Novidades

25 DEZ

Jeremy Clarkson: Mini 1499 GT, tão manco quanto um cabrito

A Mini fez só 1.499 unidades porque sabe que não venderá nenhuma (Divulgação/Mini)

Quando o novo Mini 1499 GT chegou ao meu escritório, com suas faixas chamativas, grandes rodas pretas e espelhos externos com a bandeira britânica estilo John Player Special, fiquei empolgado.

Não sabia nada sobre o que a BMW fez para criar esse carro com visual lindo. Apenas que ele estava cutucando o pequeno garoto que ainda vive dentro da minha cabeça.

Em resumo, ele foi desenhado para evocar o antigo Mini 1275 GT, de 1969, que não foi bem recebido na sua época – seu público não gostou do carburador único.

Mas naquele tempo eu não sabia o que era carburação simples. Eu simplesmente gostava do visual. E sempre gostei dos Mini, pelo modo como eles andaram bem pelos esgotos de Turim, no filme Um Golpe à Italiana

Sim, o Cooper era provavelmente um carro melhor, porque ele tinha todas as coisas que os motoristas queriam. Mas ele não tinha faixas laterais. Já o 1275 GT tinha e era isso. E assim também é hoje. Exceto pelo idiota Mini Countryman, também sempre gostei do “novo” Mini.

Sei que ele não é muito pequeno – tem um entre-eixos maior do que o do Land Rover Discovery antigo – e que o estilo é, em parte, esperto. Mas, meu Deus, é uma coisa adorável de dirigir. Não importa se for o básico ou o topo de linha: ele é divertido em estradinhas do interior, econômico, divertido de usar e prático. 

O único pequeno problema é a velocidade de cruzeiro. Todos os automóveis têm uma velocidade na qual os componentes trabalham em um ritmo harmonioso. Em um Porsche 911, por alguma razão, é cerca de 80 km/h. Mas no Mini, se você ficar sonhando acordado e deixar o carro buscar esse ritmo, a velocidade é de 180 km/h, boa para ter a carteira de motorista suspensa. 

Eu estava pronto para prestar atenção ao 1499 GT porque ele atinge em cheio todos os pontos que costumavam ser importantes quando minha paixão pelos carros estava florescendo. Além dos detalhes externos, ele tem grandes e profundos bancos dianteiros estilo rali, suspensão mais dura e um volante tipo botão de camisa John Cooper. 

Daí eu cheguei à parte de fato inteligente: o motor. Porque nele eu achei o que parecia ser o que há de mais engenhosa no carro. É o mesmo motor que equipa o básico Mini One, com um 1.5 turbo de três cilindros. Gera 102 cv, quase o que você tem em um liquidificador, e leva o carro a uma velocidade máxima desconhecida, porque ninguém tem tempo suficiente na vida para andar nele enquanto esse carro grande com seu motor minúsculo luta para chegar lá.

De 0 a 100 km/h leva mais de 10 segundos, o que é bem rápido se você estiver vivendo em 1928, mas meio chocho nos dias de hoje.

E por que é inteligente? Porque ele tem bancos de rali, aderentes pneus Dunlop SportMaxx RT2 e faixas que passam a ideia de velocidade. Mas que faz 25 km/l e tem seguro barato o suficiente até para quem tem 18 anos. Só tem um problema: esse carro não dá liga. Na verdade, é difícil achar a palavra exata. Mas “horrível” chega bem perto. 

O primeiro dos vários problemas é a suspensão mais dura, que permite ao carro fazer curvas em velocidades com que, graças ao motor fraco, você só pode sonhar. O ponto negativo é que ele pula mais do que um cabrito chucro. É tão desconfortável na cidade que é melhor ir a pé.

Seu 1.5 turbo de três cilindros não passa de 102 cv (Divulgação/Mini)

E o jeito que ele acelera também não é legal. A não ser que você jogue o giro lá em cima, ele sai de um acesso à via principal como um galho preso em curva de rio. Parte disso é consequência das marchas muito longas, o que cria outro problema nas rodovias: subidas acentuadas.

A não ser que esteja pronto para mexer a alavanca de câmbio como se estivesse fazendo ovos mexidos, você ficará confinado à “faixa dos perdedores” – e mesmo ali você será um incômodo para os caminhões.

Eu não ligo em ter um carro pouco potente se ele for efervescente e vívido e responder a uma tocada mais animada. Mas o Mini não responde. Ele parece lerdo, como um rapaz fora de forma em uma corrida cross-country. Ele pode ter o kit ideal e os melhores tênis esportivos, mas no fim das contas não faz diferença. Ele chegará em último.

Mas, infelizmente, tem mais: os grandes bancos dianteiros. Sim, eles são bons de sentar, mas roubam quase todo o espaço para as pernas de quem for atrás.

E, se alguém no banco de trás ficar com o estômago embrulhado – e este é um carro para jovens que vão a baladas e festivais, então isso é provável –, de jeito nenhum essa pessoa vai conseguir sair antes de chamar o Hugo.

