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04 MAI

Comparativo: Ford Mustang x Chevrolet Camaro

Mustang e Camaro mediram forças e habilidades na pista de teste e no autódromo (Leo Sposito/Quatro Rodas)

A chegada do Ford Mustang, agora importado oficialmente pela fábrica, permitirá aos brasileiros acompanharem lances de uma das mais lendárias rivalidades da indústria: o confronto entre Ford Mustang GT e Chevrolet Camaro SS.

Essa briga remonta aos anos 1960, quando as primeiras gerações desses carros chegaram ao mercado dos Estados Unidos.

Agora, porém, a impressão é de que a disputa ficou ainda mais interessante, em razão da evolução dos modelos que estão na sexta geração.

Visualmente, os cupês exibem linhas e detalhes que remetem a seus modelos originais: o Mustang, de 1964 e o Camaro, de 1966. (Leo Sposito/Quatro Rodas)

O Mustang atual foi lançado em 2015 e ganhou uma reestilização este ano. O Camaro  atual estreou em 2016.

Para este comparativo, além das medições no campo de provas, marcamos encontro no autódromo particular do Haras Tuiuti, em Tuiuti (SP), onde avaliamos o comportamento dos esportivos em situações típicas de pista, condição em que muitos dos proprietários experimentam seus modelos.

Nossa avaliação, no entanto, começou bem antes, já na garagem da Editora Abril, quando os dois esportivos estacionados lado a lado, chamavam a atenção de quem passava.

Visualmente, os cupês exibem linhas e detalhes que remetem a seus modelos originais: o Mustang, de 1964; o Camaro, de 1966.

Os dois têm cara de poucos amigos, com grandes aberturas nas dianteiras, capôs longos, ombros largos e rodas grandes.

Eles exibem seu visual musculoso com cara de poucos amigos (Leo Sposito/Quatro Rodas)

O Camaro, porém, parece mais impetuoso, com sua frente invocada e faróis que lembram olhos semicerrados.

E, no conjunto, o Chevrolet também é o dono de um design mais bem resolvido e proporcionalmente mais equilibrado.

Por dentro, os painéis mais uma vez reeditam os antecessores. O Mustang tem duas seções, para motorista e passageiro, bem definidas.

O Camaro exibe um conjunto predominantemente horizontal. A cabine do Ford é mais espaçosa, embora os dois sejam modelos de 2+2  lugares por definição. Ou seja, os assentos traseiros são praticamente decorativos.

No Mustang, o motorista viaja em uma posição mais próxima à de um sedã, com o assento mais elevado, enxergando o espaço que o carro ocupa nas vias.

O Chevrolet é mais fiel às raízes de muscle car, com o motorista afundado no assento e a linha de cintura passando à altura do ombro.

No Mustang, o motorista viaja em uma posição mais próxima à de um sedã (Leo Sposito/Quatro Rodas)

Para o dia a dia, a posição do Mustang é melhor. Mas, a do Camaro, é mais esportiva.

Assim que se acomoda no banco e põe as mãos no volante do Chevrolet, a gente só pensa em uma coisa: acelerar.

O teto solar do Camaro é item de série, assim como bancos elétricos (Leo Sposito/Quatro Rodas)

No acabamento, o Camaro causa impressão de qualidade superior, com texturas de melhor aparência e moldura de alumínio ao redor da alavanca do câmbio (enquanto no Mustang o maior requinte é um detalhe de aço escovado no alto do painel).

O Camaro causa impressão de qualidade superior, com texturas de melhor aparência e moldura de alumínio ao redor da alavanca do câmbio (Leo Sposito/Quatro Rodas)

No que diz respeito aos equipamentos, porém, o Mustang tem mais a oferecer, principalmente nos itens de segurança.

Os dois cupês contam com oito airbags, ESP, sensor crepuscular e câmera de ré.

Mas só o GT vem com alerta de aproximação, alerta de colisão, detector de pedestres, sensor de mudança de faixa e sensor de fadiga.

Enquanto o SS traz como recursos exclusivos alerta de ré, alerta de ponto cego e head-up display.

