinião é a mais invocada da gama.

Afinal, ela troca o excesso de cromados da versão de topo, Laramie, por uma grade em preto fosco estilizada com um “bigode” que desvia da insígnia da marca, além de para-choque mais proeminente.

A primeira percepção: apesar de menor que a 2500, a 1500 ainda é grandalhona demais para os padrões brasileiros. São quase 6 metros de comprimento e mais de 2 metros de altura, sem falar nos 14,1 metros de diâmetro de giro (contra os cerca de 13 oferecidos por picapes médias como Fiat Toro, Hilux, S10 e VW Amarok, que já não são lá os veículos mais fáceis de manobrar em nossas terras). Haja esforço para esterçá-la numa rua mais apertada ou estacioná-la numa vaga de shopping…

Bancos têm faixas estilizadas em vermelho para confirmar a “rebeldia” da nova geração da picape (Divulgação/Ram)

É claro que seu uso parece mais adequado a quem frequenta mais estradas e regiões rurais. O V8 demonstra ótimo fôlego para tirar o pesadão veículo de 2,5 toneladas da imobilidade. Esperamos que o vigor fique ainda mais acentuado na 1500 turbo diesel, que deve passar de 60 mkgf na nova especificação.

O câmbio, automático de oito marchas da ZF, mostra-se bem eficiente e permite que o condutor selecione a faixa de marchas na qual quer trafegar.

Os pneus Goodyear Wrangler DuraTrac 175/70 R18 criam um belo impacto visual e indicam boa capacidade off-road, mas não tivemos tempo de levá-los até o barro. Talvez na terra a picape ficasse mais feliz do que nas ruas asfaltadas de Detroit. Todavia, é preciso dizer que ela traz tração 4×4 com reduzida, diferencial traseiro blocante e controle de velocidade em declives.

Espaço é o que não falta na RAM 1500 Rebel (Divulgação/Ram)

Também oferece, opcionalmente, suspensão pneumática capaz de mudar a altura livre do solo em quatro níveis. Com isso, são variáveis os ângulos de entrada (entre 14,6 e 23,3 graus), saída (22,4 a 27,2 graus) e ventral (16,2 a 23 graus), de acordo com a conveniência.

Independentemente do ajuste da altura, o ponto H é muito elevado, fazendo com que a posição de dirigir lembre vagamente a de um caminhão. Só não dá para reclamar de espaço e conforto: bancos dianteiros têm regulagem elétrica e transferem boa sensação de conforto.

Os 2,08 metros de largura podem ser terríveis para rodar numa via de faixas apertadas, mas são ótimos para que cinco passageiros convivam sem bater os ombros. Basta observar a distância entre os bancos dianteiros. Ainda, há quase quatro palmos de vão para pernas entre as fileiras dianteira e traseira.

Se a cabine é tão ampla, a FCA deveria usado um ar-condicionado com terceira zona de climatização. O sistema é digital e bizona, mas quem senta atrás demora um bocado a sentir seus efeitos. Para aguentar um frio como o do inverno de Detroit, bancos dianteiros e volante dispõem de aquecimento, item dispensável em muitas áreas do Brasil.

Não espere tanto da capacidade de carga da caçamba: são só 816 kg (Divulgação/Ram)

A central multimídia de 8,4 polegadas utiliza a mesma tela do nosso Jeep Compass, porém com processador mais rápido e melhor resolução. Só que a imprecisão do navegador GPS fez nossa reportagem se perder mais de uma vez no caminho. Na versão Laramie há uma tela maior, tipo tablet, de 12 polegadas.

E não espere tanto da caçamba: são 816 kg de capacidade, menos do que as picapes médias vendidas no Brasil suportam. Ao menos ela permite incluir acessórios como capota marítima, uma pequena cerca que divide o compartimento ao meio e até dois pequenos porta-objetos fechados nas laterais.

Vale lembrar: a 1500 precisa alcançar 1tonelada de capacidade para ser vendida com motor a diesel no Brasil.

A 1500 é mais estilo que funcionalidade, de fato, mas tem tudo para mostrar que uma RAM é puramente… RAM.

