Novidades

24 MAI

Impressões ao dirigir: Tesla Model 3, 100% elétrico e conectado

Preço parte de US$ 35.000. Na prática, porém, esse valor só existe no papel (Ulisses Cavalcante/Quatro Rodas)

Eu, se fosse dono de posto de combustível, estaria preocupado com o futuro do meu negócio. Ganhar dinheiro com gasolina está cada vez mais difícil – menos de R$ 0,20 vão para o bolso do empresário a cada litro vendido.

É pouco. Para deixar o caixa no azul, uma saída é instalar lojas de conveniência ou de serviços no fundo do terreno.

Mas ainda assim elas dependem do grande chamariz: a bomba de combustível para encher o tanque do seu veículo.

Design limpo tem pretensão de ser atemporal (Ulisses Cavalcante/Quatro Rodas)

Aqui vão alguns problemas para esse modelo de negócios: os carros estão cada vez mais econômicos, já há uma galerinha sem interesse em aprender a dirigir e, com híbridos e elétricos no horizonte, não fará mais sentido ter tantos postos espalhados pelo país.

Ok, isso ainda está longe de acontecer. Hoje, só 0,15% dos carros vendidos no Brasil são elétricos.

Coeficiente aerodinâmico de 0,23: possível sem a grade frontal (Ulisses Cavalcante/Quatro Rodas)

E essa escassez de carros totalmente elétricos nos leva ao Tesla Model 3.

É um sedã médio que só usa eletricidade, com um motor conectado ao eixo traseiro por meio de uma transmissão de relação única.

Durante o lançamento, ano passado, Elon Musk (dono da Tesla) afirmou que o sedã iria massificar a eletrificação, pois custaria US$ 35.000 – e prometeu que faria 20.000 unidades dele por mês até dezembro de 2017.

Motor instalado no eixo traseiro: 0 a 100 km/h em apenas 5,7 s (Ulisses Cavalcante/Quatro Rodas)

Musk, um ímã de investimentos, convenceu quase 400.000 interessados (ele arrematou US$ 1,2 bilhão para fazer o Model 3), mas não cumpriu nenhuma dessas promessas.

Menos de 2.000 carros foram entregues e todos – todos – custaram  entre US$ 50.000 e US$ 56.000.

Por ora, a Tesla só comercializa o Model3 com capacidade estendida, com bateria de 70 kWh, por US$ 9.000 extras.

O pacote opcional de US$ 5.000 é obrigatório, assim como o AutoPilot (outros US$ 5.000).

Sem chave, carro abre e liga com cartão (Ulisses Cavalcante/Quatro Rodas)

O cliente consegue apenas evitar o custo da pintura (US$ 1.000), escolhendo o tom preto. Ou os US$ 1.000 pelo jogo de rodas aro 19.

Por isso, sem contar isenções de impostos, o carro igual ao que você vê nestas fotos custa US$ 56.000. É o preço de um Audi RS 3 – nos Eua.

Recentemente Musk afirmou que será inviável comercializar o sedã pelos fantasiosos US$ 35.000, pois a Tesla não teria margem com esse preço inicial caso a maioria dos clientes optassem pela configuração mais básica.

Todo o veículo é controlado por meio da tela de 15,4 polegadas (Ulisses Cavalcante/Quatro Rodas)

O Model3 modifica a maneira como o dono interage com o carro. E a analogia mais próxima para compreender isso é pensar no smartphone.

Praticamente toda a operação do veículo é feita por meio da tela digital de 15,4 polegadas no centro do painel.

Ela exibe mapas, funções do multimídia, configura a iluminação, preferências de ajustes, trava as portas traseiras e o sistema de ventilação. Até o velocímetro é monitorado pelo display, fixado no canto superior esquerdo.

A interface é tão boa que faz o Android Auto e Apple CarPlay parecerem sistemas defasados.

