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12 AGO
General Motors aciona Justiça para pôr fim à greve em São José, SP

General Motors aciona Justiça para pôr fim à greve em São José, SP

A General Motors do Brasil acionou a Justiça nesta terça-feira (11) para impedir a continuidade da greve dos trabalhadores da unidade de São José dos Campos, interior de São Paulo. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, a greve abrange mais de 4 mil funcionários e uma retaliação as últimas demissões anunciadas pela empresa.

O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região marcou para a próxima segunda-feira (17), em Campinas, a primeira reunião que busca uma conciliação entre a empresa e o sindicato. No pedido a montadora argumenta que o Sindicato não concorda com a aplicação do Programa de Proteção ao Emprego (PPE) e que o movimento de greve não se justifica

Segundo a empresa, o sindicato se mobilizou para impedir o ingresso dos trabalhadores aos postos de trabalho, inclusive "com o uso de truculência e ameaças”. De acordo com o Sindicato, seria a empresa que estaria intimidando os funcionários. "Durante as assembleias, funcionários que exercem cargos de direção na GM estavam se colocando em meio aos funcionários para intimidá-los", disse Antônio Barros, conhecido como Macapá, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José.

A GM alega ainda que está cumprindo acordo coletivo celebrado com os representantes dos trabalhadores que, primeiramente, foi ajustada a suspensão dos contratos individuais de trabalho (lay off) de 473 trabalhadores, tendo havido a extensão para outros 325 empregados.

A empresa também sustenta que desde 2014 foram tomadas medidas para evitar a dispensa dos empregados, com o intuito de ajustar a mão-de-obra à produção, tendo sido concedidas férias, férias coletivas, licenças remuneradas, banco de horas, suspensão negociada dos contratos de trabalho, além de abertura de Planos de Demissões Voluntárias.

Em abril do ano passado, a GM encerrou o segundo turno de produção da caminhonete S-10, devido à crise econômica. Além da S-10, a unidade de São José produz ainda o modelo Trailblazer e chegou a empregar mais de 8 mil pessoas e até a última semana tinha cerca de 5 mil funcionários.

Demissões
Desde o último sábado (8), mais de 500 trabalhadores da GM foram demitidos. De acordo com a GM, os cortes atingiram todas as sete fábricas que funcionam em São José. Reginaldo Pereira trabalhava no setor de qualidade da fábrica da S-10 e recebeu nesta terça (11) um telegrama informando o desligamento.
 

“Tinha mais de 20 anos de fábrica. O que fizeram com a gente é quase desumano. Participei da assembleia na segunda-feira e no dia seguinte foi surpreendido. Não pude sequer pegar minhas coisas que estavam no armário”, disse.

Segundo o Sindicato, a decisão da empresa pelos desligamentos foi um golpe não só contra a entidade que representa os metalúrgicos, mas também contra todos os trabalhadores. “Foi uma demissão covarde que começou na véspera do dia dos pais, que vai contra todo processo de negociação que estávamos fazendo”, disse Antônio Barros.

Nesta quarta-feira (12), representantes do Sindicato e alguns trabalhadores demitidos se encontram com o prefeito Carlinhos Almeida (PT) para pedir apoio do governo municipal para pedir a revogação dos desligamentos na GM.

“Só há um caminho: a negociação. E ela deve ser feita mais às claras. A prefeitura já manifestou disposição para conceder incentivos ficais e proporcionar infraestrutura, desde que a empresa traga investimentos para a cidade”, afirmou o prefeito.

Carlinhos declarou ainda que vai apoiar os trabalhadores e vai fazer um apelo para que a GM suspenda as demissões em São José. “Deve ter também sensibilidade. Com certeza estas demissões trazem um impacto social muito grande”, salientou.

Fonte: G1

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