O Renegade é um SUV de verdade; já WR-V e Kwid só são chamados assim pelas montadoras (Christian Castanho/Quatro Rodas) Acreditar em propagandas é igual falar com estranhos: não é recomendável, mas muita gente faz. De olho na popularização dos utilitários esportivos, Honda e Renault resolveram vender seus últimos lançamentos (o monovolume WR-V e o hatchback compacto Kwid) como SUVs. As marcas se defendem citando a Portaria nº 522 do Inmetro, a qual define todo veículo com ângulo de ataque de 23°, altura livre do solo de 18 cm e ângulo de saída de 20° como um fora de estrada compacto. Sendo assim, compramos o discurso das montadoras e levamos os dois modelos para encarar um SUV que carrega a tradição Jeep para um lugar onde eles se sentem à vontade – ou deveriam: a terra. Único SUV entre os três, o Renegade passou pelos obstáculos sem grandes problemas (Christian Castanho/Quatro Rodas) Vale frisar que não se trata de comparativo: o objetivo era descobrir se Kwid e WR-V realmente conseguem fazer o mesmo que um autêntico SUV (no caso, o Jeep Renegade) faz. Mas para equilibrar a briga convocamos um Renegade Limited só com tração dianteira. Escolhemos uma pista dentro do Haras Tuiuti, no interior paulista, repleta de obstáculos, como tanque de areia, pedras e a “caixa de ovos” – uma área formada por erosões alternadas que fazem o carro afundar de um lado para o outro. Desviamos apenas dos trechos mais severos (indicados apenas para tração 4×4), como as descidas acentuadas ou o fosso de lama. É um traçado difícil, mas qualquer veículo utilitário, como uma picape média, pode superar. WR-V teve suas limitações; suspensão é a mais dura entre os três (Christian Castanho/Quatro Rodas) Começamos pela caixa de areia. Apesar da superfície fofa, nenhum deles sofreu para atravessá-la. Depois partimos para as pedras – e aí começaram os problemas. Analisamos cuidadosamente o trajeto e removemos as pedras mais altas para evitar danos severos à parte inferior dos veículos. Se não fosse isso, dificilmente o Kwid conseguiria atravessar a pista de pedras ileso. Dono da maior altura livre do solo (21 cm), o WR-V raspou o protetor de cárter em algumas ocasiões, mas cumpriu a prova sem grandes problemas. Embora não tenha a maior altura do solo, o Renegade venceu as pedras com facilidade, especialmente por ter pneus mais altos. A prova da rampa só comprovou nossa expectativa: nenhum deles chegaria ao topo sem tração nas quatro rodas – e mesmo assim seria preciso “pegar embalo” para entrar na subida com o motor cheio. Restou a nós partir para o próximo desafio. Morro acima? Sem tração 4×4 nenhum dos três conseguiu subir (Christian Castanho/Quatro Rodas) Foi na temida caixa de ovos que os modelos sofreram mais. Único SUV de verdade da turma, o Renegade mostrou desenvoltura e saiu dos buracos sem dificuldades nas várias vezes em que realizamos o percurso, mesmo sem ter bons ângulos de ataque e saída. A calibragem da suspensão agrada por não ser excessivamente dura nem muito mole. O resultado é um carro firme nas incursões fora de estrada, absorvendo bem as irregularidades do piso. O SUV mostrou desenvoltura mesmo quando ficou com uma das rodas no ar – situação comum nas péssimas vias brasileiras. Além dos pneus terem perfil mais alto e serem de uso misto (Kwid e WR-V têm pneus para asfalto), a suspensão