No Mustang o maior requinte é um detalhe de aço escovado no alto do painel (Leo Sposito/Quatro Rodas)

Em relação aos itens de conforto, o equilíbrio é maior. Se a central multimídia Sync da Ford tem comandos de voz, a MyLink da GM abriga o sistema de monitoramento OnStar.

Se os bancos do Mustang têm revestimento parcial de couro, os do Camaro (que apenas imitam couro) contam com regulagem elétrica de distância, profundidade e inclinação, enquanto os do Mustang trazem ajuste elétrico somente na distância.

Com maior espaço interno, o GT traz bancos com revestimento parcial de couro (Leo Sposito/Quatro Rodas)

O console traseiro do Chevrolet conta com carregador de celular por indução (Leo Sposito/Quatro Rodas)

Os dois carros trazem ar-condicionado dual zone e sistemas de som de alta fidelidade (Shaker Pro Audio, no Ford; Bose, no Chevrolet).

Por último, mas não menos importante, o Mustang se destaca em aspectos específicos.

Seus faróis full-led têm tecnologia mais avançada que os de xenônio do Camaro (com leds só nas lanternas e nas luzes de posição).

O Mustang conta com central multimídia com comandos de voz e ar-condicionado dual zone (Leo Sposito/Quatro Rodas)

A central do Camaro conversa com o sistema de monitoramento e concierge OnStar (Leo Sposito/Quatro Rodas)

O piloto automático do Ford é adaptativo, enquanto o do Chevrolet é convencional.

E o painel do GT é inteiramente digital, ante o do SS, que reúne um display digital a mostradores analógicos.

O Ford tem painel digital configurável (Leo Sposito/Quatro Rodas)

O Painel do Chevrolet reúne informações digitais e analógicas (Leo Sposito/Quatro Rodas)

O Camaro tem quatro modos de condução (Passeio, Esporte, Neve e Circuito). O Mustang conta com sete (Normal, Esportivo, Esportivo+, Neve, Pista, Drag e My Mode, configurável ao gosto do motorista).

E o Ford traz ainda um programa para aquecimento dos pneus traseiros – que trava as rodas dianteiras e deixa as traseiras girarem em falso, queimando borracha no asfalto.

A caminho da pista de testes, no modo Passeio, o Camaro se revelou um carro mais bem assentado. Suas rodas são maiores (aro 20 contra as de aro 19) e sua direção firme exige mais esforço para ser manejada.

O Mustang, no modo Normal, se comporta como um sedã de luxo como o Fusion.

No Haras Tuiuti, os dois esportivos demonstraram comportamentos rebeldes, com acelerações vigorosas e reações prontas.

O Camaro se destacou por qualidades como direção precisa, freio confiável e câmbio que permitia ao motorista reduzir (no modo manual) a qualquer tempo.

O V8 5.0 da Ford gera 466 cv (Leo Sposito/Quatro Rodas)

Mustang tem som Shaker Pro Audio e câmbio automático de 10 marchas (Leo Sposito/Quatro Rodas)

O Mustang surpreendeu pela agilidade. Apesar de ser ligeiramente mais pesado (1.783 kg contra 1.709 kg do Camaro), ele passa a impressão de ser mais leve, ao se mostrar mais rápido nas saídas de curvas e nos finais das retas.

Embora não freasse com tanta eficiência e seu câmbio não aceitasse as reduções com a mesma obediência do SS, o GT apresentou excelente controle direcional.

Na pista de testes, as diferenças percebidas no autódromo encontraram justificativas nos números apurados.

O Camaro, com seu motor V8 6.2 de 461 cv, regido pelo câmbio automático de oito marchas, acelerou de 0 a 100 km/h em 5,1 segundos.

O câmbio do Camaro dispõe de oito marchas (Leo Sposito/Quatro Rodas)

O V8 6.2 da GM entrega 461 cv (Leo Sposito/Quatro Rodas)

Mas o Mustang é ainda mais rápido: com seu motor V8 5.0 de 466 cv e câmbio automático de dez marchas, fez de 0 a 100 km/h em 4,5 segundos.