Aparentemente, o 1499 GT é uma edição especial limitada. Apenas 1.499 serão produzidos. Provavelmente porque a Mini sabia muito bem que ele não venderia. Mas ela vai continuar com todos quando a produção acabar.

Mas se você está interessado em um carro dessa categoria não se preocupe, porque há muitas alternativas. Em primeiro lugar há o Mini One, que não finge ser algo que não é, não vai fazer suas obturações caírem e não tem bancos mal pensados. 

E também tem o Volkswagen Up! GTI. Ele não é tão prático quanto o Mini, mas ao preço de 13.755 libras (R$ 71.600) ele custa 3.000 a menos. Temos então o Ford Fiesta ST-Line.

Ele tem um motor de apenas 1 litro, mas que entrega 140 cv, o que significa que ele pode lidar com subidas moderadas com facilidade. E, por fim, se expandirmos os horizontes, há o Citroën C3 Aircross. Esse é um automóvel muito, mas muito melhor do que você poderia imaginar. E também encantador.

Resumindo, há muitas opções se você quiser um carro pequeno com visual esportivo. O Mini 1499 GT, no entanto, não é uma delas.

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

09 ABR

Mulher de Ghosn deixa Japão com ajuda da França e denuncia ameaças

A mulher do ex-CEO da Renault, Carlos Ghosn, Carole Ghosn, decidiu ir embora do país depois da detenção do marido na quinta-feira (4), dizendo se sentir “em perigo”. A Justiça japonesa queria interrogá-la “na base do voluntariado”, segundo a imprensa local. Ela contou com a ajuda do embaixador da França para deixar a capital japonesa. De acordo com a agência Kyodo, parte do dinheiro que teria sido desviado por Carlos Ghosn, segundo as acusações da promotoria japonesa,... Leia mais
09 ABR

Ducati Panigale V4 R, de 221 cv, é lançada por R$ 250 mil

A Ducati anunciou o início das vendas da Panigale V4 R no Brasil, sua moto mais poderosa da atualidade. Desenvolvida com base no modelo utilizada nas pistas da MotoGP, a esportiva tem motor que pode chegar a 234 cavalos, com kit para pistas, e até "asas" para a aerodinâmica. O modelo é a versão mais radical da Panigale V4, lançada em 2017 para substituir a 1299 Panigale. Para comprar a moto, o interessado deve fazer a encomenda em uma das concessionárias da empresa e pagar 20%... Leia mais
09 ABR

Governo pretende aumentar para 40 pontos limite para suspensão da CNH, diz ministro

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, disse nesta terça-feira (9) que o governo pretende aumentar para 40 pontos o limite para o motorista ter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa. Hoje, o motorista tem a carteira suspensa ao completar 20 pontos de infrações no período de um ano. A mudança na legislação será proposta pelo governo em um projeto que deve ser enviado ao Congresso nesta semana. No mesmo projeto, o governo vai propor ainda a... Leia mais
09 ABR

FCA apela à Tesla para escapar de multas por emissões na Europa

Modelos da Tesla compensarão emissões de Fiat, Jeep, Alfa Romeo e Maserati (Tesla/Divulgação)Passar os pontos de uma multa para outra pessoa a fim de evitar a perda da CNH é ilegal. Mas contabilizar as vendas de outra marca para evitar multas ambientais é permitido na Europa.É isso que a FCA fará. A fabricante ítalo-americana concordou em pagar milhões de euros à Tesla para que seus carros elétricos sejam contabilizados por ela nas metas de emissões do continente.Pelas regras... Leia mais
09 ABR

Em vídeo, Carlos Ghosn afirma que é inocente e acusa diretores da Nissan de traição

Carlos Ghosn, ex-presidente da aliança Renault-Nissan, repetiu que é inocente em um vídeo de 7 minutos divulgado nesta terça-feira (9) e gravado antes de sua nova detenção, que aconteceu na última quinta-feira (4), ao mesmo tempo que acusou os diretores da Nissan de "traição". O principal advogado do executivo, Junichiro Hironaka, anunciou que apresentará na quarta-feira (10) um recurso à Suprema Corte para solicitar a libertação de seu cliente. "Não é uma história... Leia mais
09 ABR

Segredo: quais carros de Fiat e Jeep vão usar motores 1.0 e 1.3 turbo

Toro, Renegade, Compass e Argo terão motores Firefly turbo (Arte/Quatro Rodas)O grupo FCA segue firme no desenvolvimento dos motores 1.0 e 1.3 turbo flex da família Firefly, que equiparão praticamente toda a gama de produtos das marcas Fiat e Jeep vendidos (e produzidos) no Brasil a partir de 2020.QUATRO RODAS já apontou que será a picape compacta-média Toro a responsável por fazer a estreia da família bicombustível turcomprimida no país.Diferentemente dos propulsores Firefly... Leia mais