Novidades

04 JUN

Jeremy Clarkson: Citroën C3 Aircross é um presente de grego

Aircross europeu: uma geração à frente da versão nacional (Divulgação/Citroën)

Quando a tempestade Beast from the East (Fera do Leste) chegou ao Reino Unido, eu estava curtindo um fim de semana nas colinas de Cotswolds, bem no centro da Inglaterra.

Eu deveria ter ido para Londres na noite anterior ao meu voo para as Ilhas Seychelles, já que as pessoas explicaram que meu chalé, no topo de uma daquelas montanhas, estaria entre as primeiras vítimas do “inferno das nevascas assassinas”. Mas eu disse “Bah!” e as ignorei.

Foi um erro, porque quando acordei, o acesso ao meu chalé tinha 1,5 metro de neve.

E, assim, enquanto tentava fazer as malas com uma mão, eu telefonei em pânico para um fazendeiro local com a outra, perguntando se ele podia trazer seu trator.

“Não vai adiantar muito”, disse ele naquele jeito alegre de gente do campo, “porque mesmo se conseguir chegar à vila, dali você não vai a lugar algum”.

Eu tomei isso como um desafio, e fui dar a partida no meu fiel Range Rover de 11 anos de idade.

Mas ele decidiu que não gostava muito da ideia de descer uma ladeira com 1,5 metro de neve, e teve uma falha elétrica.

O que desativou o sistema off-road, e a partir daí tudo o que ele fazia era escorregar.

Felizmente, eu peguei emprestado naquela semana um Citroën.

Infelizmente, era algo chamado de Aircross, que é um mini-MPV urbano crossover off-road nos moldes do Kia Stonic, Hyundai Kona e meia dúzia de outros que você preferiria se suicidar a ter de comprar um.

Para tentar fazer com que se destaque no mar de horripilâncias, ele traz barras de teto laranja, placas de proteção grossas e molduras de para-lamas de aspecto robusto, mas tudo isso é meio como os calçados da Theresa May.

Muito engraçados, mas que não enganam ninguém.

Ele traz barras de teto laranja, placas de proteção grossas e molduras de para-lamas de aspecto robusto (Divulgação/Citroën)

Eles certamente não estavam me enganando, porque debaixo da pele o Aircross é, na verdade, um Vauxhall (marca que até pouco tempo atrás pertencia à General Motors, como é até hoje a Chevrolet no Brasil).

E é isso que você quer? Um Vauxhall com os calçados da Theresa May e que foi fabricado na Espanha? 

Nem você nem eu. E definitivamente não era o que eu queria naquela manhã enquanto a Fera do Leste criava grandes montes de neve.

Porque, embora o pequeno Citroën pareça ter tração nas quatro rodas, ele não tem.

E também não tem muita cavalaria sobrando, porque seu motor 1.2 de três cilindros foi projetado para diminuir os impostos que paga em Paris, não para enfrentar uma tempestade de neve.

Sim, graças a um turbocompressor, ele desenvolve 131 cv, que é mais do que você esperaria de um motor tão pequeno. Mas não ia ser suficiente.

mbora pareça ter tração 4×4, não tem. E não tem cavalaria sobrando, porque seu motor 1.2 foi criado para pagar menos imposto em Paris (Divulgação/Citroën)

Porém, eu não tinha alternativa. Assim, carregamos as malas e fiquei mexendo um pouco no sistema de controle de aderência, que eu supus ser um negócio para induzir as pessoas a pensar que esse pedacinho de arrogância europeia poderia tentar enfrentar trilhas por onde ele jamais passará, e fomos embora.

Como a estrada até a vila estava fora de questão, decidi pegar uma rota rural.

Imaginei que a maioria da neve teria sido soprada para os campos e as estradas estariam livres.

Também avaliei que, como estava muito frio, e porque essa parte do país é bem pedregosa, não haveria muita coisa grudenta para atolar o Citroën.

E, incrivelmente, o Aircross fez um bom progresso, sacolejando pela paisagem gelada, que mais parecia a Antártida. 

Logo chegamos a uma estrada com mais neve do que a de acesso ao chalé. E foi a mesma história na estrada seguinte. Mas finalmente cruzamos uma cerca viva e emergimos na vila, que parecia totalmente deserta.

Todos tinham seguido o conselho dos meteorologistas e ficaram em casa com a família, para aguardar a mão gelada da morte.

Mas pelo menos não havia montes de neve na saída da vila, por isso fomos em frente e logo chegamos à cidadezinha seguinte e então – alegria suprema – à estrada principal. Que estava bloqueada.

Um BMW – marca famosa por ter os piores carros para a neve do mundo – tentou subir uma colina não muito íngrime e falhou.

Isso fez surgirem vários entusiastas do fora de estrada, que estavam principalmente inventando coisas com cordas. 

Foi divertido ver mulheres estridentes que reclamam o ano todo de carros off-road andando na cidade implorando pela ajuda dos motoristas desses veículos.

Por outro lado, todo mundo ali riu do meu Citroën: diziam que, mesmo que o BMW fosse retirado, havia um caminhão encalhado e não tinha como passar por ele.