Nas frenagens, foi a vez de o Chevrolet superar o rival. Vindo a 120 km/h, o Camaro freou em 57 metros, 4,2 m antes do Mustang, que percorreu 61,2 m até parar.

Nas medições de consumo, houve empate técnico. O Chevrolet conseguiu as médias de 7,4 km/l na cidade e 11,3 km/l na estrada.

O Ford fez 7,1 km/l no ciclo urbano e 12,2 km/l no rodoviário.

Não dá para dizer que são econômicos, mas, na comparação com outro esportivo V8, como o Mercedes-AMG C 63 S, por exemplo, ambos se revelaram moderados.

O alemão obteve as marcas de 6,3 km/l na cidade e 9,1 km/l na estrada.

Quando falamos dos custos, o Mustang ganha por ser mais barato (R$ 299.900 contra R$ 310.000 do GM) e ter o pacote de assistência oferecido pela Ford com revisões programadas com preços fixos e garantia que parte de três anos, mas pode chegar a cinco, caso o consumidor opte por contratar as cinco primeiras revisões no ato da compra do carro.

O Mustang ganha por ser mais barato e ter o pacote de assistência oferecido pela Ford (Leo Sposito/Quatro Rodas)

A Chevrolet oferece três anos de garantia e não estabelece revisões com preços fixos.

Segundo a empresa, a manutenção do Camaro é determinada em função da forma e da frequência com que o carro é usado, uma vez que alguns clientes compram o Camaro para usá-lo em pistas privadas e outros mantêm o esportivo como objeto de coleção.

A Chevrolet é mais cara, e oferece três anos de garantia e não estabelece revisões com preços fixos (Leo Sposito/Quatro Rodas)

O Mustang vence este primeiro (e agora oficial) confronto. Além de  mais ágil no autódromo e versátil, nas ruas e estradas, é mais equipado e tende a pesar menos no bolso do proprietário, por conta do preço e do plano de manutenção.

Porém, a briga entre os cupês V8 não termina aqui, pois uma nova versão do Camaro já está pronta com mudanças que vão além do visual.

A novidade já foi apresentada e tem previsão de chegar ao mercado americano no final deste ano como linha 2019. Para o Brasil, que acabou de receber a linha 2018, em março, a nova versão demora um pouco mais.

Mas virá e, de nossa parte, o próximo confronto entre os carros fica marcado desde já.

Motor e Câmbio
Há equilíbrio de forças entre os motores V8, mas o câmbio do Mustang faz toda a diferença.

Dirigibilidade
O Camaro é bem assentado, mas o Mustang tem ótimo controle direcional.

Segurança
Além do básico, o Ford tem alerta de colisão, detector de pedestres, sensor de mudança de faixa com alerta de fadiga.

Seu bolso
O GT custa menos e tem plano de manutenção mais consistente e vantajoso.

Conteúdo
Os dois são bem equipados, mas o Mustang é superior em itens como os faróis full-led e o piloto automático adaptativo.

Vida a bordo
No Camaro, a posição de dirigir é mais esportiva, enquanto o Mustang é mais confortável para o dia a dia.

Qualidade
Ambos têm boa qualidade construtiva. No interior, porém, o acabamento do Camaro causa melhor impressão.

Pelo conjunto da obra, o Mustang vence o comparativo: ele anda mais, é mais equipado e tende a pesar menos no bolso do proprietário.

Versão SS da linha 2019 (Reprodução/Quatro Rodas)

Em abril, a Chevrolet apresentou nos EUA a linha 2019 do Camaro. Além do visual reestilizado, com nova grade, faróis e rodas, ele terá mudanças mecânicas. O cupê recebrá um câmbio automático de dez marchas desenvolvido em conjunto com a Ford, que já é usado no Mustang, obviamente com algumas modificações.

Segundo a GM, como essa caixa é mais rápida que as automatizadas de dupla embreagem, o Camaro terá melhor desempenho e menor consumo de combustível.

Fonte: Quatro Rodas

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