O RS era um 911 melhorado em peso, motor e aerodinâmica (Christian Castanho/Quatro Rodas) A primeira metade dos anos 70 foi turbulenta para a Porsche. O 917 estava com os dias contados após a FIA declarar que ele estaria fora do regulamento do Grupo 5 a partir de 1973. A situação se agravou após a Volks anunciar que seus futuros modelos teriam tração dianteira e refrigeração líquida da Audi, fragilizando a relação entre os dois fabricantes. Sem o apoio financeiro da VW, o diretor técnico Ernst Fuhrmann determinou o desenvolvimento do Carrera RS (Rennsport), um 911 capaz de liderar o Grupo 4 da FIA. O maior problema dos engenheiros seria atenuar seu comportamento arisco, pois o motor posicionado atrás do eixo traseiro o tornava mais lento que os adversários nas curvas. Conta-giros no centro: vocação para carro de corrida (Christian Castanho/Quatro Rodas) O desafio era enorme: o Carrera RS enfrentaria adversários muito mais potentes, como o Chevrolet Corvette (V8 de 7,4 litros) e o Ferrari 365 GTB/4 (V12 de 4,4 litros). Até então o 911 S era o modelo mais rápido e veloz da Porsche. Com um seis cilindros de 2,4 litros e 190 cv, ia de 0 a 100 km/h em 7,8 s e chegava aos 228 km/h. A missão foi confiada a Norbert Singer, engenheiro que colaborou com o sucesso do 917. Com um túnel de vento, sua equipe descobriu que um simples aerofólio aumentaria a aderência do eixo traseiro. Os testes dinâmicos monstraram que o Carrera RS era um devorador de curvas. Carroceria apurada em túnel de vento (Christian Castanho/Quatro Rodas) Outro engenheiro, Hans Mezger, aumentou o motor para 2,7 litros: os cilindros adotaram uma tecnologia desenvolvida no 917, um revestimento interno em liga de níquel e carbeto de silício, mais tarde conhecido como Nikasil. Com injeção mecânica Bosch, o resultado final foi de 210 cv a 6.300 rpm e 26 mkgf a 5.100 rpm. Motor aumentado para 2,7 litros (Christian Castanho/Quatro Rodas) A última etapa foi eliminar tudo o que fosse dispensável num carro de pista: carpete, bancos traseiros e até o emblema no capô, substituído por um adesivo. Ao final, o RS para homologação pesava 960 kg graças a chapas e vidros mais finos, além de itens de fibra de vidro e alumínio. Sua primeira aparição foi no Salão de Paris de 1972. Os entusiastas ficaram em êxtase ao ver o aerofólio traseiro e a ficha técnica, pois era o primeiro Porsche de série a superar os 200 cv. A pintura branca simbolizava a cor nacional dos carros alemães de competição e os grafismos seguiam o mesmo tom das rodas Fuchs. Rodas Fuchs pintadas na cor dos grafismos laterais (Christian Castanho/Quatro Rodas) Das 500 unidades para a homologação, só 17 permaneceram originais: 200 foram convertidas para a versão M471, que ganhou 15 kg com acessórios como janelas basculantes, carpete, bancos Recaro e barra estabilizadora reforçada. Foi logo absorvida pelo mercado, graças ao preço de 33.000 marcos alemães (contra 31.500 do 911 S). Apesar de mais cara (35.500 marcos), a versão M472 foi a de maior sucesso: 1.308 unidades. Pesava 1.060 kg graças ao acabamento similar ao do 911 S, com exceção do volante de 38 cm. Exclusiva para as pistas, a M491 teve só 55 carros: motor de 2,8 litros e 300 cv, rodas mais largas e gaiola de proteção interna, tudo por 59.000 marcos. As versões mais civilizadas chegavam a 243 km/h, com 0 a 100 km/h em 5,8 s. A máquina ia de 0 a 100km/h em 5,8 segundos (Christian Castanho/Quatro Rodas) No total, 1.580 carros foram feitos até julho de 1973, como este M472, que faz parte do acervo da FBF Collezione. O Carrera RS é hoje um dos Porsche mais valorizados do mundo. Sua trajetória foi essencial para a manutenção da lenda 911, assim como o Carrera RSR 3.0 e o 930 (911 Turbo).
