Novidades

13 DEZ

OMC mantém parte da condenação ao Brasil por programas de incentivo à indústria

Em decisão divulgada nesta quinta-feira (13), a Organização Mundial do Comércio (OMC) manteve parte das condenações ao Brasil por programas de subsídios à indústria, mas aliviou algumas punições da decisão anterior. A decisão é resultado de uma apelação do Brasil, que foi condenado em 2017 pela OMC em ação movida pela União Europeia e pelo Japão.

O Japão e a União Europeia abriram queixa contra 7 programas do governo brasileiro que davam incentivos fiscais a alguns setores (entenda cada um deles mais abaixo). Entre eles, 5 tiveram a condenação mantida - embora a OMC tenha mudado algumas conclusões sobre eles. Em outros 2, a OMC aceitou a apelação brasileira.

Também foi revertida a decisão que dava ao Brasil prazo de 90 dias para implementar as determinações da Organização.

A maior parte dos programas questionados é do governo de Dilma Rousseff, sendo que parte deles já foi encerrada. Agora, o próximo governo, de Jair Bolsonaro, terá que rever os programas ainda em andamento para evitar retaliações por parte de outros países após a decisão da OMC.

As reclamações eram de que os programas violam acordos internacionais de comércio dos quais o Brasil faz parte, prejudicando assim a competitividade de outros países no mercado.

As medidas atingem principalmente os setores automobilístico e de informática.

Veja abaixo os 5 programas que tiveram a condenação mantida:

Manteve condenação, mas restringiu o alcance das determinações de que são subsídios proibidos:

  • Lei de Informática (programa iniciado em 1991) e legislação derivada;
  • Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Equipamentos para a TV Digital (PATVD);

Manteve condenação, mas reverteu decisão de que são subsídios proibidos:

  • Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (PADIS);
  • Programa Inclusão Digital;
  • Programa Inovar-Auto

Veja abaixo os 2 programas que tiveram a apelação aceita:

  • PEC (Programa destinado a empresas predominantemente e exportadoras)
  • RECAP (Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras)

Entenda os programas brasileiros que foram alvo de reclamação na OMC:

Inovar-Auto - Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores

  • O programa dá crédito presumido para empresas que produzem veículos no país e apresentem projetos de investimento. Na prática, medida impõe sobretaxa de até 30 pontos percentuais para o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de veículos importados
  • Encerrado

Lei de Informática

  • Uma combinação de medidas iniciadas em 1991 e modificadas em 2001, 2004 e 2014, ofereceu redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e outros incentivos fiscais para produtores de hardwares, automação industrial e telecomunicações
  • Em vigor

PATVD (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Equipamentos para a TV Digital)

  • Programa reduziu a zero a alíquota de impostos de importação de insumos para fabricação de TVs digitais
  • Extinto

Programa de Inclusão Digital

  • Medida concedeu isenção do PIS/Cofins sobre a venda no varejo de computadores, tablets, modems, roteadores e smartphones.
  • Extinto

RECAP (Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras)

  • Suspendeu a cobrança de PIS e Cofins na compra de máquinas e equipamentos de empresas altamente exportadoras
  • Em vigor

PADIS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores e Displays)

  • Medida reduziu a zero a alíquota de impostos de importação de insumos para fabricação desses produtos
  • Em vigor

PEC (Programa destinado a empresas predominantemente e exportadoras)

  • Medida isenta impostos de compra de insumos para empresas exportadoras
  • Em vigor

Repercussão

Analistas ouvidos pelo G1 afirmam que, apesar da manutenção das 5 condenações, a decisão da OMC foi positiva para o Brasil.

Para a especialista em comércio internacional e sócia do Barral M Jorge Consultores Associados, Renata Amaral, a decisão da OMC foi surpreendente e “bastante positiva” para o Brasil.

“Antes todos os sete programas questionados pela UE e Japão haviam sido condenados, e agora houve uma reversão significativa”, afirma Amaral.

Segundo Amaral, a absolvição do PEC e do RECAP tem um impacto significativo, uma vez que eles abrangem vários setores da economia. “O PEC inclui mais de 500 empresas brasileiras, daí é possível ver a relevância dessa decisão”.

Victor Bovarotti Lopes, sócio do Demarest que atuou pelo lado do governo junto a Confederação Nacional da Indústria (CNI), também comemorou a decisão sobre o PEC e RECAP.

Outro aspecto benéfico foi a retirada do prazo de 90 dias para o Brasil tomar providências. Amaral aponta que, com a nova decisão da OMC, não há mais um prazo estabelecido e o país poderá negociar. "A decisão é muito importante para o Brasil porque permite a manutenção dos programas PEC e RECAP, que minimizam o acúmulo de créditos fiscais por empresas preponderantemente exportadoras", comenta.