independente nas quatro rodas também faz a diferença por ter um curso maior do que os outros. A boa altura do solo fez o Kwid se virar bem na trilha (Christian Castanho/Quatro Rodas) A surpresa agradável ficou por conta do Kwid. Além da boa altura livre do solo, os ângulos de ataque (24°) e saída (40°) – são os melhores do trio – jogaram a favor do hatch. Pequeno e leve (786 kg contra 1.130 kg do WR-V e 1.440 kg do Renegade), o Renault passou pela caixa de ovos praticamente sem raspar o para-choque no chão. Foram poucas as vezes em que precisou recuar para transpor um obstáculo. A carroceria não torceu excessivamente em quase nenhuma ocasião e a calibragem dura da suspensão pode até ser um pouco desconfortável para o uso urbano, mas se mostrou boa para os terrenos acidentados. Até o motor 1.0 SCe de três cilindros deu conta do recado, bastando dosar o acelerador para não ficar preso. O WR-V sofreu para passar pelos obstáculos mais difíceis (Christian Castanho/Quatro Rodas) Já o WR-V não escondeu suas limitações. A suspensão é a mais dura do trio, maltratando os passageiros em pisos irregulares e fazendo-os sacolejar de um lado para o outro. A dianteira raspa facilmente nas valetas mais profundas e em duas ocasiões precisamos dar marcha a ré e entrar embalado para seguir adiante. Dos três modelos, foi ele que raspou o assoalho com maior frequência nos morros de terra. Sair dos buracos, em compensação, não foi tão difícil devido aos bons 29° de ângulo de saída. Ao fim do dia, ficou claro que o Renegade honrou a história da Jeep. Apesar de não ter a valentia (e nem a altura do solo) das versões diesel, ele fez jus ao rótulo de utilitário esportivo e venceu os desafios sem muito esforço, graças ao trabalho da suspensão e dos pneus maiores e de uso misto. O Honda WR-V provou que está longe de ser chamado de SUV. Trata-se deum modelo feito para quem valoriza mais o visual aventureiro do que sua aptidão off-road, e por isso não deve ser submetido a loucuras. O Kwid é o mais barato e não parece feito para sair do asfalto, mas mostrou desenvoltura incomum no meio da terra (Christian Castanho/Quatro Rodas) Por fim, o Kwid surpreendeu pela valentia inesperada para um popular urbano, acompanhando de perto as estripulias e vencendo obstáculos com a facilidade de um SUV. Se a sua intenção é encarar uma trilha leve, o Renegade atenderá suas necessidades se você não exagerar. Mas não despreze o Kwid: ele é mais robusto do que parece, fácil de manobrar e chega a praticamente todos os lugares onde o Renegade vai. E nem cobra tão caro por isso. Um bom ângulo de ataque ou saída pode ajudar a se livrar do aperto Os três modelos testados e a altura de cada um (Infográfico/Quatro Rodas) Raspar a parte inferior do para-choque em valetas (e nas trilhas, claro) é normal nos Renegade com motor flex. Indicadas para o off-road, as versões turbodiesel do Renegade têm ângulo deentrada de 30º e saída de 32º. O Kwid tem o segundo melhor ângulo de ataque da linha Renault: ganha do Captur (23°) e perde para o Duster (30º). O ângulo de saída supera a maioria dos SUVs – e até carros mais caros, como o Discovery Sport e seus 31°. Assim como o Renegade, o WR-V também bate a parte inferior do para-choque em obstáculos mais altos. O bom ângulo de saída do WR-V quase empata com o Renault Duster (34°), o campeão entre os SUVs.