Velocímetro surge no canto superior esquerdo (Ulisses Cavalcante/Quatro Rodas)

Um dos esforços da marca foi o de eliminar partes móveis na cabine – com exceção das alavancas de seta e da transmissão, ambas atrás do volante, não há sequer uma maçaneta interna para abrir as portas. Isso é feito por meio de um botão elétrico.

Destravamento da porta é feito por botão (Ulisses Cavalcante/Quatro Rodas)

No painel com acabamento de madeira não há nenhum mostrador.

As saídas de ar ficam camufladas em um duto, que se estende de ponta a ponta. Na tela, basta tocar no ponto em que se deseja o fluxo.

Quer abrir o porta-luvas? Regular a coluna de direção? Ajustar os retrovisores? Tudo pela tela, no máximo em conjunto com comandos no volante – que funcionam como um botão de joystick.

Além disso, todo Model 3 sai da fábrica com conexão à internet.

A Tesla envia para seu carro atualizações de sistema e oferece apps com mais funções ao veículo. Em outras palavras, o carro evolui com o tempo, conforme a tecnologia avança – e isso tem influência na experiência de uso.

Retrovisores são elétricos e têm rebatimento automático ao travar o carro (Ulisses Cavalcante/Quatro Rodas)

Hoje, nenhum Model 3 é 100% autônomo, mas isso pode mudar. E, se mudar, quem já tiver um Tesla poderá atualizar o software para receber essa funcionalidade. Por ora, o AutoPilot consegue substituir o motorista em situações específicas.

Na estrada, bastam dois toques na alavanca de câmbio para ativar o recurso.

Oito câmeras (três no para-brisa, duas nos para-lamas dianteiros, uma em cada coluna B e uma na traseira), associadas a 12 sensores ultrassônicos e radar, monitoram o trânsito e identificam as faixas de rolagem, placas de trânsito e a presença de obstáculos.

Detalhe da câmera nos para-lamas frontais (Ulisses Cavalcante/Quatro Rodas)

Detalhe da câmera na coluna B (Ulisses Cavalcante/Quatro Rodas)

Isso é suficiente para o veículo seguir sozinho o carro da frente, frear, respeitar limites de velocidade e até trocar de faixa sozinho. Basta que o motorista dê o comando pelas setas.

A condução autônoma, no entanto, está muito distante do Brasil. Esses controles funcionam bem em locais com sinalização de trânsito clara.

Junto à lanterna, portinhola de recarga (Ulisses Cavalcante/Quatro Rodas)

Carro autônomo ainda não é capaz de desviar de buracos e defeitos na pista.

E, por fim, operam com eficiência quando os outros motoristas desobedecem as regras por exceção, não por padrão – modus operandi brasileiro.

Por funcionar como um celular, a Tesla consegue monitorar o veículo e emitir alertas ao dono.

Se houver um defeito mecânico, técnicos da empresa podem entrar em contato antes mesmo que o proprietário perceba e até efetuar reparos remotos por wi-fi.

Até a alma do capô tem design interessante (Ulisses Cavalcante/Quatro Rodas)

O telefone do dono também controla funções do carro. Serve como chave e manual de instruções, tudo via app. Na falta dele, não há chave.

A Tesla fornece um cartão que destrava a porta e aciona o veículo.

Ao volante, a disposição a cada acelerada supreende – o Model 3 não distingue retão de subida e não sofre com carga pesada.

Porém, a suspensão é ruidosa sobre pisos acidentados e o isolamento acústico é inferior ao de modelos dessa categoria, como Mercedes Classe C e BMW Série 3.

No console, apoio emborrachado com ponto de recarga para celular (Ulisses Cavalcante/Quatro Rodas)

A autonomia divulgada é de 500 km com uma carga completa, marca que supera concorrentes diretos, como o Nissan Leaf e BMW i3.

Ao utilizar o navegador, o próprio carro calcula a distância até o destino e avisa o motorista se a carga é suficiente, além de prever o quanto de energia restará na bateria quando chegar ao local.

