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06 JAN

Promotoria japonesa quer confissão de Carlos Ghosn para libertá-lo, diz filho

O Ministério Público do Japão quer que Carlos Ghosn, líder da Nissan e da Renault, confesse sua culpa para deixar a prisão, revelou um dos seus filhos neste domingo (6).

Em entrevista ao semanário francês Le Journal du Dimanche, Anthony Ghosn, de 24 anos, disse que a confissão teria de ser escrita em japonês, idioma que o pai não tem domínio.

O executivo foi preso em 19 novembro sob a acusação de ocultar pagamentos milionários e cometer irregularidades fiscais. Anthony ainda não foi autorizado a ver o empresário na prisão e só recebe notícias do pai por meio dos advogados japoneses.

"(Carlos) Está disposto a se defender com força e está muito concentrado no objetivo de responder às acusações", mas ao mesmo tempo se mostra "muito tranquilo". Anthony acrescentou que Carlos pode negar as acusações ou "confessar e ser libertado".

Desde que foi preso, o executivo já perdeu dez quilos, segundo Anthony. Ele também disse que as condições da prisão também "não são muito" boas.

"Mas leva-se tudo isso como um desafio", acrescentou Anthony, antes de dizer que, pelo funcionamento do sistema judicial japonês, o promotor do caso comunica pouco a pouco os elementos acusatórios, de modo que a defesa ainda "não pode ter uma visão completa do dossiê".

Encontro com juiz

Na próxima terça-feira, Carlos Ghosn comparecerá pela primeira vez diante de um juiz, depois que seus advogados solicitaram uma audiência para conhecer as acusações.

Anthony considera que essa audiência será "muito importante" porque, pela primeira vez, poderá dar sua visão dos fatos. Ele também diz que o pai só terá dez minutos para falar, mas "todo mundo ficará bastante surpreso ao ouvir sua versão."

Perguntado sobre a imagem pública de seu pai como uma pessoa interessada pelo dinheiro, o filho assegurou que ela não corresponde à realidade.

"É um homem bastante profundo que ocupa seu tempo livre aprendendo coisas novas. Sempre nos disse que o dinheiro não é mais do que um meio para ajudar aos que queremos", argumentou, antes de insistir que "não é obsessivo pelo dinheiro".

Fonte: G1

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