Preço: US$ 55.925 (nos EUA)

Motor: gasolina, dianteira, longitudinal, V8, supercharger, 16V, 6.654 cm3, 395 cv a 5.600 rpm, 56,7 mkgf a 3.950 rpm

Câmbio: automático, 8 marchas, tração 4×4

Suspensão: duplos triângulos sobrepostos (dianteira) e multilink (traseira), amortecedores pneumáticos

Freios: disco ventilado (dianteira e traseira)

Direção: elétrica

Pneus: 275/70 R18

Dimensões: comprimento, 591,6 cm; largura, 208,4 cm; altura, 202,3 cm; entre-eixos, 367,2 cm; peso, 2.404 kg; caçamba, 816 kg

Desempenho: n/d

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

03 JAN
Usar Waze poderá render multa de US$ 200 nos EUA

Usar Waze poderá render multa de US$ 200 nos EUA

Quem gosta de usar o Waze terá que ficar atento com a rota dada caso esteja nos arredores de Nova York (Divulgação/Internet) Aplicativos como o Waze tornaram-se populares nas grandes cidades por desviarem os motoristas dos engarrafamentos. Mas eles também estão provocando um efeito colateral: o aumento do trânsito em bairros pequenos e ruas vicinais. Na cidade de Leonia, em Nova Jersey (Estados Unidos), a situação ficou tão séria... Leia mais
03 JAN
Longa duração: Cruze tem recursos eletrônicos mal aproveitados

Longa duração: Cruze tem recursos eletrônicos mal aproveitados

Marcos: “Raramente uso o sistema de auxílio em manobra” (Renato Bizzutto/Quatro Rodas) Quando compramos nosso Cruze, em outubro de 2016, pagamos R$ 10.460 pelo pacote de opcionais R7F, chamado informalmente pela GM de LTZ-2. O kit, exclusivo da versão LTZ, inclui alerta de colisão, assistente de manutenção de faixa, farol alto adaptativo, alerta de veículo no ponto cego, carregamento de celular por indução, sistema de... Leia mais
03 JAN
Conheça uma das maiores coleções de Cadillac do país

Conheça uma das maiores coleções de Cadillac do país

São 65 modelos, quase todos americanos (Leo Sposito/Quatro Rodas) Em uma cidade do interior paulista, chego a uma bonita casa, que parece abrigar uma família. Ao entrar, porém, me surpreendo com a cena – nada lembra uma residência.Parece um cenário de filme: o interior reproduz uma lanchonete americana dos anos 50, decorada com jukebox, lambreta e bar temático. Mas o melhor ainda estava por vir: protegido por uma porta de vidro, um... Leia mais
02 JAN
VW Fox 1.6 tem redução de preços e fica mais barato que o Up!

VW Fox 1.6 tem redução de preços e fica mais barato que o Up!

Fox Connect 1.6 passou a custar o mesmo que um Polo 1.0 (Divulgação/Volkswagen) A Volkswagen alterou sua tabela de preços às vésperas do Ano Novo. Gol, Voyage, Up!, Golf, Saveiro e SpaceFox ficaram até R$ 2.620 (caso do Golf GTI) mais caros para 2018. Mas o Fox foi no sentido oposto e teve redução de até R$ 4.760 na tabela. Vale explicar a situação do Fox. Foi só lançar o Polo que a VW trocou todas as versões do Fox (inclusive... Leia mais
02 JAN
Impressões: Porsche Cayenne, tecnologia e força

Impressões: Porsche Cayenne, tecnologia e força

O novo Cayenne disfarça o quão tecnológico ele é (Divulgação/Porsche) Aos quinze anos e 770.000 unidades vendidas desde o nascimento, em 2002, o Cayenne chega à sua terceira geração. As mudanças mais facilmente notadas remetem ao 911, o cupê que é a alma da Porsche. No entanto, o novo conteúdo tecnológico dá uma ideia mais aproximada do quão acentuado foi o avanço. Duvida? A Porsche apostou alto com o Cayenne. “Como pode... Leia mais
02 JAN
Uso severo, o inimigo oculto que maltrata seu carro

Uso severo, o inimigo oculto que maltrata seu carro

Trânsito pesado: clássico caso de uso severo (Carlos Hauck/Quatro Rodas) Muito se fala em uso severo do carro. No manual do proprietário, ele até é usado para definir o intervalo de revisão, que nessas condições costumam ser feitas na metade da quilometragem-padrão. Porém, não há unanimidade sobre o tema, já que cada fabricante tem seus parâmetros de projeto dos veículos. Mas há conceitos que a indústria e especialistas... Leia mais