Falta de motor abriu espaço na dianteira (Ulisses Cavalcante/Quatro Rodas)

O assoalho é plano, aumentando o espaço interno (Ulisses Cavalcante/Quatro Rodas)

Em dois dias à bordo do elétrico, considerando a infraestrutura disponível, o velho posto de combustível não fez falta. Foi mais fácil prever a recarga na tomada do que utilizar a anacrônica bomba com carros comuns.

Interior é amplo, com acabamento de madeira no painel. Nota que não há botões (Ulisses Cavalcante/Quatro Rodas)

Em breve, a tendência é que a gente passe a achar incômoda a necessidade de gasolina. Assim como o celular mudou nossos hábitos, o carro do futuro também mudará.

Porta-malas conta com fundo falso (Ulisses Cavalcante/Quatro Rodas)

Mas ainda há desafios a superar. No caso da Tesla, há um obstáculo financeiro: o atraso na produção do Model 3 sufoca o caixa da empresa, que perdeu mais de US$ 1 bilhão no último trimestre.

A linha de montagem não está 100% pronta e a empresa enfrenta dificuldades para produzir baterias no volume necessário.

A publicação americana Consumer Reports fez testes de desempenho com o Tesla Model 3 e o elétrico obteve notas baixas no quesito frenagem.

O resultado ruim levou Elon Musk a se manifestar publicamente e afirmar que o modelo passará por atualizações de software.

Com estrutura de recarga adequada, o Model3 substitui carros a combustão com louvor. E dá a sensação de que o futuro já existe. É um iPhone motorizado.

Preço: US$ 56.000

Motor: elétrico, AC, magneto permanente, trifásico, 224 cv; 41,8 mkgf

Câmbio:automático, 1 marcha, tração traseira

Suspensão: braços duplos (diant.) /multilink (tras.)

Freios:disco ventilado (D e T)

Direção: elétrica

Pneus: 235/45 R18 (19 pol, opcional)

Dimensões: compr., 469,4 cm; largura, 184,9 cm; alt., 144,8 cm; entre-eixos, 287,5 cm; peso, 1.610 kg; porta-malas, 425 l (volume combinado)

Desempenho: 0 a 100 km/h em 5,7 s; velocidade máxima, 225 km/h (dados de fábrica)

Autonomia: 500 km

Supercharger permite recarga total em 50 minutos (Ulisses Cavalcante/Quatro Rodas)

A existência do carro elétrico depende de uma estrutura complexa. A Tesla instalou pontos de recarga para clientes da marca com carregadores chamados de Supercharger. O equipamento provê energia a altíssima tensão – o suficiente para completar a bateria em até 1 hora.

Donos do Model S e X têm 400 kWh de crédito, válidos por um ano. Essa franquia é suficiente para rodar pouco mais de 1.500 km. No caso do Model 3, não há moleza: paga-se entre US$ 0,12 e US$ 0,20 por kWh.

Na foto, o carro estava parado em uma estação dentro do estacionamento de um shopping. Também é possível encontrar o Supercharger ao longo de rodovias e você não precisa decorar sua posição.

O mapa do carro tem a lista de todas as estações disponíveis no mundo e indica a utilização das unidades próximas. Ou seja, é possível saber de antemão quantos são os pontos da região e quais estão em uso ou vazios.

 (Divulgação/Tesla)

O MODEL S compete com sedãs de luxo, como Audi A4 e BMW Série 3. Lançado em 2012, é um dos veículos mais seguros do mundo. A partir de US$ 62.700, nos EUA.

 (Divulgação/Tesla)

Familiar, o MODEL X é um SUV dotado de portas gaivota (que se abrem para cima) com acionamento elétrico. Oferece 7 assentos e obteve 5 estrelas em crash-test.