Para Jason Vieira, economista chefe da Infinity Asset, a decisão não significa um problema para o governo Bolsonaro. “Eu acho que a repercussão para o próximo governo não poderia ser melhor. Pelo programa de governo do [futuro ministro da economia] Paulo Guedes, a tendência é mesmo de abertura comercial”, comenta. “O Brasil tem tendência de não usar mais esse tipo de programa, porque parte deles tem um impacto fiscal.”

Sobre o possível impacto da extinção ou redução desses programas para os setores afetados, Vieira diz que o problema da indústria no país é estrutural – ou seja, a solução não viria dos efeitos de programas de incentivo.

“Nós temos um problema de produtividade no Brasil, e um segundo, mais grave, de infraestrutura. Isso você não resolve dando incentivos”, aponta Vieira.

“A indústria nacional está mal-acostumada com um patronismo muito grande por parte do Estado, e o processo de abertura comercial já é isso pra deixar isso de lado”, diz.

Fonte: G1

Mais Novidades

05 NOV
A 'guerra ao carro' que combate trânsito, melhora ar e cria polêmica em Paris há 15 anos

A 'guerra ao carro' que combate trânsito, melhora ar e cria polêmica em Paris há 15 anos

Há 15 anos a prefeitura de Paris vem empreendendo uma "guerra ao carro" que já teve como efeito melhorar o trânsito e reduzir a poluição do ar na capital francesa. Mas nem por isso as polêmicas perderam a intensidade. Desde a adoção de inúmeras ações para desestimular o uso de carros, em 2001, o número de veículos que circulam por dia na capital francesa já caiu em 28%. De lá para cá, 1 milhão de pessoas a mais passaram a utilizar diariamente os transportes públicos,... Leia mais
04 NOV
EUA querem rede de 'postos' a cada 80 km para carros elétricos

EUA querem rede de 'postos' a cada 80 km para carros elétricos

A Casa Branca anunciou na quinta-feira (3) planos para criar uma rede de 40 mil km para recarga de automóveis elétricos, com a qual espera estimular os motoristas a trocarem seus veículos a gasolina.  + DE AUTOESPORTESiga o programa nas redes sociaisfacebook.com/autoesportetvtwitter.com/g1carrosconsulte a tabela fipecarros de a-zmotos O Departamento do Transporte designará 48 rotas oficiais para veículos elétricos em autopistas que cobrem 35 dos 50 estados, com o objetivo de... Leia mais
01 NOV
Veja 10 carros e 10 motos mais vendidos em outubro de 2016

Veja 10 carros e 10 motos mais vendidos em outubro de 2016

A venda de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus novos no Brasil caiu 17,22% em agosto, comparando com o mesmo período de 2015, de acordo com os dados divulgados nesta terça (1) Fenabrave, a federação dos concessionários. O automóvel mais vendido foi o Chevrolet Onix, que também lidera o acumulado do ano. Entre as motos, a líder é a Honda CG 160, tanto no mês como no acumulado. Na lista dos carros mais vendidos, ainda aparecem o Hyundai HB20 em segundo e o Ford Ka em... Leia mais
29 OUT
Carros elétricos podem custar 10 mil empregos na Volkswagen

Carros elétricos podem custar 10 mil empregos na Volkswagen

Veículos elétricos possuem menos componentes do que os carros com motores a combustão, o que, segundo executivo, vai gerar milhares de cortes de vagas na montadora alemã nos próximos anos.  ESCÂNDALO NA VW Volkswagen é acusada de fraudar testesdescoberta e consequências'chefão' renuncianovo ceo assumerecall no brasil10 perguntas e respostas A Volkswagen planeja cortar mais de 10 mil postos de trabalho em todo o mundo nos próximos anos ao mudar o foco da empresa para a... Leia mais
28 OUT

AutoEsporte lembra Romi-Isetta e dá dicas para cuidar de carro preto

O AutoEsporte deste domingo (30) homenageia a Romi-Isetta, "prima" da lambreta, que caiu no gosto popular. Dentre as características do veículo fabricado há 60 anos, as mais marcantes são a porta frontal e as três rodas, em vez das quatro habituais. Além disso, as cores variadas da Romiseta, como é conhecida no país, encantaram os motoristas que circulavam pelas ruas do Brasil com o automóvel, originalmente italiano. Por falar em cor, a edição também apresenta dicas de como... Leia mais
26 OUT
Ford Fusion híbrido sobe para R$ 159.500 na linha 2017

Ford Fusion híbrido sobe para R$ 159.500 na linha 2017

Depois das versões "normais" em setembro, a Ford lançou nesta semana o Fusion Hybrid 2017 no Brasil. O modelo equipado com um motor elétrico e outro a combustão chega às concessionárias com preço sugerido de R$ 159.500, cerca de R$ 10 mil a mais que a linha 2016, vendida a R$ 149.900.  + DE AUTOESPORTESiga o programa nas redes sociaisfacebook.com/autoesportetvtwitter.com/g1carrosconsulte a tabela fipecarros de a-zmotos O sedã híbrido foi o veículo mais econômico do país até a... Leia mais