Fonte:
Quatro Rodas
Saindo do buraco
Teste de pista (com gasolina)
Renault Kwid Intense
Jeep Renegade Limited
Honda WR-V EXL
Aceleração de 0 a 100 km/h
14,9 s
14,3 s
12,2 s
Aceleração de 0 a 1.000 m
36,6 s – 137,2 km/h
35,4 s – 148,4 km/h
33,7 s – 156,9 km/h
Retomada de 40 a 80 km/h (em 3ª)
8,6 s
6,1 s
6 s
Retomada de 60 a 100 km/h (em 4ª)
14,3 s
8,1 s
6,7 s
Retomada de 80 a 120 km/h (em 5ª)
26 s
10,4 s
8,8 s
Frenagem de 60 / 80 / 120 km/h a 0
16,5/28,9/65,1 m
18,2/31,4/74 m
17/29,4/68,2 m
Consumo urbano
14,7 km/l
9,6 km/l
12,2 km/l
Consumo rodoviário
18,5 km/l
12 km/l
14,8 km/l
Ruído interno (neutro / RPM máximo)
44,7/73 dBA
42/70,4 dBA
36,7/76,2 dBA
Ruído interno (80 / 120 km/h)
66,7/73,2 dBA
62,4/67,6 dBA
59,8/72,5 dBA
Aferição real do velocímetro a 100 km/h
101 km/h
94,5 km/h
96,2 km/h
Rotação do motor a 100 km/h em 5ª marcha
n/d
2.000 rpm
2.000 rpm
Preço
R$ 39.990
R$ 99.990
R$ 83.400
Garantia
3 anos
3 anos
3 anos
Revisões
R$ 1.164
R$ 1.951
R$ 1216,89
Seguro
R$ 2.606
R$ 4.809
R$ 3.558
Veredicto
Talvez a Renault tenha forçado a barra ao chamar o Kwid de “SUV dos compactos”. Mas o hatch surpreendeu: ele passa incólume por buracos profundos e acompanha o ritmo de um SUV 4×2.
O Renegade parece baixo demais para um SUV, mas foi bem na trilha. Não é indicado para o fora de estrada radical, mas supera estradas de terra mais difíceis e obstáculos leves sem problemas.
O WR-V recebeu até uma nova calibragem da suspensão, mas nada mais é do que uma versão aventureira do Fit. Baixo demais para encarar pedras, ele saiu da trilha com cicatrizes.
Ficha técnica
Kwid Intense
Renegade Limited
WR-V EXL
Motor
flex, diant., transv.,. 3 cil. em linha, 12V, DOHC, 999 cm³, 69 x 66,8 mm, 10:1, 70/66 cv a 5.500 rpm, 9,8/9,4 mkgf a 4.250 rpm
flex, diant., transv., 4 cil., 16V, 1.747 cm³, 80,5 x 85,8 mm, 12,5:1, 139/135 cv a 5.750 rpm, 19,3/18,8 mkgf a 3.750 rpm
flex, diant., transv., 16V, 4 cil., 1.497 cm3, 73 x 89,4 mm, 11,4:1, 116/115 cv a 6.000 rpm, 15,3/15,2 mkgf a 4.800 rpm
Câmbio
manual, 5 marchas, tração dianteira
aut., 6 marchas, tração dianteira
aut., CVT, tração dianteira
Suspensão
McPherson (diant.) / eixo rígido (tras.)
McPherson (diant. e tras.)
McPherson (diant.) / eixo de torção (tras.)
Freios
discos sólidos (diant.) e tambores (tras.)
discos ventilados (diant.) e discos sólidos (tras.)
discos ventilados (diant.) e tambores (tras.)