 (Divulgação/Tesla)

O ROADSTER foi o primeiro Tesla a ser vendido, mas saiu de linha. Prevista para 2020 e com tração 4×4, a segunda geração (foto) promete ir de 0 a 100 km/h em 2 s. 

Fonte: Quatro Rodas

Mais Novidades

30 JAN
Teste: Ford EcoSport Storm ousa na terra com pneu de asfalto

Teste: Ford EcoSport Storm ousa na terra com pneu de asfalto

Apliques escurecidos e grade do radiador exclusiva deram um ar mais agressivo ao modelo (Leo Sposito/Quatro Rodas) A escolha dos pneus que serão usados em um determinado veículo sempre é delicada. Não é possível aliar capacidade off-road, eficiência energética e conforto em um só composto. Os pneus de uso misto, feitos para rodar tanto na terra quanto no asfalto, são um bom exemplo desse difícil equilíbrio: eles são a escolha... Leia mais
30 JAN
Peugeot 3008 ganha versão topo Griffe Pack por R$ 154.990

Peugeot 3008 ganha versão topo Griffe Pack por R$ 154.990

No design, teto e retrovisores externos são na cor preta na nova versão (Divulgação/Peugeot) Lançado em junho do ano passado, o Peugeot 3008 acaba de ganhar uma nova versão para 2018. A Griffe Pack acrescenta mais equipamentos de segurança e novidades externas no SUV, fazendo o preço saltar para R$ 154.990. Visualmente, a nova configuração do 3008 ganhou apenas teto e retrovisores na cor preta. No entanto, o pacote de equipamentos... Leia mais
30 JAN
Renault Sandero Stepway capota em comercial na Argentina

Renault Sandero Stepway capota em comercial na Argentina

– (Reprodução/Internet) Nesta segunda-feira (29) o site Autoblog Argentina publicou um vídeo que mostra o Sandero Stepway capotando durante a gravação de um comercial no país hermano A cena foi capturada por um paparazzo e mostra o motorista do aventureiro perdendo o controle após uma curva acentuada. A intenção do comercial era exibir uma família fugindo da rotina a bordo do Sandero Stepway – o restante da propaganda foi... Leia mais
29 JAN
Ford revela EcoSport mais caro da história

Ford revela EcoSport mais caro da história

Versão 4×4 do novo Ford EcoSport ganhou sobrenome e visual exclusivo (Reprodução/Internet) A Ford antecipou em seu site, nesta segunda (29), a nova versão do EcoSport, batizada de Storm. Ela marca o retorno da tração 4×4 no modelo, agora atrelada a um câmbio automático de seis marchas. A novidade veio acompanhada de um visual exclusivo e um preço elevado. De acordo com a página dedicada ao modelo na internet, o Storm custará a... Leia mais
29 JAN
Nova Fiat Ducato chega ao Brasil com visual velho

Nova Fiat Ducato chega ao Brasil com visual velho

– (Divulgação/Fiat) O post do Honda HR-V reestilizado rendeu polêmicas nas redes sociais por conta das discretas mudanças visuais que, segundo alguns leitores não justificaria o adjetivo “novo”. Então, o que dizer de um veículo lançado com um design que não é oferecido na Europa desde 2014? Conheça o novo Fiat Ducato 2018. No caso dele, não é exagero falar em “novo”, já que se trata, de fato, de uma geração... Leia mais
29 JAN
Impressões: Mercedes E43, o AMG de boutique

Impressões: Mercedes E43, o AMG de boutique

Para-choques, grade do radiador e rodas são exclusivos do E43 AMG (Rodrigo Ribeiro/Quatro Rodas) Responda rápido: o que diferencia um AMG de uma versão convencional de qualquer outro Mercedes? Pode ser o desempenho muito acima de qualquer outro modelo. Pode ser o ruído estrondoso e característico do escapamento. Ou o fato de que cada motor é produzido por um só funcionário em Affalterbach, na Alemanha. Bem, o novo Classe E43 não tem... Leia mais