Fonte:
Quatro Rodas
Ficha técnica – Porsche 911 Carrera RS 1973
Clássicos: Porsche 911 Carrera RS, técnica e criatividade
Mais Novidades
05 MAR
Preços do Renault Kwid sobem e passam dos R$ 30 mil
Versão de entrada do Kwid fez voto de pobreza, mas garante quatro airbags (Divulgação/Renault)
Menos de quatro meses após o primeiro aumento, a Renault reajustou novamente os preços do Kwid. A diferença, agora, é que o preço da versão inicial Life também aumentou, ultrapassando pela primeira vez a barreira dos R$ 30 mil.
O aumento médio dos preços foi de R$ 500, mas o maior reajuste foi justamente para a versão Life, que não teve adição de...
Leia mais
02 MAR
Arredondar valor do reabastecimento agora é proibido em SP
A tributação mais que dobrou para alguns combustíveis, como a gasolina (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)
Desde 13 de janeiro está proibido, em todo o Estado de São Paulo, abastecer o carro além do limite da bomba – também conhecido como “clique”.
A limitação foi imposta pela lei 16.656/18, do deputado estadual Marcos Martins (PT).
De acordo com o texto legal, os postos de combustível só estão autorizados a seguir com o abastecimento...
Leia mais
02 MAR
Mercado em fevereiro: novo Polo é o VW mais vendido do Brasil
Em 4° lugar no ranking, o Polo é o veículo mais vendido da VW no Brasil (Christian Castanho/Quatro Rodas)
O mês de fevereiro foi recheado de sobe e desce no mercado automotivo. Os principais lançamentos do último ano vão se mantendo entre os mais vendidos, enquanto alguns veteranos despencam na tabela.
Destaque no mês de janeiro, o VW Polo segue bem no mercado. Com 4.942 unidades emplacadas, o hatch continua como o veículo mais vendido da marca no...
Leia mais
02 MAR
Guia de usados: Hyundai Tucson – primeira geração
O SUV só passou a ser produzido no Brasil em 2010 (Marco de Bari/Quatro Rodas)
O Tucson é um dos poucos carros que foram abordados duas vezes nesta seção. Nada mais natural, considerando seu brutal sucesso.
Apresentado em 2005, cativou clientes que até hoje não abrem mão de sua robustez, praticidade e facilidade de manutenção.
Nacionalizado em 2010, perdeu a opção do motor V6 e da tração 4×4 na linha 2011, para não brigar com o ix35 – o...
Leia mais
Mercedes Classe X já roda em testes (e sem disfarce) no Brasil
Picape já está no Brasil, mas não em sua versão mais completa (Flavio Barbosa Menezes/Quatro Rodas)
Considerada a primeira picape média de luxo do mundo, a Mercedes Classe X já roda em testes no Brasil. Quem prova isso é o leitor Flavio Barbosa Menezes, que clicou o modelo circulando por São Paulo...
Leia mais
02 MAR
Novo Polo recebe o primeiro aumento e fica até R$ 2.570 mais caro
Polo recebe o primeiro acréscimo desde o lançamento; apenas a versão de entrada continua igual (Christian Castanho/Quatro Rodas)
Não demorou para a Volkswagen aumentar os preços do novo Polo. Após quatro meses de mercado, o hatch recebe o primeiro acréscimo, variando entre R$ 1.100 e R$ 2.570.
E foi a topo de linha Highline 200 TSI, com motor turbo 1.0 de 128 cv, que recebeu o maior aumento: o preço saltou de R$ 69.190 para R$ 71.760.
A opção de...
Leia mais