Direção
elétrica, 3,5 voltas entre batentes, 10 m (diâmetro de giro)
elétrica, 10,8 m (diâmetro de giro)
elétrica, 10,6 m (diâmetro de giro)
Rodas e pneus
165/70 R14
225/55 R18
195/60 R16
Dimensões
compr., 369 cm, larg., 158,6 cm; alt., 147,4; entre-eixos, 242,3 cm. Porta-malas, 290 l; tanque, 38 l; peso, 786 kg; peso/potência, 11,2/11,9 kg/cv; peso/torque, 80,2/83,6 kg/mkgf
compr., 423,2 cm, larg., 179,8 cm; alt., 170,5; entre-eixos, 257 cm; porta-malas, 273 l; tanque, 60 l; peso, 1.440 kg; peso/potência, 10,3/10,6 kg/cv; peso/torque, 74,6/76,6 kg/mkgf
compr., 400 cm, larg., 173 cm; alt., 160 cm; entre-eixos, 255 cm. Porta-malas, 363 l; tanque, 45 l; peso, 1.130 kg; peso/potência, 9,7/9,8 kg/cv; peso/torque, 73,8/74,3 kg/mkgf
Teste: Renault Kwid, Jeep Renegade e Honda WR-V caem na trilha
Mais Novidades
Audi R8 V10 ganha inédita versão com tração traseira
Inédita, versão RWS passa a ser a mais em conta da linha. No entanto, apenas 999 unidades serão produzidas (Audi/Divulgação)
A Audi sempre negou rumores de que o R8 teria uma configuração com tração traseira ? tudo, porém, não passou de um blefe. O superesportivo aparecerá no Salão de Frankfurt em sua aguardada versão V10 RWS, sem a tração integral Quattro, até 50 kg mais leve e 26.000 euros (ou R$ 96.510 em conversão...
Leia mais
Tesla modifica seus carros para que clientes fujam de furacão
A conexão permanente à internet do Model S permitiu à Tesla ampliar a autonomia das versões 60 e 60D do sedã (Divulgação/Tesla)
A tecnologia de atualização remota (via internet) dos modelos da Tesla permitiu à fabricante ajudar os moradores que estão fugindo do furacão Irma de uma forma inédita. A empresa ampliou, gratuitamente, a autonomia de todos os modelos X e S nas versões 60 e 60D, proporcionando um ganho de até 64 km por...
Leia mais
Bugatti Chiron bate recorde de aceleração… e frenagem
Bugatti vai buscar em 2018 o recorde de velocidade, que pertence ao irmão mais velho Veyron (Divulgação/Bugatti)
O que você consegue fazer em 32 segundos? Este foi o tempo que o Bugatti Chiron com seus 1.500 cv e 163,1 mkgf de torque precisou para atingir 400 km/h.
Conduzido por Juan Pablo Montoya, o hiperesportivo francês acelerou de 0 a 400 km/h e depois freou até voltar ao zero. Tudo isso em apenas 41,96 segundos, alcançando o...
Leia mais
Jaguar E-Type se torna o carro elétrico mais bonito do mundo
Lenda dos anos 60 ganhou faróis de LEDs, foi “eletrificada” e anda mais do que o modelo original (Jaguar/Divulgação)
Nem todos os carros elétricos são feios. Há exceções, como o conceito elétrico baseado no E-Type apresentado pela Jaguar na Tech Fest, evento realizado pela própria marca para divulgar suas novas tecnologias.
O modelo foi batizado de E-Type Zero e preserva as belíssimas linhas elogiadas desde o lançamento do...
Leia mais
Teste: Peugeot 3008 1.6 THP Griffe
O novo 3008 perdeu um pouco do ar de minivan e assumiu de vez o estilo SUV (Leo Sposito/Quatro Rodas)
Tomados pelo desejo e pela necessidade de sucesso, funcionários das fábricas costumam pesar a mão ao falar dos atributos dos carros.
Jornalistas que sabem disso, por sua vez, cuidam de pegar leve em relação ao que ouvem. No caso do novo Peugeot 3008 não foi diferente.
Mas, no primeiro contato que tive com o carro, à medida que ia...
Leia mais
Top ten: os carros de corrida mais estranhos
Santos Dumont das pistas
– (Divulgação/Divulgação)
Na temporada da Fórmula 2 de 1968, a Brabham buscou várias soluções para aumentar a aderência do BT23C nas curvas. Como a adição deste aerofólio, que lembrava as asas do 14-Bis, logo ignorado por deixar o carro pesado demais.
Teto próprio
– (Divulgação/Divulgação)
A Lotus ficou famosa pelo pioneirismo nos testes de aerodinâmica na F-1, como este 49B de...
Leia mais