Tentamos outra rota, mas também estava bloqueada por um caminhão. As equipes estavam fazendo o melhor que podiam, mas era uma causa perdida.

Só havia uma opção: rumar para um terreno ainda mais alto, por uma pequena estrada vicinal.

Eu não tinha muitas esperanças, até porque um entusiasta do off-road me parou e disse que esse caminho encontrava-se intrafegável.

Porém, ele não estava levando em consideração o pequeno Citroën, que – em condições que estavam parando até trens – acabou passando. 

Havia muita coisa errada com ele. Os limpadores de para-brisa faziam um barulho horrível, os alertas sonoros eram altos demais e você não consegue desligar a função stop-start sem entrar em um submenu da tela de comando e controle.

Há muita coisa errada com ele, como o horrível barulho de limpadores, o alerta sonoro alto demais e a falta de botões (Divulgação/Citroën)

Mas leve em consideração que, ao não colocar um botão para essa função (ou para qualquer outra), a Citroën economizou algumas poucas libras, e isso é repassado para o cliente.

Se você quer um MPV crossover pequeno para uso urbano, o Aircross oferece um bom custo-benefício.

E, mesmo tendo um monte de coisas para incomodar seu proprietário em 362 dias do ano, ele é brilhante para os três dias em que temos neve.

Ele é, de longe, o melhor veículo off-road que já dirigi.

Mas como achei que ele não seria, cheguei às Ilhas Seychelles ainda vestindo meu casaco de caça de Cotswolds.

O cara da imigração deve ter achado que eu estava maluco.

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

29 JAN

Guia: conheça todos os carros híbridos e elétricos à venda hoje no Brasil

Aquele papo de demanda reprimida nunca ficou tão evidente como com os híbridos e elétricos. Bastou o governo anunciar o Rota 2030 com incentivos para tecnologias de eficiência energética para as marcas anunciarem novos modelos para o mercado. Mas você sabe quanto custa manter um híbrido? Quanto tempo leva para carregar aquele elétrico? Quanto consegue rodar com uma carga e quanto tempo leva essa carga? QUATRO RODAS elaborou um guia com os principais veículos, digamos, ecologicamente... Leia mais
28 JAN

Anúncio de medidas para superar crise preocupa funcionários da GM em Gravataí

Medidas anunciadas pela General Motors, dona da Chevrolet, para contornar a crise financeira deixaram os trabalhadores da montadora em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, apreensivos. O Sindicato dos Metalúrgicos pediu uma reunião de emergência com a direção da montadora, para entender a proposta da empresa. A reunião acontecerá nesta terça-feira (29), em São Paulo. E ainda marcou para as 5h30 da terça um protesto na frente da unidade. O sindicato representa... Leia mais
28 JAN

Ferrari processa brasileiro que tentou vender cópia da F40 por R$ 80.000

A cópia da F40 foi apreendida pela polícia civil (Arquivo Pessoal/Reprodução/Internet)A vida de construtores de réplicas alternativas no Brasil não está fácil. Depois de um pastor ver a patente de seu Lamborghini ser negada, agora um construtor teve sua “Ferrari F40” apreendida pela polícia.O dentista Vitor Estevan afirmou ao portal G1 que começou a construir o modelo há pouco mais de um ano. O protótipo foi feito misturando componentes de diversos carros — o volante, do lado... Leia mais
28 JAN

Novo Renault Clio é o hatch que o Sandero nacional deveria ser

Dianteira remete à geração anterior vendida na Europa (Ferd/Internet)Não fique triste: a quinta geração do Renault Clio está bem distante do Brasil. Mas isso não impede que a gente babe com as imagens recém-reveladas do hatch (e torça pela chegada ao país).Enquanto o painel foi mostrado oficialmente pelo fabricante, dianteira e traseira do modelo vazaram na página Ferd, dedicada aos segredos da indústria automotiva no Facebook.Painel recebeu componentes do Duster vendido na... Leia mais
28 JAN

Brasileiro ignora ameaça da GM e Chevrolet Onix vende tanto quanto antes

Chevrolet Onix vendeu mais de 13 mil unidades nas quatro primeiras semanas do mês (Divulgação/Chevrolet)O Chevrolet Onix continua soberano como carro mais emplacado no Brasil, sem qualquer sinal de abalo no ritmo de vendas, apesar das reações negativas nas redes sociais em relação à ameaça de a General Motors deixar o Brasil.QUATRO RODAS teve acesso ao relatório parcial de janeiro da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) até a última... Leia mais
28 JAN

Carro autônomo da Volvo recebe aval para testes mais avançados na Suécia

A Volvo conseguiu aval para começar a testar um programa de computação para carros autônomos na Suécia nesta segunda-feira (28) sem interferência do motorista. Segundo a empresa Veoneer, parceira da montadora sueca, a autorização foi para condução autônoma de nível 4 - o segundo maior nível. Ele permitirá que o carro da Volvo ande sozinho a uma velocidade máxima de 80 km/h. Por precaução, o veículo terá um motorista treinado a bordo, mas ele não colocará as mãos... Leia mais